O Brasil não é uma ilha, o Brasil é um mundo à parte

Murillo de Aragão

Na mitologia nórdica, os gigantes podiam se transformar em qualquer coisa. Em objetos inanimados, em animais e até mesmo em pessoas aparentemente bondosas, interessadas e honestas, como muitos em nossa terra.
Poucos, de verdade, merecem o título por seu lado bom. Tancredo Neves era menos do que se dizia e muito melhor que os outros. Principalmente na política da costura. Era o homem certo para o momento certo. Morreu virando o mito que poderia ter sido destruído pela dura arte de governar sem saber.

O mesmo se pode dizer de Ulysses Guimarães. Homem certo na hora certa. Perfil quixotesco para liderar uma oposição. Incensado aos píncaros da genialidade, nunca o foi de verdade. Equilibrou-se em uma Constituinte “happening” e forçou uma candidatura que não trazia nenhuma vantagem. Nem para ele nem para o partido.

Leonel Brizola era um pilhado e obcecado pelo poder que nunca conseguiu. Foi uma grande figura e um pioneiro da terceira via. Caso tivesse dado certo, o brizolismo do Rio de Janeiro teria sido o precursor do que foi a era Lula: nem barro nem tijolo; uma no ferro, outra na ferradura.

Sarney, hoje no ocaso da vida pública, foi – acreditem – melhor escritor do que político. O livro “Os Donos do Mar” seria sensacional se não fosse do político Sarney! Como político, especializou-se em política pequena, em controlar os mecanismos de acesso ao poder e em intermediar – para o seu grupo – as benesses da proximidade com quem mandou nesses últimos 70 anos.

Marco Maciel foi um gigante. Teria sido ainda maior se tivessem permitido que suas qualidades se impusessem no jogo político de forma clara. Sendo ético e companheiro, foi um generoso e decente político que, por muitas vezes, impediu o pior para nós todos, por conta do seu espírito cristão. É, sobretudo, um homem de bem.

“DOIS GIGANTES”

Dois gigantes merecem especial nota: FHC e Lula. Por suas imensas qualidades e seus agudos defeitos. Conduziram tempos de transformação histórica no país. Seus feitos são muitos. Principalmente, alimentar a canalha política e, em troca, conseguir avanços para a sociedade.

FHC teve os méritos de implementar o Plano Real e avançar em medidas que possibilitaram a abertura da economia, importante para a modernização do país. Já Lula, que assumiu o Planalto num cenário de elevado desemprego, risco-país alto etc., conseguiu passar a confiança necessária ao mercado, ampliar a credibilidade do país e avançar nas políticas de distribuição de renda, que tem o Bolsa Família como grande marca.

Foram exímios negociadores da transição de parcelas de poder do mundo político clientelístico para a sociedade. Por isso, sem a menor dúvida, o Brasil que fica depois dos dois é muito melhor.

Por outro lado, o Brasil não é ainda melhor porque faltam gigantes, de verdade, na sociedade. Sendo uma sociedade de coelhos assustados, os bastiões de resistência organizada são corporações de interesses que jogam com a lógica do “primeiro os meus e, quando puder, os seus”.

Não é o Brasil que é uma ilha. O mundo é uma ilha, como diz Humberto Gessinger, e o Brasil é um mundo à parte. A milhas e milhas e milhas de qualquer lugar. Habitado por gigantes de estaturas variadas. E por outros que pensam que são gigantes, mas não são. E ainda por uns que podiam ser, mas não foram. E, recentemente, por apenas dois, que pontificam e fazem – na sua mescla impossível – o mundo que é o Brasil. (transcrito do jornal O Tempo)

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

16 thoughts on “O Brasil não é uma ilha, o Brasil é um mundo à parte

  1. Aragão,
    Cabe um argumento no seu artigo.
    o Plano Real é do Governo Itamar Franco.
    O Dr. Fernando Henrique entende tanto de economia como os demais mortais brasileiros.
    De nenhum outro dos citados V.Sa. se lembrou dos feitos dos respectivos ministros.
    Sejamos claros: o Dr. FHC era Ministro da Fazenda do Itamar Franco. Não foi o mentor do Plano Real mesmo porque lhe falta conhecimento nesta área. Logo, o governo responsável pelo Plano Real foi o Governo Itamar Franco.
    Atribuem ao Dr. FHC a genialidade do Plano Real por ele ser de esquerda, coisa que nunca foi!
    Alias, após chegar a presidência recomendou que esquecessem tudo o que havia escrito enquanto sociólogo era!
    É bom ficar registrado ser esta uma vitória do governo Itamar Franco.
    SDS
    Vitor

  2. Esse Murillo de Aragão não pode ser uma pessoa normal. Acerta nas críticas a Tancredo, Ulysses, Brizola e Sarney e erra completamente no que diz sobre FHC e Lula, dois dos maiores embusteiros que esse país já conheceu. Responsáveis diretos pela situação drástica, grotesca, idiota, retrógrada e desacreditada em que nos encontramos. Devia procurar um psiquiatra!

  3. “Sarney, hoje no ocaso da vida pública, foi – acreditem – melhor escritor do que político”.
    Discordo, Sarney é uma grande porcaria nos dois ramos de atividade.
    Mundo à parte é o cacete, o brasil é um país cujo povinho perdeu a vergonha, se é que já a teve algum dia.

  4. Um país cresce sozinho, independente do governo, sua população aumenta, aquece o comércio,
    que aquece a indústria, e todos evoluem. O que um governo pode fazer, é ajudar o desenvolvimento do País, nesses quase 20 anos de governos FHC e Lula, ambos, fizeram o contrário: travaram o Brasil, que poderia ter crescido muito mais. Nesses quase 20 anos, não houve um projeto de nação verdadeiro. Forças armadas, portos, aeroportos, estradas, ferrovias, educação, segurança, saúde, arrocho salarial dos trabalhadores e aposentados e entrega do patrimônio nacional: não evoluíram, alguns itens até retrocederam, como a dívida interna que já passa dos 2 trilhões. O que evolui no Brasil foi a corrupção.
    Brizola Tinha o direito e o dever de ser obcecado pelo poder, era um idealista, tinha uma
    história política de honestidade e coerência política. FHC e Lula, além de ser dois inesperientes, não tiveram coerência política, que é a qualidade mais importante em um político.

  5. “O mundo MAC vai ser aqui… daqui 15 anos Esqueça o que dizem sobre as superpotências atuais. Em 2020, nós, brasileiros, seremos os maiorais. É o que diz um estudo conduzido pelo próprio EUA através da CIA e divulgado hoje. Numa relação de cinco países que ganharão terreno no cenário mundial, o Brasil é o país que encabeça a lista juntamente com a Índia. Entre os decadentes estão os EUA, vítimas da paranóia terrorista, os países do Reino Unido, que tem uma população predominantemente idosa e o Japão”.
    .
    Leram o texto acima?
    Ele foi postado num blog em 2005.
    Na época fiz este comentário (leia abaixo) expondo minha opinião a respeito do que foi escrito no citado post.
    .
    BRASIL POTÊNCIA?!!! SIM, NO DIA DE SÃO NUNCA…
    SEREMOS UM IMPÉRIO, MAS NÃO SERIA DO SAMBA?
    A muito tempo ouço aquela velha história: O Brasil é o país do futuro…
    Hoje já se foram muitos anos e percebo que este dito futuro chegou, mas esqueceu de trazer junto com ele o Brasil.
    .
    “Prezado Nando, boa tarde.
    Gostei da história da carochinha.
    Desde quando era criança lá em Barbacena eu ouço histórias tipo esta do teu post, Brasil país do futuro.
    O que se comenta a todo o momento é que a China será a próxima potência.
    O Brasil? Vamos ver primeiro boi voar ou o Sargento Garcia prender o Zorro.
    Certo amigo me diz a respeito dos EUA: Rapaz, toda grande potência cai.
    .
    Eu lhe respondi: – Concordo, só que não vamos viver para presenciar, pois vai demorar muito.
    E provavelmente, quando esta nova potência vir vai ser à custa de muito sangue derramado.
    Na época do Império Romano; do império de Alexandre; do Império Mongol; do Carlos Magno rei dos Francos, dos Lombardos e depois Imperador do Sacro Império Romano… era a época da lança, foice, enxada, espada, peixeira, machado, catapulta e o cavalo como meio de transporte…
    hoje para derrubar um exército basta apertar um botão.

  6. Enquanto os EUA exercer INFLUÊNCIA MILITAR, ECONÔMICA, POLÍTICA E CULTURAL no planeta sua hegemonia continuará por muuuuuitos e muitos anos.
    – Eles têm o maior complexo militar-industrial do mundo,
    – nem precisa citar que eles têm um monte (alguém sabe quantas?) de Bombas Atômicas,
    – no ranking da produção científica mundial eles estão em 1º lugar,
    – eles tem tecnologia de ponta em todas as áreas da tecnologia moderna (biotecnologia, Indústria aeroespacial, microeletrônica) e lidera o conjunto formado pelas moderníssimas indústrias de ponta (aeronáutica, espacial, infor¬mática, telecomunicações, nuclear, armamentos, robótica, instrumen¬tos de precisão e bioindústria)
    – eles tem o Vale do Silício na Califórnia e que é a maior aglomeração de indústrias de tecnologia de ponta do mundo,
    – eles tem a Nasa,
    – eles foram à Lua,
    – seu parque industrial representa cerca de 25 %, ou seja, um quarto da produção mundial
    – seu produto interno bruto PIB em 2008 era de 14,4 trilhões de dólares (um quarto do valor do PIB mundial),
    – sendo assim não precisa dizer que os Estados Unidos mesmo sofrendo a concorrência do Japão, da China e das potências que formam a União Europeia (UE), ainda é o país mais rico do mundo.
    Continuam sendo a primeira força econômica da Terra, graças à diversificação de seus produtos e ao seu extraordinário avanço técnico,
    – eles tem uma indústria cultural dominante,
    – eles tem o poder da informação e se eles detém as informações eles ganham poder, pois quem tem informação tem poder,
    – eles tem Hollywood,
    – eles tem a Broadway,
    – eles tem 3 ou 4 maiores impérios de mídia do mundo,
    – entre as 4 maiores gravadoras da indústria da música no mundo, 2 são deles
    – eles tem o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) que é um dos líderes mundiais em ciência e tecnologia e de lá saem grandes invenções. Dentre os professores e ex-alunos do MIT estão incluídos vários políticos, executivos, escritores, astronautas, cientistas e inventores preeminentes. Até 2006, sessenta e um membros ou ex membros da comunidade do MIT haviam recebido o Prêmio Nobel,
    – eles tem a Universidade de Harvard, que sempre é eleita a melhor do mundo e que de lá já saíram vários prêmios Nobel e 7 presidentes americanos,
    – dentre as 500 maiores universidades do mundo mais de 150 são deles,
    – a maior biblioteca do mundo é deles, que é a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos,
    – lembrando que a Universidade de Harvard tem a quarta maior coleção de livros do mundo, com mais de 150,5 milhões de títulos.

  7. Também não acredito que num futuro próximo um país Oriental venha ser o país mais poderoso do mundo.
    Brasil 6ª economia, e daí? 6º PIB do planeta e o povo passando necessidade…
    Sarney, FHC, Lula, Dilma, os políticos e até nós povão achamos o máximo quando o Banco Mundial ou o FMI divulga que o Brasil é a 10ª, 8ª ou 6ª economia do mundo. Tudo bem, mas muda o que?
    Tenha certeza de que se o Brasil for 50ª, 40ª ou 30ª maior economia e num belo dia ela crescer e se tornar a 3ª, 2ª ou 1ª maior do planeta nosso sistema de educação, saúde, segurança, saneamento básico, moradia etc. será o mesmo.
    Lembram quando o Médici disse: “A economia vai bem, mas o povo vai mal”.
    Lembram quando nos anos do “milagre econômico brasileiro” o todo poderoso Delfim Neto, ministro da Fazenda em governos militares prometeu “primeiro deixar o bolo crescer para depois repartir”? Sim, o bolo cresceu, mas ficou concentrado nas mãos dos mesmos de sempre.
    Dê uma pesquisada e você vai descobrir que de 1968 a 1973 o PIB brasileiro cresceu a uma taxa média de 10% ao ano.
    Também vai descobrir que mesmo a economia brasileira crescendo a concentração de renda aumentou e os pobres continuaram no mesmo nível de pobreza.

    Certa vez li em algum jornal que o Henry Kissinger nos anos 70 falou que a América não poderia aceitar outra potência econômica no Hemisfério Sul. O Kissinger deveria ter seus momentos de delírios.
    Brasil potência? Sim, mas uma potência de samba, fabricação de trio elétrico, chutar bola, bater tambor, assistir novela e pular carnaval.
    Brasil membro permanente no Conselho de Segurança da ONU?!!!
    É Putin enganando o Lula.
    No exterior já tinham enganado o Presidente Sociólogo e agora o Lula.
    Se existir + uma nova vaga, não acredito nesta possibilidade, o Brasil não vence nem a Índia imaginem uma Alemanha ou um Japão.
    Presidentes brasileiros vão ao exterior e lá o pessoal do G-7 diz: – Vou indicar o Brasil, meu apoio é do Brasil…
    como um Chanceler Alemão vai apoiar o Brasil se ele também almeja o posto?
    Eu acho tão cômico quando a mídia tupiniquim diz que o sociólogo ex: presidente é amigo do Bill Clinton e Tony Blair”.

    Obs.: Fiz este texto em 2005 (agora em 2013 fiz uma pequena modificação), mas tá bem atual!

  8. será muito dificil alguém provar o contrário: Lula – um incompetente – nunca governou o Brasil – foi Henrique Meirelles,e a senhora Dilma perdeu a oportunidade de repetir ou continuar o governo lula. Meirelles – que conhecia a fera – impôs condições que ela não aceitou – mas era o que êle queria e esperava. Estamos tomando conhecimento desta realidade – pois vez por outra – alguém lá de dentro põem a lingua nos dentes. E, ela Dilma, vai arrastando o país pro burraco.

  9. “Brasil potência? Sim, mas uma potência de samba, fabricação de trio elétrico, chutar bola, bater tambor, assistir novela e pular carnaval.”

    É por aí mesmo. Agora, nessa vontade do Brasil ser potência tem a contra-regra: é o rabo tentando balançar o cachorro.

  10. Não,o Brasil não é “um mundo à parte”. Agora mesmo estamos lendo economistas como Carlos Geraldo Langoni e outros, dizendo que a China está desacelerada, comprando menos commodities minerais e metais. Com isto e por causa disto, nossas receitas estão caindo, já que quase 19% das nossas exportações tem como destino o dragão oriental. Este percentual está em queda livre.
    Europa também, está comprando menos de nós. A violenta (íssima) crise na Zona do Euro contamina o resto do mundo. Como seja: estamos sim, sendo forte e diretamente atingidos pelo quadro internacional. Nossas indústrias estão em dificuldades, vemos isto através de depoimentos de importantes executivos das empresas nacionais na tv. Leio nas revistas internacionais que “não mais haverá outro império no mundo, que cada vez mais se interconecta em todos os âmbitos” … principalmente o comercial (e tecnológico). Os parceiros se multiplicam em velocidade avassaladora. Brasil, um mundo à parte? Como?

  11. O BOM MESMO É QUE O CIDADÃO NÃO TIVESSE QUE DEPENDER DOS PROGRAMAS SOCIAIS VIVER DE SEU TRABALHO,MAS COMO AINDA NÃO É POSSÍVEL O JEITO É USA-LÓS.ISSO INDEPENTE DE QUEM OS CRIOU A FOME FALA MAIS ALTO.

  12. Pingback: Anônimo

Deixe um comentário para Nélio Jacob Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *