O cansaço do viajante, na visão de Renato Teixeira

Renato Teixeira, sempre voltado para o sertão e a natureza

O cantor e compositor paulista Renato Teixeira de Oliveira, um dos mais destacados intérpretes da música regionalista, na letra de “Invernada”, retrata suas mágoas e a sua volta para casa durante o inverno. A música foi gravada por Renato Teixeira no CD Maxximum, em 2005.

INVERNADA
Renato Teixeira

Longe daqui a léguas do coração
Desse pobre caboclo cheio de mágoas
Meu pedaço de terra virgem me chama
Volto prá casa é tempo da invernada

Estar em paz com meu quintal
O vento vai ser meu jornal
Agir ali exposto ao céu
Entre a botina e o chapéu

Volto me carregando com minhas pernas
No peito só cansaço do viajante
Na boca seca a sede que andou distante
Da água nova que se bebe nas velhas fontes

Estar em paz com meu quintal
O vento vai ser meu jornal
Agir ali exposto ao céu
Entre a botina e o chapéu

(Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

5 thoughts on “O cansaço do viajante, na visão de Renato Teixeira

  1. 1) Poesia refrescante: “Da água nova que se bebe nas velhas fontes”. Me fez lembrar do pensador Heráclito lá no século VI antes de Cristo, quando o filósofo disse que “não se bebe duas vezes da mesma água”. Impermanência = Budismo puro !

    2) Reverências aos poetas, sempre bem inspirados. Valeu Renato Teixeira que o Deus Vento sempre nos traga boas notícias: “o vento vai ser meu jornal”.

    3) “Estar em paz com o meu quinTAO” …

    4) Licença: em 5 de abril de 1968 falecia em SP o jornalista Assis Chateaubriand, fundador dos Diários Associados, também era escritor, autor entre outros de “A Morte da Polidez (1911)” parece um livro profético, a sociedade espelha hoje a falta de educação.

    5) Fonte: Biblioteca Nacional, Agenda, 1993.

  2. Também regionalistas, os versos abaixo , se bem que sem botina e chapéu, mas com uma lanterna , seguem pelas mesmas “léguas tiranas”…
    //
    A lanterna mágica
    Cassiano Ricardo

    E foi

    tão grande o seu desespero

    na encruzilhada

    e a noite era tão escura

    na floresta e nos campos,

    que o próprio Currupira

    ficou com pena

    e lhe arranjou uma lanterna

    de pirilampos.

    “Pouco importa

    que a noite seja escura,

    porque foi apanhar água

    no ribeirão

    e quebrou seu pote branco

    numa pedra do barranco

    fazendo essa escuridão.

    Vá por aqui, direitinho,

    com esta lanterna

    na mão, alumiando o caminho…

    e você encontrará o que procura!”

    E ele saiu pelo sertão,

    procurando o sol da Terra

    com uma lanterna de pirilampos

    na mão.

    Em: Martim Cererê, Cassiano Ricardo, Rio de Janeiro, José Olympio: 1974, 13ª edição, p. 76.

  3. Estrofes Servi – dores

    Antonio Rocha*

    Autoridades nem aí
    Com os servidores.
    Insensíveis, não ligam
    Para nossas dores.

    Clube Guardanapo
    Ignora serventuários
    Governantes só papo
    Nos chamam otários.

    Só papo, sopapo
    Engolimos sapo
    Políticos dizem:
    Salário não pago.

    Parlamentar vaidoso
    Fica bem na foto
    Acordemos, esse
    Não merece voto.

    Dia há de chegar
    Eleitores mudarão
    Quadro caótico
    Dessa linda Nação !

    Desculpe o leitor
    Verso de pé quebrado
    Tentei rimar melhor
    Real atrasado.

    (*) AR é servi-dor, RJ.

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