O amor distante, na poesia de Adélia Prado

A professora, escritora e poeta mineira Adélia Luzia Prado de Freitas, no poema “A Meio Pau”, fala sobre um amor distante e não correspondido.

A MEIO PAU
Adélia Prado

Queria mais um amor. Escrevi cartas,
remeti pelo correio a copa de uma árvore,
pardais comendo no pé um mamão maduro
– coisas que não dou a qualquer pessoa –
e mais que tudo, taquicardias,
um jeito de pensar com a boca fechada,
os olhos tramando um gosto.
Em vão.
Meu bem não leu, não escreveu,
não disse essa boca é minha.
Outro dia perguntei a meu coração:
o que há durão, mal de chagas te comeu?
Não, ele disse: é desprezo de amor.

       (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

One thought on “O amor distante, na poesia de Adélia Prado

  1. 1) Boa postagem. Há quem fale que vivemos em um tempo pós-amor …

    2) Não é novidade, disse Jesus: “Mt 24:10 = Nesse tempo muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se odiarão (…) Mt:24:12 = E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará”.

    3) Penso que é desta era que a grande poetisa fala.

    4) Licença: em 17 de junho de 1886, nasce no RJ o filólogo Antenor Nascentes, autor dos clássicos “O Idioma Nacional (1926-1928)” e “Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa (1932)” que consulto até hoje.

    5) Fonte: BN, Agenda, 1993.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *