O adeus do poeta Paulo Leminski

O crítico literário, tradutor, professor, escritor e poeta paranaense Paulo Leminski Filho (1944-1989) versifica os dez  “Adeus”.

ADEUS
Paulo Leminsk


Adeus, coisas que nunca tive,
dívidas externas, vaidades terrenas,
lupas de detetive, adeus.
Adeus, plenitudes inesperadas,
sustos, ímpetos e espetáculos, adeus.
Adeus, que lá se vão meus ais.
Um dia, quem sabe, sejam seus,
como um dia foram dos meus pais.
Adeus, mamãe, adeus, papai, adeus,
adeus, meus filhos, quem sabe um dia
todos os filhos serão meus.
Adeus, mundo cruel, fábula de papel,
sopro de vento, torre de babel,
adeus, coisas ao léu, adeus.

(Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)
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2 thoughts on “O adeus do poeta Paulo Leminski

  1. Paulo Leminsk é monstruosamente genial. Praticamente escreveu seu próprio réquiem, ainda em vida, claro! Réquiem este que serve para todos nós…

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