O atualíssimo José Louzeiro, eu e os intelectuais de esquerda

Louzeiro, lenda viva do jornalismo e da literatura

Antonio Rocha

Gosto muito do escritor e jornalista José Louzeiro. No tempo da graduação trabalhamos juntos em alguns projetos. Eu era do Centro Acadêmico, belo dia resolvemos fazer um concurso de Prosas & Poesias na Faculdade de Letras da UFRJ. Ele foi um dos convidados para a Comissão Julgadora. E o resultado foi um volume publicado pela Editora José Olympio: “Universitários: Verso & Prosa”, saíram três poesias minhas e a jornalista Vivian Wiler, do antigo caderno Livros, do Jornal do Brasil, registrou a resenha.

Outro projeto que trabalhamos juntos foi o SERJ – Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro. Fizemos uma chapa: Louzeiro presidente, Antonio Houaiss vice-presidente e eu – pasmem – suplente do Houaiss. Foi com o mestre Antonio Houaiss, que era do PSB, que me aproximei do partido. E depois por saber que outro grande escritor, meu conterrâneo, Ariano Suassuna, também era do PSB, me senti em casa, já que sou um aprendiz de escritor.

SEDE DO SINDICATO

Louzeiro e eu fazemos aniversário no mesmo dia e isso nos aproximou mais. Escrevemos juntos também em um semanário da época “O País”, que depois passou a se chamar “Nas Bancas”.

No primeiro governo Brizola o SERJ conseguiu um pequeno terreno do Estado, ali perto da Praça Saens Pena, na Tijuca, e com o apoio do arquiteto Oscar Niemeyer, o grande governador Leonel construiu com placas de cimento armado (não sei se é esse o nome) a sede.

Louzeiro sabia da minha Fé Budista. Belo dia me convidou para ir na sua casa, ali em Laranjeiras, saborear o Guaraná Jesus, que eu não conhecia. Só existe em São Luís do Maranhão, uma pena, por mim, poderiam vender em todo o Brasil.

Era a época do romance-reportagem que José Louzeiro criou, a partir de seus trabalhos na área de Repórter Policial, nas redações dos jornais e seus livros que viraram filme e depois telenovelas na então Rede Manchete.

BRAHMANISTA

Conversa vai, conversa vem, Louzeiro me contou que era filho de um pastor da Assembléia de Deus, na capital maranhense.

Tempos depois, por motivos familiares ele estava se aproximando de uma Filosofia Indiana, “Brahma Kumaris” = Filhos de Brahma (Deus Criador do multimilenar Brahmanismo, bem antes do Budismo), e fui com ele visitar o belo templo que ficava em uma ampla casa no Alto da Usina, depois da Tijuca.

Belos tempos mais tarde, nos encontramos e ele disse que se lembrara muito de mim. Fez uma peregrinação à Índia, visitou o bosque sagrado, na cidade de Bodhigaya onde o Buda atingiu o que nós chamamos de iluminação. E, claro, o retiro no Templo Sede da Brahma Kumaris.

BUFÁLOS

Mas a nota divertida, nessa peregrinação é que certa manhã, ele estava em uma aldeia indiana, por uma estradinha de terra, quando em uma rua sem saída depara-se com uma manada de búfalos:

– Pronto, disse ele. O maranhense aqui, saiu de São Luís e vem morrer atropelado por búfalos !

Claro que o Deus Brahma o protegeu e os animais passaram em silêncio, nada acontecendo ao nosso amigo.

Mas, a explicação para o “atualíssimo” do título é que, eu era jovem, estava começando minha militância e uma vez me disse profeticamente: “Presta atenção nos intelectuais de esquerda que tão logo possam seguem para a direita”.

Tem razão Louzeiro, a partir do primeiro governo Lula como tenho visto e lido, históricos intelectuais da esquerda brasileira defendendo posturas neoliberais, capitalistas, conservadoras, reacionárias.

Valei-me, Brahma !

4 thoughts on “O atualíssimo José Louzeiro, eu e os intelectuais de esquerda

    • Muitos anos de vida para você e Louzeiro, com quem trabalhei e é um grande amigo, tem sofrido muito nos últimos anos e a gente tem de torcer por ele.

      Saúde e paz.

      CN

  1. E você vai ficar grudado na cegueira ideológica daquilo que chamam de esquerda? Vai justificar roUbalheira e malandragens várias, para posar de progressista?

  2. prezado Esmeraldo, se vc reler meus comentários anteriores verá que sou um crítico do que chamo Esquerda Eleitoral que só pensa em eleger-se e em ter cargos e pouco faz pelo povo, tanto assim que vez por outra nos outros blogs já me chamaram de fascista, analfabeto político e, em geral, bloqueiam as minhas pequenas linhas que sempre escrevo.

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