O amor desesperado de Adalgisa Nery, “antes e depois de todos os acontecimentos”

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Adalgisa Nery, retratada por Portinari

Paulo Peres
Poemas & Canções

A jornalista e poeta carioca Adalgisa Maria Feliciana Noel Cancela Ferreira (1905-1980), mais conhecida como Adalgisa Nery, fala do seu amor em todos os sentidos.

EU TE AMO
Adalgisa Nery

Eu te amo
Antes e depois de todos os acontecimentos
Na profunda imensidade do vazio
E a cada lágrima dos meus pensamentos.

Eu te amo
Em todos os ventos que cantam,
Em todas as sombras que choram,
Na extensão infinita do tempo
Até a região onde os silêncios moram.

Eu te amo
Em todas as transformações da vida,
Em todos os caminhos do medo,
Na angústia da vontade perdida
E na dor que se veste em segredo.

Eu te amo
Em tudo que estás presente,
No olhar dos astros que te alcançam
Em tudo que ainda estás ausente.

Eu te amo
Desde a criação das águas,
desde a ideia do fogo
E antes do primeiro riso e da primeira mágoa.

Eu te amo perdidamente
Desde a grande nebulosa
Até depois que o universo cair sobre mim
Suavemente

2 thoughts on “O amor desesperado de Adalgisa Nery, “antes e depois de todos os acontecimentos”

  1. Desculpem-me a ousadia. Vai abaixo a história de amor de uma rosa branca apaixonada por um beija-flor! Ela foi feita para ser contada para crianças, mas até hoje não tive a sorte de ter os ouvidos de nenhuma.

    O Amor da Rosa Branca
    ———————————-

    Num certo mundo encantado havia um beija-flor
    Que vivia muito ocupado a voar de flor em flor.
    Num constante vaivém, em repetidos clamores,
    Jurava sempre querer bem e amar todas as flores.

    Mas todas sabiam que o que ele adorava era o perfume
    De uma rosa branca, o que fazia às outras inveja e ciúme.
    Um dia, porém, surgiu no jardim uma flor muito formosa,
    Pequena como o jasmin e mais perfumada que a rosa.

    Com sua graça e encanto logo o beija-flor seduziu,
    E a rosa branca, enciumada, de dor as pétalas tingiu.
    Seus dias então se tornaram sempre tristes e cinzentos
    Sem que ela tivesse ao menos esperanças ou alento.

    Certa manhã, porém, muita supresa ela viu
    Enxames de abelhas a voar, e um girassol que se abriu.
    Viu também milhares de jasmins, begônias e margaridas
    Radiantes a festejar a primavera bem-vinda.

    Primavera! Primavera! Parecia a natureza clamar,
    E, por toda parte, fragâncias misturavam-se no ar…
    De repente a rosa viu, vindo de um canteiro distante,
    Um pequenino beija-flor, acenando às flores, galante.
    Um frisson incontido por suas pétalas correu:
    Era ele que voltava, afinal, o seu amado Romeu!

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