O Brasil concentra 1% de todos os milionários do mundo e uma enorme diferença de renda entre ricos e pobres, homens e mulheres

Paulo Peres

O Brasil concentra 1% de todos os milionários do mundo, de acordo com levantamento efetuado pelo Credit Suisse. Apesar de estar bem atrás dos Estados Unidos, onde vivem 34% de todos os milionários do globo, o Brasil é o país sul-americano com maior número de milionários.

O levantamento revela que, “no mundo todo, 29,7 milhões de pessoas possuem mais de US$ 1 milhão atualmente. Depois dos EUA, o Japão é o país que mais possui milionários — 11% do total é daquele país —, seguido pela França (9%), Alemanha (6%) e Reino Unido (6%)”.

O Credit Suisse constatou ainda que, entre 2010 e 2011, a concentração de toda a riqueza global nas mãos dos milionários e bilionários aumentou de 36,5% para 38,5%. Isso que dizer que, atualmente, dos US$ 231 trilhões de riqueza global, US$ 89 trilhões estão nas mãos de pessoas que possuem US$ 1 milhão ou mais.

O estudo também mostrou que cerca de 398 milhões de adultos possuem riqueza acima de US$ 100 mil em todo o globo. Deste total, 2% são brasileiros, segundo o Credit Suisse — novamente o percentual mais elevado entre todos os países sul-americanos. Nesta faixa de riqueza, os Estados Unidos também lideram: 21% de todas as pessoas que têm mais de US$ 100 mil moram nos EUA. Em seguida aparece o Japão, com 16%, a Itália (8%) e a Alemanha (7%).

América do Norte, Europa e Ásia concentram 89% das pessoas que possuem mais do que US$ 100 mil. Só na Europa, estão 39% deles, de acordo com a pesquisa.

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DIFERENÇA DE RENDA

No Brasil, os 10% mais ricos ganham 50 vezes mais que os 10% mais pobres. Este continua sendo um dos piores índices de desigualdade do mundo, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

As diferenças na renda e na qualidade de vida permaneceram altas, mesmo o Brasil sendo o único entre os Brics — grupo que também inclui Rússia, Índia e China — a reduzir a distância entre ricos e pobres em 15 anos.

Enquanto o índice Gini, que mede a desigualdade de um país, caiu de 0,61 para 0,55 no Brasil entre 1993 e 2008, em todos os outros Brics esse índice passou para um valor mais alto. Entretanto, o Gini do Brasil ainda é maior que o de todos os Bric. É também o dobro da média dos países ricos. Quanto menor o índice Gini, melhor a posição.

Um dos destaques do relatório é o crescimento da desigualdade nos países ricos, chegando ao nível mais alto dos últimos 30 anos. Entre os ricos, a maior diferença na renda é nos Estados Unidos (14 vezes). Na Itália, Japão, Coreia do Sul e Grã-Bretanha a distância é de dez vezes.

A explicação para o crescimento da desigualdade nos países ricos estaria no corte de benefícios sociais. Os menos desiguais são a Alemanha, Dinamarca e Suécia, onde a diferença é de seis vezes.

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DIFERENÇA SALARIAL ENTRE HOMENS E MULHERES

A diferença entre o salário de homens e mulheres vem aumentando nos últimos oito anos, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. Em setembro de 2003 as mulheres recebiam, em média, 91,8% do salário de um homem. Em setembro de 2011, o salário de uma mulher era correspondente a 85,3% do que ganhava um homem.

Houve também um aumento na diferença em relação ao salário médio de admissão, segundo o Caged. Em 2003, os homens ganhavam cerca de R$ 700 ao ingressar num emprego novo. Já as mulheres recebiam, em média, R$ 645. Em setembro deste ano, os salários iniciais de homens e mulheres tinham atingido, em média, R$ 992 e R$ 846, respectivamente. Enquanto os homens tiveram seu salário inicial médio aumentado em 41,7%, as mulheres ganharam 31,2% a mais nesses oito anos.

A professora Maria Alice Pereira, especialista em gestão de pessoal, acredita na existência de preconceito com relação às mulheres no mercado de trabalho. No entanto, a estudiosa não classifica o comportamento como machista. “Não é uma cultura machista, mas masculina. Essa cultura faz com que algumas organizações deem maior prioridade ao homem do que pra mulher. Historicamente, a mulher é preparada para os afazeres domésticos e o homem é o provedor. Isso ainda prevalece, embora pesquisas demonstrem que elas estão reduzindo o número de horas semanais em tarefas domésticas e os homens, aumentando”, afirmou.

Pela existência do preconceito, Maria Alice acredita que, embora as mulheres estejam investindo em conhecimento, qualificação e estudando mais do que os homens, eles são promovidos mais rapidamente. Na opinião da professora, o homem é promovido mais cedo, mesmo que tenha menos qualificação profissional que uma mulher em igual posto e na disputa pelo mesmo cargo.

Para a professora, isso explica o fato de que quanto maior o nível de escolaridade, maior é a distância entre os salários de homens e mulheres. Quando ambos têm o ensino superior completo, o salário médio inicial de um homem é de R$ 3.261,13, enquanto a mulher ganha R$ 1.956,74, valor 40% menor.

“O fato de estudar mais não tem levado as mulheres a cargos de maior remuneração. Os homens vão ocupar mais facilmente cargos de direção, mesmo com menor qualificação. Em geral, os homens ocupam cargos altos, portanto têm uma remuneração maior. Sempre haverá uma diferença salarial. Essa diferença é uma cultura masculinizada onde só o homem, em princípio, teria condições de ocupar cargos de maior valia, embora as mulheres estudem mais”, destacou.

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