O agravamento da crise na Europa traz a indagação: o que será o amanhã?

Roberto Nascimento

Os países da zona do Euro passam pela maior crise desde a 2ª guerra mundial. A crise financeira americana eclodida em 2008 levou quase toda a Europa de roldão. O cenário atual não está favorável para os europeus.

O multilateralismo econômico e político restringiu a liderança dos americanos e o protagonismo das potências do velho continente. Emergiram no teatro global países em ascensão, a exemplo da China, da Rússia, da Índia e do Brasil.

França e Alemanha tentam a todo custo colocar ordem na casa do Euro, constituído de 17 países, os quais abriram mão de suas moedas nacionais e não sabem e não podem agora voltar atrás, sob pena de agravamento da situação financeira e perda do suporte financeiro do FMI.

Por outro lado, ao se submeterem às regras impostas pela Alemanha e pela França, os países endividados ficarão reféns de um ajuste fiscal sem precedentes, cujo remédio já provoca protestos da população na Grécia e em Portugal. O povo não entende que a saída para a crise seja o corte nas aposentadorias, nos salários, no desemprego e na perda de direitos sociais duramente conquistados.

Na Grécia, parte da dívida foi contraída na compra de caças Rafale e helicópteros franceses e seis submarinos alemães ao custo de 10 bilhões de euros. Tudo porque a Grécia necessita de armamentos para a segurança da nação, em virtude do permanente conflito territorial com a vizinha Turquia.

A Alemanha, país mais sólido da comunidade européia, exporta 60% de seus produtos para a Europa, portanto interessa aos alemães a recuperação econômica de seus vizinhos. Nação derrotada na 2ª guerra mundial pelas tropas aliadas e dividida em duas, Bonn sob controle americano e Berlim sob controle soviético, hoje a poderosa Alemanha desponta como o maior líder europeu e economia mais forte da zona do Euro.

A França se tornou coadjuvante do ator principal (Alemanha) na busca de soluções para a crise financeira do bloco. Provavelmente em 2012 a França será rebaixada pelas agências de classificação de risco de seu triplo AAA em conseqüência do efeito dominó da crise que arrasta o mundo globalizado tal e qual um trem desgovernado.

A lição da crise emerge no exemplo da Alemanha, pais que investiu pesado na Educação e na Tecnologia de alta qualidade, cujo resultado foi a produção e exportação de produtos de alto valor agregado nas áreas de máquinas e equipamentos, farmacêutica, nuclear e robótica, além de uma disciplina fiscal e controle dos gastos públicos permanente.

O mundo está em permanente mudança e agora numa velocidade impressionante. E os efeitos da crise começam a aparecer na Rússia e no Brasil, que teve crescimento zero no último trimestre. O que será o amanhã?

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *