O Brasil não necessita de empresários na política, o país precisa é de estadistas

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Roberto Nascimento

Quem alcança o poder pelas urnas ou pelas armas, através de eleições ou golpes de estado, almeja sempre se eternizar naquele cargo máximo que obteve. O poder é realmente afrodisíaco e transformador do feio em bonito e do pobre em rico, do democrata no mais cruel ditador sanguinário. Os exemplos são fartos de ditadores ainda vivos aqui bem perto de nós. Recentemente, os políticos que mais encarnaram esses exemplos foram o sociólogo Fernando Henrique Cardoso e o sindicalista Luiz Inácio da Silva.

O primeiro, que encarnava o espírito de esquerda, tanto que era chamado de príncipe dos sociólogos, ao chegar ao poder se transformou em um político conservador e até extrapolou em direção ao neoliberalismo. Uma guinada de 180 graus, sem nenhum pudor ou até mea-culpa.

FHC E A REELEIÇÃO – Outro dia estive frente a frente com FUC, na Academia Brasileira de Letras. Olhei aquele homem ex-todo-poderoso sentado solitariamente com o pensamento longe, e pensei na antiga expectativa de que aquela figura intelectualizada fizesse um governo revolucionário.

Longe disso, FHC governou de maneira conservadora, de costas para o povo e de frente para o sistema de poder. A ação do tempo, esse inimigo devastador e implacável, agiu também sobre o sociólogo, é claro. Seus cabelos brancos, sua pele enrugada, seu corpo arqueado, suas vistas cansadas e fatigadas são empecilhos para voltar a exercer a presidência da República.

Todavia, se realmente ele pudesse voltar, para quê? Para o nada dos oito anos de sua desastrada governança? Porém, o seu maior erro foi sem dúvida aceitar a reeleição, esse instituto que cansa o país obrigando o povo a aturar as mesmas pessoas errando por longos oito anos.

LULA E AS ELITES – No caso de Lula, a mesma coisa. De proletário, o homem se transformou em político voltado para as elites. Abusou dos palavrões e da mentira. Atacava as elites e almoçava com elas regado aos melhores vinhos, cujas garrafas beiravam mais de cinco mil reais. Passou a frequentar os salões endinheirados, as lanchas de luxo, hotéis de cinco estrelas, e viajou tanto pelo mundo afora, e poderia ter assumido o título que ele mesmo Lula dava a FHC, chamando-o de “Viajando Henrique Cardoso”. Lula viajou muito mais, com a desculpa de que pobre também tem direito.

Dá náuseas tanta mentira desses nossos donos do poder. Quando começam a falar na televisão, logo desligo o aparelho, porque sei que vem mentira da grossa, com a cara mais lavada possível. A última foi do economista Henrique Meirelles, o comandante da economia do Temer, que fala com gestuais intensamente estudados, com o dedo em riste e as mãos elevadas no plano da cabeça para cima.

Se isso tudo não for um plano para empalmar o poder em 2018, desisto de escrever, pois cada fala desse ministro remete à próxima eleição.

BARBAS DE MOLHO – Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin que botem as barbas de molho, caso contrário serão atropelados pelo profissional que comandou o Banco de Boston e ajudou Lula na direção do Banco Central. Aliás, ele ajuda qualquer um, desde que esteja no poder.

Ingênua foi a presidente Dilma Rousseff, que prescindiu da colaboração de Meirelles, que Lula até tentou impor. Mas acontece que ela nunca teve bom conhecimento de política e jamais fez questão de aprender. Um governante tem que ser preparado, senão se torna empichado ou afastado, exemplos de Collor, Jango (derrubado) e a própria Dilma.

Não simpatizo com Henrique Meirelles nem com João Dória. O Brasil não precisa de homem de negócios, que só enxergam lucros. O Brasil precisa de estadistas, de homens públicos honestos e com visão social, que sejam justos e façam o país crescer de maneira sustentável, dando condições de emprego e educação para todos, em especial as crianças pobres.

Pensar em homens de negócios para gerir um país é uma receita do fracasso, que pode levar a nação para o desespero da luta de classes e da guerra civil.

19 thoughts on “O Brasil não necessita de empresários na política, o país precisa é de estadistas

  1. Depois de eleger o poste Doria o Alckmin está se achando, afinal está com o segundo e o quarto maiores orçamentos.
    Ontem ele já disse que o PSDB deveria deixar o governo no ano que vem…
    Quem seria o estadista ???

    • Virgílio, o PSDB irá sair de qualquer jeito no ano que vem, pois o tucanato tentará se descolar da alta impopularidade do governo Temer, para trabalhar no seu candidato em 2018. Já estão brigando ferrenhamente, Aécio, Serra e Alckmin. Não há acerto entre os três e a briga irá esfacelar o PSDB. Acho que dos três, o que tem menor chance de vitória é Alckimin. Dória venceu no primeiro turno por causa da ojeriza aos políticos profissionais, nada a ver com Alckimin.

      Um dos três do PSDB disputará a eleição com Meirelles ou Temer do PMDB. Os candidatos com perfis de centro e da esquerda não terão nenhuma chance pelo desgaste causado por 14 anos de PT. O PT está afundando por causa da fadiga do material e por ter se desviado das suas raízes históricas.

      • Roberto Marques, bem lembrado os desacertos de Paes. Fez o que quis sem ouvir o povo que o elegeu duas vezes. Cometeu muitos erros, exagerou na empáfia, na arrogância e nos destemperos verbais de baixo calão, como no caso da entrega da casa própria para uma dama, quando falou o que não devia, além do telefonema para Lula desancando o município de Maricá.

        O povo deu o troco nas urnas despachando seu pupilo para o terceiro lugar fora do segundo turno e com essa derrota, apesar do domínio da máquina pública da Prefeitura, Paes deu adeus ao seu sonho de governar o Estado do Rio de Janeiro a partir de 2018. E pensar que ele sonhava com o cargo de Presidente da República. Ufa! dessa escapamos.

  2. Sr. Roberto, seu artigo, como sempre ê excelente. Mas, como não existe estadista entre os políticos que aí estão, por que não tentarmos achar um no meio empresarial, embora eu também ache difícil isso ocorrer?

    • Gilson meu caro. Muito boa a sua indagação assaz pertinente.

      Realmente está difícil achar um estadista diante do quadro atual. Por outro lado, não há luz no fim do túnel no meio empresarial. Veja bem, os empresários estavam no olho do furacão nesse gigantesco processo de corrupção, tanto da Lava Jato como na corrupção do CARF, que poucos comentam, mas é tão avassalador quanto.

      A sonegação de impostos no Brasil é um terror e a remessa de dinheiro para paraísos fiscais sem controle da Receita Federal beira o absurdo. Não é por meio do candidato empresário que o Brasil vai avançar.

      Gilson, a palavra está com Platão para responder as suas indagações. O filósofo grego, discípulo de Sócrates, em seu ensaio sobre a vida na cidade definiu o modelo do político. Honrado, justo, honesto e que não enriqueça no exercício do PODER. Fora da política não há salvação. Uma hora teremos um estadista para liderar a nação rumo ao seu destino. Basta esperar pacientemente, eleição após eleição errando aqui acertando acolá, até que a experiência democrática nos leve rumo ao nirvana.

  3. O titular da pasta da Fazenda é competente mas o Presidente da República tem de ser um cidadão que pense um pouco diferente dele para haver um equilíbrio, como nos mandatos do Lula.
    Hoje Presidente e ministro da Fazenda com idéias iguais quem vai sofrer é o povo com essa PEC do teto. Haja vista o FMI já elogiando essa medida para um país que tem 380 bi de dólares de reservas, dívida em relação ao PIB muito menor que a maioria dos países(Alemanha, Japão, EUA, Itália, França etc,,,
    O que precisamos é diminuir drasticamente a taxa selic, estamos numa recessão e medidas ortodoxas para esse caso não fazem efeito para desenvolvimento, nem a curto, nem a médio e nem a longo prazos.
    Quando o FMI elogia é para fazer ao contrário.
    20 anos de congelamento dos gastos, a quem interessa?

  4. Caro Observando … sds!

    Desde a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), oficialmente Lei Complementar nº 101, promulgada em 4 de maio de 2000, que Estados e Municípios, onde mora a força do PMDB, estão com seus gastos congelados … ou melhor, diminuídos – pois a carga tributária foi aumentando por meio de Contribuições (que não entram no bolo do rateio tributário) e vão direto para o Tesouro da União!!!

    Você não percebeu que Governadores e Prefeitos vivem se humilhando em Brasília mendigando dinheiro??? Pois bem, a base do PMDB suportou esta humilhação imposta por tucanos e petistas … … … e agora é a vez da União também ter RESPONSABILIDADE FISCAL, coisa que até tucanos agora reconhecem ser necessário.

    Lembrar que, mesmo após 2000, o PMDB continua a ser o maior partido do Brasil … por decisão da CIDADANIA!!! !!! !!!

    Não se preocupe … Estados e Municípios sobreviveram; assim como o PMDB continua de pé!!!

    Quanto ao FMI … estão dando força e só!!! não estão impondo nada!!! !!! !!!

      • Carlos, a vida necessita da dualidade presente em todas as atividades humanas. Não se pode fugir delas, pois são realidades fáticas. O frio e o quente, o bem e o mal, o amor e o ódio e também a esquerda e a direita. Isso nunca vai acabar, felizmente.

        Você já pensou num mundo só de direitistas ou um mundo só de esquerdistas? Sinceramente seria um horror, talvez o fim da espécie humana.

        A direita critica a esquerda e vice-versa e vida que segue.

        O mundo seria melhor se houvesse apenas governos de direita? O mundo está em crise e a culpa é de quem, Carlos? Da Esquerda ou da Direita.

        A tolerância com as ideias contrárias é um sinal claro do avanço das sociedades no rumo das liberdades individuais e do conhecimento, independente das ideologias, as quais são igualmente importantes.

  5. Da cabeça de quem entra ou está na política pode-se esperar tudo ou nada.
    É verdade os candidatos quando assumem o poder costumam mudar de opinião, foi assim com FHC e Lula e voltando no tempo, com Jânio Quadros que era candidato da direita pela UDN, quando assumiu deu uma guinada forte para a esquerda: condecorou Che Guevara, foi a Cuba tocar maracas em plena guerra fria, falava-se que iria colocar em pauta para votação no Congresso a Reforma Agrária e a Lei de Remessa de Lucros, criou uma lei que para cada música estrangeira tocada nas rádios teriam que ser tocadas 3 músicas brasileiras.
    Diga-se de passagem, não votei no Jânio. Votei no Henrique Lott, um general legalista e nacionalista.

    • Votastes muito bem Nélio Jacob, o general Lott foi o artífice da posse de Juscelino, que queriam impedir na marra.
      A meu juízo, Jânio não era de esquerda nem de direita, Jânio Quadros almejava governar ditatorialmente, porém, sua “renúncia” foi um fiasco. Ele se arrependeu da jogada mal feita.
      O sistema não perdoa quem mexe nas suas jóias da coroa, a terra, os lucros bancários e remessas de lucros das grandes empresas multinacionais.

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