O Boi-Bumbá do Senado

Sebastião Nery

no Maranhão, para nascer, maternidade Marly Sarney. Para morar, vilas Sarney, Kiola Sarney ou Roseana Sarney. Para estudar, escolas José Sarney, Marly Sarney, Roseana Sarney, Fernando Sarney, Sarney Neto. Para pesquisar, pegue um táxi no Posto de Saúde Marly Sarney e vá até a Biblioteca José Sarney, que fica na maior Universidade particular do Maranhão, que o povo jura que pertence também a José Sarney.

Para saber noticias, leia “O Estado do Maranhão”, ligue a TV Mirante ou as rádios Mirante AM e Mirante FM, todas de José Sarney.

Se estiver no interior, ligue uma das 13 repetidoras da TV Mirante ou uma das 35 emissoras de radio, também todas do mesmo José Sarney.

Para saber das contas publicas vá ao Tribunal de Contas Roseana Sarney (recém-batizado com esse nome, apesar da proibição legal, o que no Maranhão não tem valor nenhum).

Para entrar ou sair da cidade, atravesse a ponte José Sarney, pegue a avenida José Sarney ou vá à rodoviária Kiola Sarney. Lá, se quiser, pegue um ônibus caindo aos pedaços, ande algumas horas pelas “maravilhosas” rodovias maranhenses e chegue ao município José Sarney.

Não gostou de nada disso? Quer reclamar? Vá ao Fórum José Sarney, procure a sala de imprensa Marly Sarney ou a sala da Defensoria Publica Kiola Sarney.
Desde Calígula, quem sabe Nero, nunca se viu gente tão abusada.

E Sarney acha pouco. Agora, quer ser o Boi-Bumbá do Senado.

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SERRA
Em 2009, o então governador José Serra deveria ser processado pelo Banco Central. Chamou o BC de “irresponsável”,“incompetente”e “desastrado”
Algum tempo atrás, chamei o Banco Central de “sindicato dos bancos” e o então presidente, um tal de Gustavo Toyota, quer dizer, Gustavo Loyola, me processou e só me livrei dele pela generosa e gratuita competência de meu colega da Faculdade de Direito de Minas, o advogado e ministro José Gerardo Grossi.

Depois de criticar o BC, José Serra escreveu no “Globo”:

1. – “Palavras não bastam. Ações são imprescindíveis. (…) levar o Banco Central, órgão do governo, a atuar com mais responsabilidade, agilidade e competência, nas áreas monetária e cambial. (…) O emprego já estava desabando quando a reunião de dezembro do Copom, o Comitê de Politica Monetária do Banco Central, concluiu que os juros deveriam cair. Seus integrantes, contudo, decidiram não fazer nada. Só em janeiro, depois do desastre, o Copom baixou em um ponto percentual a Selic. Melhor do que nada, mas muito pouco, muito tarde”.

2. – “O Banco Central não tem sabido como diminuir a volatilidade do cambio. (…) Tem grande parcela de responsabilidade nos problemas das empresas exportadoras, diante da súbita contração do crédito externo e da desvalorização do real. (…) Os juros do Banco Central poderiam ter sido reduzidos desde o inicio da crise, rápida e significativamente. Mas o Banco Central só vai tratar de juros daqui a 45 dias, como se vivêssemos uma época de normalidade”.

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CONFUCIO

A China já avisou que seu crescimento de 10% vai cair. Mas, como me lembra o mensageiro do otimismo, Paiva Neto, presidente da LBV (Legião da Boa Vontade), os chineses devem estar pensando em Confucio:

– “Se determinarmos com antecedência a nossa norma de conduta na vida, em nenhum momento seremos assaltados pela aflição. Se sabemos, previamente, quais são os nossos deveres, será fácil dar-lhes desempenho”

De 2009 para cá, não mudou nada.

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CIRO E SARNEY

“No Congresso não se tem hegemonia moral e intelectual. O que preside a hegemonia hoje é a fisiologia, a repartição de privilégios, é uma pequena panelinha que escolhe entre si.” (Ciro Gomes, “O Globo”, ainda em 2009).

De lá para cá, não mudou nada.

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