O autêntico ‘Partidão’, logicamente sem Prestes e sem representatividade, voltou à televisão. Sette Câmara, embaixador com 40 anos, recordista de ‘caronas’. No Oriente Médio, Obama lembra o Millôr.

Helio Fernandes

Assim que acabou um programa chatíssimo, entrou o horário “gratuito” de televisão. Enquanto analisava e escrevia sobre um assunto, fiquei vendo o programa, por causa de um fato e de uma surpresa: os 10 minutos eram destinados ao velho e lutador PCB, Partido Comunista Brasileiro.

Há muito tempo não ouvia falar no PCB, talvez desde que surgiu o PCdoB carreirista, que como uma das primeiras providências (desleais, burras e incompetentes), expulsou Luiz Carlos Prestes. O PCB tem História, o PCdoB só quer cargos suntuosos.

O PCB foi fundado em 1932, com um simples Manifesto, redigido pelo próprio Prestes. Como achou que não haveria oportunidade eleitoral próxima, viajou para a União Soviética, onde viveria por muito anos, várias vezes. (Só voltou em 1935 para fazer a Revolução, chamada de “Intentona”, um tratado de desorganização, falta de recursos, não chegou nem perto da vitória. Prestes seria logo preso em 1936, durante anos cruelmente torturado. Mas isso é outra história).

Em 1945 (2 de dezembro), houve a primeira eleição geral, incluindo a de presidente. A de 1934 não conta, foi decepção e frustração. No final de 1945, Prestes se elegeu senador e deputado pelo Distrito Federal e 14 estados. Agora, 68 anos passados, o PCdoB tem apenas 13 deputados e um senador que não vai demorar muito.

Em 1945, o PCB, Partidão, lançou candidato a presidente da República o engenheiro Ieddo Fiúza. Surpreendeu com excelente votação. Mas não foi por ele nem pelo partidão. Esses votos tiveram uma origem: a campanha diária e violenta feita contra ele pelo jornalista Carlos Lacerda. No Diário Carioca (só quatro anos depois Lacerda fundaria seu jornal), com o título geral de “Rato Fiúza”. Era retumbante, mas com efeito contrário. Promoveu o candidato, deu a repercussão que ele não tinha.

Para terminar, nesse programa de agora do PCB, só falou o presidente ou que assim se intitulava. Nunca vi o personagem (?), não sei o seu nome, nem sabia que o partido ainda existia, mesmo sem representatividade.

SERGIO CABRAL DESESPERADO,
APOIOU EDUARDO CUNHA, LÍDER

Brigados há muito tempo, o governador promoveu a reconciliação, depois de tudo o que disse dele. No caso, até justificável. Cunha está na linha de Renan, Henrique Eduardo Alves e do próprio Cabral.

Sem o apoio de Cabral, Cunha não teria sido eleito, ele tem arrogância, mas nenhuma liderança. Só para não esquecer; o PSC, do racista e corrupto Feliciano, foi criado por Eduardo Cunha.

O IPHAN DO RIO CONTRA O IPHAN DE
BRASÍLIA, QUE FAVORECEU EIKE

Está longe de terminar a “prostituição” geográfica do Aterro para atender interesses financeiros do bilionário. O IPHAN da capital aprovou o projeto de Eike, sem consultar o IPHAN do Rio, que estuda o projeto que desfigura o Aterro, não sabem o que fazer, só não querem ficar a favor. Se Dona Lota Macedo Soares e Burle Marx fossem vivos, nada disso aconteceria.

EMBAIXADOR SETTE CÂMARA:
“CARONAS” NO NITAMARATY

Em sua coluna, Elio Gaspari falou em promoções indevidas (feitas por Dona Dilma) e de passagem citou Sette Câmara. Em atenção aos fatos, vou mostrar os recordes batidos por Sette Câmara, com Juscelino.

Depois dos dois golpes de 11 de novembro de 1955 (um para empossá-lo, ele ganhara, outro para impedi-lo), JK resolveu viajar como presidente eleito e ainda não empossado. Apenas quatro pessoas, uma delas este repórter. Vou sintetizar.

Quando passamos por Firenze (Florença), Sette Câmara, que servia lá como Primeiro Secretário, se incorporou ao grupo. Empossado, JK nomeou o diplomata para a Casa Civil. Em 1958, foi promovido a Ministro de Segunda.

Em 21 de abril de 1960, a capital era transferida para Brasília, JK criava o Estado da Guanabara. Sette Câmara no mesmo dia foi nomeado governador provisório da Guanabara e promovido a Ministro de Primeira (Embaixador quando vai a posto no exterior).

Detalhe, mero detalhe: nesse dia 21 de abril de 1960, Sette Câmara completava 40 anos. Recordes na “carreira” e no aniversário. Acreditava-se numa trajetória diplomática assombrosa. Desapareceu. Se fosse vivo, estaria fazendo 93 anos, 6 meses e 23 dias mais do que eu.

BARACK OBAMA
LEMBRANDO O MILLÔR

A viagem do presidente do Oriente Médio foi altamente positiva. Podem descobrir aspectos negativos, nada surpreendente. Mas o principal foi a exaltação à liberdade. Principalmente criticando os mandatários de Israel no seu próprio território. Em matéria de defesa da liberdade, nota 10.

Guardadas as “devidas proporções”, Millôr disse a mesma coisa há 50 anos, com palavras que o povão entende e compreende; “O supremo direito à liberdade é a oportunidade de torcer pelo Vasco na arquibancada do Flamengo. Ou vice-versa”. Isso naquele tempo, mudou muito.

ELEIÇÕES NA ABI
ERAM CONCILIADORAS

Há quase 50 anos, as eleições na ABI (o órgão mais importante do jornalismo) são conciliadoras e não hostis. Barbosa Lima foi excelente do ponto de vista político e jornalístico. Quando ele foi embora, ninguém quis assumir, incluindo este repórter.

Mauricio Azêdo aceitou o sacrifício. Com as novas tecnologias, o número de sócios diminuiu, e os que vão às redações, também. Só que agora surgiram alguns que querem tirar Mauricio Azêdo, nenhuma acusação, apenas ambição. Não vou nem votar. Fui 18 anos membro do Conselho, mas com Barbosa Lima.

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