O amor incontido do genial poeta lvares de Azevedo jamais se concretizou…

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Poemas & Canes

O dramaturgo, ensasta, contista e poeta paulista Manuel Antnio lvares de Azevedo (1831-1850), no poema Meu Desejo, revela todo o ardor de uma paixo incontida. Ele viveu por apenas 20 anos, mas deixou uma importante obra.


MEU DESEJO
lvares de Azevedo

Meu desejo? era ser a luva branca
Que essa tua gentil mozinha aperta:
A camlia que murcha no teu seio,
O anjo que por te ver do cu deserta.

Meu desejo? era ser o sapatinho
Que teu mimoso p no baile encerra.
A esperana que sonhas no futuro,
As saudades que tens aqui na terra.

Meu desejo? era ser o cortinado
Que no conta os mistrios do teu leito;
Era de teu colar de negra seda
Ser a cruz com que dormes sobre o peito.

Meu desejo? era ser o teu espelho
Que mais bela te v quando deslaas
Do baile as roupas de escomilha e flores
E mira-te amoroso as nuas graas!

Meu desejo? era ser desse teu leito
De cambraia o lenol, o travesseiro
Com que velas o seio, onde repousas,
Solto o cabelo, o rosto feiticeiro.

Meu desejo? era ser a voz da terra
Que da estrela do cu ouvisse amor!
Ser o amante que sonhas, que desejas
Nas cismas encantadas de langor!

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