O Brasil que o PT tentou esconder é um Titanic prestes a afundar

Rombo nas contas públicas é só a ponta do iceberg Brasil

Débora Bergamasco
IstoÉ

Nos próximos dias, o presidente Michel Temer pretende apresentar um diagnóstico da situação real do Brasil, herdada por ele após o afastamento da presidente Dilma Rousseff. Pretende, com essa iniciativa, tirar o véu do País da fantasia. A radiografia – traduzida numa espécie de inventário – vai do Orçamento da União à execução dos programas sociais e convênios, da condição das representações brasileiras no exterior à publicidade institucional. Os ministros trabalham no levantamento dos dados, mas já é possível afirmar que o cenário é de terra arrasada. A começar pelas contas da União.

O governo estima que o rombo no Orçamento seja algo em torno de R$ 200 bilhões, mais que o dobro do que havia estimado a administração petista (R$ 96,7 bilhões). Na área da Saúde, por exemplo, o Brasil perdeu 23,5 mil leitos de internação hospitalar na rede pública nos últimos cinco anos, segundo dados do Conselho Federal de Medicina (CFM). Entre 2010 e 2015, o número de leitos para uso exclusivo do SUS baixou de 335,5 mil para 312 mil.

“HERANÇA MALDITA”

Por enquanto, Temer tem evitado usar o termo “herança maldita”, expressão muito explorada pelo PT quando o partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ascendeu ao poder em 2003.

O peemedebista tem sido pressionado pelos aliados a lançar mão da mesma estratégia tão logo tenha em mãos o diagnóstico completo. Será uma forma de quebrar o argumento petista de que muito fez pelo social, quando os números reais mostram o oposto, e mostrar que Dilma e seus auxiliares foram irresponsáveis diante do iminente afastamento.

Vem do Ministério das Cidades um exemplo da falta de compromisso do PT com o País. Foi autorizada a construção de 11,2 mil unidades financiadas pelo programa Minha Casa Minha Vida na véspera da votação do impeachment do Senado. A pasta não dispõe de recursos para isso, obrigando o novo ministro, Bruno Araújo (PSDB-PE), ao desgaste do cancelamento da medida.

PROGRAMAS SOCIAIS

O governo provisório também submeteu programas sociais ao pente-fino. O novo ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar Terra, defende a melhoria nos mecanismos de controle do Bolsa Família, uma das principais vitrines do governo do PT. Terra estima que uma revisão de procedimentos pode provocar o desligamento de até 10% dos beneficiários.

Segundo o ministro, a fórmula atual dá margem a fraudes pois o sistema utiliza a “autodeclaração” da renda. Ou seja, o candidato ao auxílio informa sua renda nos centros de assistência social, possibilitando declarações de renda menor do que é de fato. O cadastro conta atualmente com 15 milhões de famílias. O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou a concessão indevida de benefícios do programa a 163,2 mil famílias. O valor pago a esses beneficiários pode ter chegado a R$ 16 milhões em um único mês. O TCU se baseou em dados de junho de 2015.

CARGOS EM COMISSÃO

Outro absurdo ocorre na área das Comunicações. Há um funcionário comissionado para cada dois servidores nos Correios, estatal subordinada à pasta agora comandada por Gilberto Kassab (PSD-SP). Os Correios têm previsão de realizar concurso público para contratar 9 mil funcionários, mas têm exatamente a mesma quantidade em licença-médica, além de 4,5 mil aposentados por invalidez. Existem ainda questões relacionadas à publicidade institucional.

De acordo informações levantadas pela Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência da República, agora comandada pelo jornalista Márcio Freitas em substituição ao petista Edinho Silva, foram empenhados R$ 360 milhões para a publicidade institucional do governo nos cinco primeiros meses de 2016, contra R$ 190 milhões no mesmo período de 2015. É toda a verba de publicidade que estava prevista para este ano.

O novo secretário de Governo, Geddel Vieira Lima, denuncia o aparelhamento da pasta durante a gestão petista. De acordo com o integrante do PMDB da Bahia, o PT usou o órgão para dar cargos a militantes, muitos fantasmas. Tudo está sendo esquadrinhado, segundo ele.

4 thoughts on “O Brasil que o PT tentou esconder é um Titanic prestes a afundar

  1. Importante assinalar, que o PMDB foi o maior parceiro do PT nos 14 anos do Lulopetismo. Com sete ministérios e presidências de estatais e outras sinecuras menos votadas.
    Atacar o Lulopetismo significa dar um tiro no próprio pé. Afinal, o PMDB sempre foi o segundo Partido em todos os governos desde a redemocratização, com um adendo: Foi governo na administração do presidente José Sarney, que no momento não está sendo ouvido para nada, completamente esquecido no Maranhão.
    Enquanto isso, o presidente FHC pontua como a estrela máxima do PSDB. Os tucanos têm o sociólogo Fernando Henrique Cardoso como seu grande líder e guia, enquanto o líder do PT, o operário Lula amarga o maior sofrimento da sua carreira de político.
    Como a vida é surpreendente nos seus mínimos detalhes!

  2. Este é o mesmo pt que usou e abusou do direito de dizer que FHC quebrou o Brasil três vezes! Esta turma é tão preparada que quebrou o Brasil apenas uma vez, e foi o bastante. Esperamos que sua passagem desastrada pelo poder jamais seja esquecida e por isso mesmo, jamais repetida.

  3. Sinceramente, mesmo com o completo desmantelamento do SUS, as fraudes no Bolsa Família, as obras super-faturadas do “Minha Casa, Minha Vida”, mesmo com o aparelhamento desmesurado de funcionários públicos filiados ao PT sem concurso público, mesmo com o déficit (há controvérsias sobre se o déficit da Previdência realmente existe, ou se o caso é, na verdade, de Polícia), mesmo com o assalto bilionário de Lula ao BNDES para ganhar milhões de dólares de comissão da Odebrecht em obras em países corruptos ou bolivarianos, também corruptos, mesmo com a sangria da Petrobras, da Eletrobras, de Furnas (com ajuda de Romero Jucá, Aécio Neves e Edison Lobão) , ainda assim, as comissões de Lula dadas pela Odebrecht eram em milhões de dólares, os contratos fraudados da Odebrecht eram no máximo, cada um, em pouco mais de 1,5 bilhão de dólares, o roubo na Petrobras esteve na casa dos 60 bilhões de dólares, pergunto:

    Onde foi e como conseguiu o governo Dilma passar de um superavit em dezembro de 2014 para um déficit de 200 bilhões de dólares ? Para onde foi tanto dinheiro ? Nem o consórcio Lula-Odebrecht-Andrade Gutierrez-Engevix- Camargo Correa -UTC, nem o fato já ventilado na imprensa que o patrimônio pessoal de Lula gira em torno de oito bilhões de dólares, nem a sangria feita nos Correios fazem sentido a entender como de 2014 a meados de 2015 o Governo Federal fez desaparecer neste curto espaço de tempo com 220 bilhões de dólares.

    Como já disse, o sucateamento do SUS não explica isso, porque a despesa do SUS se fosse repassada (mas não foi) é de aproximadamente dois bilhões de dólares, as universidades públicas precisam, por ano (o que não foi repassado) de cerca de quatro bilhões de dólares. O ensino fundamental e médio, salvo raras exceções, como o Colégio Pedro II, estão sob responsabilidade dos estados e municípios, as obras superfaturadas da Copa do Mundo comandadas pela Odebrecht com o lobby de Lula já estavam fora da contabilidade quando o governo anunciou, no início de 2014 que havia em caixa 20 bilhões de dólares. Para onde foi este dinheiro ? Não tem nem como carregar tanta moeda !!!

    O fato merece uma auditoria com pente fino. Infelizmente, em todos os sentidos, a presidente Dilma está inimputável e incapaz de responder pelos seus atos. Só mesmo Lula pode nos dar esta explicação.

    • Prezado Ednei Freitas, parabéns por estar sempre expondo com maestria os mais variados temas importantes para nós leitores.

      Eu também gostaria de saber para aonde foi parar essa montanha de dinheiro que está compondo o déficit público. Provavelmente Dilma e Lula sabem, bem como os Ministros do PMDB, principalmente os de Minas e Energia um feudo do PMDB desde o governo Sarney. Taí Edson Lobão envolvido em delação premiada no âmbito da lava Jato.

      Portanto, o PMDB é um caudatário, um cúmplice dos governos do PT assim como foi nos oito anos do governo FHC. Não dá para dissociar um Partido do outro Partido no caso o PMDB. Isso está bem claro, digo até insofismável.

      Agora, cristalino está o mal que Lula e sua turma provocaram nas empresas estatais. Ao aparelhá-las e entregarem presidências e diretorias aos Partidos da base aliada, principalmente ao PMDB e ao PP, Lula e Dilma desestabilizaram as empresas, notadamente a Petrobrás, mas, o arrasa quarteirão se sucedeu em todas elas, a Eletrobrás nessa semana entrou no olho do furacão.

      Por isso vou chegando a conclusão de que o PT, para se manter no PODER se aliou as empreiteiras para se apossarem das empresas estatais e destruí-las de maneira criminosa. Os adversários no campo conservador não teriam feito melhor do que o PT de Lula fez contra as empresas estatais. Vocês caros leitores, não imaginam como escrevo essas linhas com tanta tristeza, até com agonia por observar uma luta perdida durante anos, bem antes da entrega das estatais da siderúrgia feita pelo governo Collor, quando critiquei em inúmeros artigos a venda das empresas estatais para empresários que depois as vendiam para o primeiro aventureiro que aparecia e alguns fecharam as empresas porque eram suas concorrentes diretos, caso da Álcalis comprada pelo Gerdau, que logo em seguida fechou a empresa de São Pedro da Aldeia.

      Por essas sintéticas razões reafirmo o que venho escrevendo com certo ar enfadonho de repetição, o que faço neste momento: O Partido dos Trabalhadores nunca foi de esquerda, simplesmente se autoproclamou como sendo para somente vencer as eleições e empalmar o PODER.
      Para quê? Para nada.

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