O bom exemplo do ministro para a reflexão dos maus motoristas

Milton Corrêa da Costa

É evidente e cristalino e os números da tragédia nos mostram – uma média de 100 mortos /dia – que há uma cultura enraizada de desrespeito às normas de trânsito no Brasil. O perfil de boa parte de nossos motoristas é de imprudência, aversão às regras de circulação, acentuado grau de estresse e deseducação. Não há disciplina consciente no trânsito brasileiro. É problema cultural e de carência de maior fiscalização e rigoroso ato punitivo. Precisamos frear o ímpeto dos assassinos em potencial do volante antes que sejamos a próxima vítima. Não basta educar. É preciso também vigiar e punir com rigor.

O resultado de um teste, junto a um sinal de trânsito no Rio, comprova inequivocamente a cultura da deseducação e “da esperteza” ao volante. Desenvolvido num dia útil, no período da tarde, em local de grande fluxo de veículos e de pedestres, não monitorado por agentes ou fiscalização eletrônica de trânsito, no bairro de Botafogo (Zona Sul), na confluência das Ruas Visconde de Ouro Preto com Muniz Barreto, durante um período de 30 minutos, observou-se que chegou a 52 o número de avanços ao sinal vermelho. Ou seja, inúmeros condutores de veículos, como os que trafegam ‘espertamente’ pelos acostamentos de rodovias, durante os feriadões, descumpriram regra básica de trânsito. É a cultura de que quanto mais cedo chegar ao destino, melhor, mesmo que se corra o risco de graves acidentes.

O trânsito acaba sendo a principal causa de morte de jovens no país, numa faixa etária de 15 a 24 anos. Mais de 70% são do sexo masculino. Segundo a ONU, o Brasil é o quinto país em acidentes de trânsito no mundo. O trânsito brasileiro mata 2,5 vezes mais que nos Estados Unidos e 3,7 vezes mais que na Europa. Em média, uma pessoa a cada 15 minutos perde a vida em rodovias e vias urbanas, o que produziu, no ano de 2010, mais de 40 mil óbitos -a capacidade plena de espectadores do Estádio do Engenhão, no Rio – sem falar nos que adquirem graves sequelas , alguns tornando-se mortos em vida.

Assim é que no país dos escândalos e denúncias de maus exemplos de ministros de Estado, um deles, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, aproveitando seu período de férias, tendo atingido mais de 30 pontos em seu prontuário pelo acúmulo de infrações de trânsito, com a carteira de habilitação suspensa há dois anos, está frequentando, na capital federal, na Escola de Educação de Trânsito, o Curso (obrigatório) de Reciclagem para Condutores Infratores, num carga horária de 30 horas/aula.

Quantos motoristas brasileiros, em verdade, estariam precisando de uma reciclagem dessas para fazê-los parar e refletir sobre a conduta deseducada e imprudente no trânsito? Seguramente milhões deles, num país onde muitos continuam bebendo e dirigindo, matando, morrendo e mutilando. Há homicidas em potencial conduzindo alucinadamente máquinas mortíferas no trânsito brasileiro, enlutando famílias, causando tragédias, tristeza, dor e sofrimento.

O programa Fantástico (TV GLOBO), do último domingo, mostrou um grave acidente em São Paulo onde os dois motoristas deram causa a uma tragédia durante uma madrugada. Um (resultou na morte da própria esposa grávida) ao avançar imprudentemente um sinal vermelho e o outro ( já era a segunda vez) que conduzia alcoolizado e em alta velocidade ao ultrapassar o cruzamento. Agora não adianta lamentar. É preciso pensar antes que as tragédias ocorram. Vidas perdidas não ressuscitam.

Ficam aqui, portanto, referências elogiosas ao ministro Paulo Bernardo pela demonstração de respeito à cidadania, num país carente de bons exemplos nos diferentes escalões superiores. A verdadeira riqueza, importância e soberania de um país democrático têm início nos bons exemplos que devem vir de cima.

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