O apodrecimento do homem público brasileiro

Almério Nunes

O empobrecimento da vida pública brasileira é nítido e indiscutível. Mas, isto decorre de todo um universo, que alcança a Vida como um todo: o empobrecimento da pessoa, do ser humano (algo que, com exatidão, jamais saberei ou saberemos o que é), em todos os quadrantes deste sempre inquieto mundo.

O materialismo assumiu proporções impensáveis, e levou tudo de roldão. É claro que todos queremos uma fatia do progresso, do desenvolvimento tecnológico, das coisas que nos tragam bem-estar e às nossas famílias. E… surgem as vozes que prometem de tudo, para todos, sem qualquer escrúpulo ou responsabilidade. Acontece no Brasil e em todos os lugares. Apenas uns poucos, entretanto, desfrutam destes avanços formidáveis que a tecnologia traz. “Fazer sonhar” com um amanhã melhor é o discurso de sempre.

Há quem aplauda as políticas mais hediondas, considerando que “o pobre nasceu pobre e como pobre morrerá” e… que “os ricos se fizeram ricos e como ricos morrerão”. Isto é novo? Claro que não. Nem a mentalidade doentia dos que aplaudem tais políticas. Para estes, não há salvação.

LEVANDO VANTAGEM

O empobrecimento da vida pública brasileira deve-se ao fato de que a Lei de Gerson, na qual devemos levar vantagem em tudo, parece ser a única, institucionalizada que é. Nos países nórdicos o Estado administra tudo e… os resultados que obtém são por demais conhecidos: são líderes em quase todos os índices de desenvolvimento humano.

E quais são os líderes populares, os homens que comandam a massa, lá? Eles não atentam para isto, e sim para as políticas sociais em vigor. Um deputado na Suécia mora num pequeno apartamento, anda de ônibus, lava e passa sua roupa, não tem empregados pagos pelo Estado e por aí vai. Aqui, os “legisladores”, os “juízes”, os “executivos” são do nível que conhecemos e sabemos como agem.

O empobrecimento das pessoas nem chega a ser um fenômeno sociológico: é um desdobramento de toda uma situação, na qual vence quem é amigo de alguém, consegue uma indicação de alguém, e rapidamente se acumplicia com o status quo vigente. Quem está na parte de baixo da pirâmide que trate de (bem) sustentar quem está em cima.

Eu trocaria a palavra empobrecimento para apodrecimento do homem público do Brasil e de muuuitos outros países. Enquanto escrevo, ouço gargalhadas dos que conseguem êxito na vida, sempre ou quase sempre às custas dos que nunca terão uma justa oportunidade para crescer e ter acesso a uma vida digna.

Dinheiro para investir no povo, há. Mas as aves de rapina nunca estão dispostas a dividir nada com ninguém, é da natureza delas.

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