“O Brasil está no vértice de se tornar um ‘narcoestado’”, afirma Luiz Philippe de Orléans e Bragança

Ex-vice-líder do governo diz que o “narcotráfico já financia políticos”

Sarah Teófilo
Correio Braziliense

Debatendo sobre segurança pública no Brasil, o deputado federal Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PSL-SP), ex-vice-líder do governo na Câmara dos Deputados, disse que há políticos no Brasil financiados por narcotraficantes. “O Brasil está no vértice de se tornar um ‘narcoestado’. Temos políticos financiados por narcotraficantes, e esse número é sempre alto”, disse.

As informações foram levadas pelo parlamentar no seminário virtual Correio Talks nesta quinta-feira, dia 10, promovido pelo Correio Braziliense, em uma discussão sobre modernização da segurança pública no Brasil. O deputado disse que a situação no Brasil é crítica e “não evoluiu desde 2014, desde o impeachment da [ex-presidente] Dilma Rousseff”.

REGRESSÃO – “Estamos pior em questões de Justiça, de leis, de segurança pessoal e até mesmo de dar mais poder às polícias. Ou seja, estamos regredindo, e eu não vejo que o atual governo tenha força política, em função de uma série de dinâmicas aqui que não vale a discussão nesse painel. Mas vemos que os bandidos estão ganhando também o jogo político”, disse.

Conforme o parlamentar do PSL, o “narcotráfico já financia políticos”. “Há juízes coniventes, há leis sendo passadas que são coniventes com o crimes e coniventes também facilitando a vida do criminoso e travando a vida do policial. Há empresários do Brasil e fora também que têm interesse no narcotráfico; têm interesse em ver o Brasil desandar, como a situação da Venezuela, da Líbia, da Síria, em que não há estado”, afirmou.

Esses locais, segundo ele, são controlados por facções envolvidas em algum tipo de contrabando para conseguir financiamento – seja de armas ou de drogas. Bragança citou o exemplo do México, pontuando que o país, apesar de uma sociedade milenar, com economia pujante, é considerado um “narcoestado”. “Isso é possível sim. O controle total do sistema político por facções, narco traficantes”, disse.

AGENDA POLÍTICA – Bragança afirma que a situação gera nele uma indignação similar à que o levou a entrar para a política. “Temos aí tramitando uma comissão para liberalizar droga, a produção, distribuição, comércio de droga. Isso é um descalabro e uma inconsciência histórica inacreditável. Por que houve agenda política para instalar essa comissão e não houve agenda política para instalar uma comissão para avaliar uma PEC de segurança pública?”, questionou.

O parlamentar afirmou que “o sistema tá agindo contra a sociedade brasileira ainda e talvez muito mais do que esteve”. De acordo com ele, é importante ter uma reforma interna das polícias, “tanto do ciclo completo quanto da carreira única”. “Eu acho que já está um debate bem maduro, e nada melhor do que os policiais para trazer isso à tona”, frisou.

PROTAGONISMO – Para Bragança, uma reforma do tipo precisa ser chancelada pelos policiais. “Acho que cabe sim aos policiais tomarem a liderança desse processo”, afirmou, dizendo achar “uma vergonha para a classe policial se movimentar por questões classistas enquanto a sociedade ainda paga um preço absurdo em relação à falta de segurança e impunidade”.

O parlamentar frisou a importância do combate ao tráfico de droga, tanto no momento da distribuição, quanto no consumo e produção. “Temos que ter muito foco nisso, e liberdade ampla para isso, para fazer essas ações”, disse.

PROPRIEDADE PRIVADA E ARMAS – Bragança disse que é preciso entender a dinâmica de onde vem o problema da segurança pública; questões de favela, citando o Rio de Janeiro. Em sua fala, ele trouxe como solução a distribuição de propriedade privada e o armamento da população.

“O Rio está se tornando um não estado; uma mini Venezuela; uma mini Líbia dentro do Brasil, onde as facções já tomaram conta e o estado é totalmente ineficaz. Mas o que seria a grande revolução aqui, para que não haja necessidade de fazer uma intervenção policial, militar, nesse território? Seria ter distribuição de propriedade privada, dessas áreas urbanas tradicionalmente ocupadas. Com as pessoas com sensação maior de propriedade do seu território, elas naturalmente combaterão e vão querer proteger e melhorar aquela região. E para isso precisam ter liberdade para poder adquirir armas”, disse.

Conforme o parlamentar, essas duas vertentes teriam um impacto na segurança pública e poderiam “até causar uma revolução dessas áreas que o estado não consegue entrar”. “E nem quer entrar, porque coloca em risco também os policiais”, afirmou.

17 thoughts on ““O Brasil está no vértice de se tornar um ‘narcoestado’”, afirma Luiz Philippe de Orléans e Bragança

      • Seria muito bom para a credibilidade do senhor luiz philippe se ele viesse a público e jurasse lealdade a República e depois se curvasse à Bandeira da República Federativa do Brasil, antes de ficar dando pitaco sobre questões de interesse da nacionalidade brasileira.

  1. Descobriu a América…., como se dizia antigamente…
    Príncipe, acorda para a vida.
    Saia da bolha e visite o Brasil, principalmente os Estados do Tucanistão e Brizolão……

  2. Há cerca de duas décadas (desculpe-me o EU) já pensava no uso de crentes politicamente. Hoje se tornou evidente a grande influência desse setor nas decisões políticas. Em breve teremos o que o Luiz de Bragança afirmou: o narcotráfico ditando as regras no Brasil como faz na Venezuela.
    Wake up, Brazil!

  3. Agora mesmo cheguei de correr, em uma pista de pouso, medindo 1.800 metros. Um retiro ideal para pessoas mal-intencionadas: longe de residências, uma das extremidades limitada por um lago, muitas barreiras laterais e vegetação ciliar densa.
    Das 16:00 às 18:00 horas, moleques e molecas ficam ali se drogando; outros disputam rachas (pegas), enquanto alguns se exibem em motos sobre uma roda.
    É ele sim, o usuário, o mais culpado de todos os culpado: ele quem capitaliza os traficantes e lhes dá poder para comprarem policiais, armas, carrões, advogados, magistrados etc. No mínimo, o toxicômano deveria ser enquadrado em Associação para o Tráfico, ou tomar bala na cabeça mesmo! Não tem essa de garoto problema, recalque, trauma reprimido; trata-se de Desvio Intencional de Conduta e nada mais. Depois que caiu a máscara: a polícia pró-elite não conseguiu mais sustentar (enganar), que somente filho de pobre era viciado. Daí então, xilado deixou de levar cacete, e agora passou a ser visto como um tadinho que precisa do cuidado de todos, menos do cassetete. Imaginem só: se não houvesse “bofe”, como os gays completar suas perversões?
    Enfim, até mesmo nos países mulçumanos com suas leis draconianas, essa batalha a humanidade já perdeu.

  4. A lamentar que a parcela que ainda pensa não leia ou não tome conhecimento de um depoimento destes. Corajoso e revelador.
    A droga está mandando em tudo e, como ele diz, boa parte patrocinando legisladores e governantes.
    Lamento ter de ouvir de um compositor a verdade sobre minha pátria:
    “E assim nos tornamos brasileiros
    Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
    Transformam um país inteiro num puteiro
    Pois assim se ganha mais dinheiro”

    Parcela da sociedade justifica tudo, até mesmo a necessidade da droga.
    Depois de ouvir as “sábias afirmações e depoimentos da deputada federal Carla Zambelli” e as afirmações do deputado, a sociedade tem de tomar posição.
    Fallavena

  5. Jaco,

    Convenhamos, o que me dizes dos parasitas parlamentares??!!

    Vereadores, deputados estaduais, federais, senadores ??
    Somemos a esses vermes os seus assessores, em média 20 por parlamentar, e tu criticas logo o “príncipe”?

    Cada deputado federal e senador recebem 200 mil mensais no mínimo;
    estadias em torno de 160 mil;
    vereadores, 40/50 mil por mês.

    Calculando que o legislativo tenha 60 mil parlamentares e 20 assessores em média cada um dos “eleitos”, sem eu computar funcionários, custo dos prédios, manutenção, luz, água, veículos, deixando esse pessoal de foram, e que atinge milhares de servidores em nível nacional, o povo gasta por mês mais de 30 bilhões reais!

    Somando os custos das câmaras municipais, assembleias estaduais a câmara federal e o senado, dizer que o príncipe é parasita na confrontação com 60 bilhões ou mais que é custo deste poder corrupto, inútil, incompetente e vagabundo que temos, prefiro MIL PRÍNCIPES!!!

    Bom fim de semana.
    Te cuida!

  6. Bah, mas que ideias para solucionar os problemas. É preciso, sim, expor ideias de melhoria, mas partidas de um parlamentar, deveriam ter uma mínima chance de dar certo.

    Cada coisa que aparece.

  7. Embora a detalhada e dramática exposição do caos fluminense debitado à influência de um tolerado e próspero narcotráfico, feita pelo príncipe seja o retrato fiel de um gravíssimo e ameaçador problema social e institucional, Sua Alteza me desculpe, mas fornecer propriedade e armas para defendê-la, me parece o mais curto caminho para detonar a Síria que se quer evitar.
    Penalizar severamente a corrupção e rever
    o conceito de cumplicidade criminal do usuário de drogas, me parece, s.m.j. um melhor caminho para iniciar uma recuperação.

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