O canto do Uirapuru, imortalizado pelo maestro Waldemar Henrique

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Waldemar Henrique, o maestro da Amazônia

Paulo Peres

Site Poemas & Canções

O maestro, escritor e compositor paraense Waldemar Henrique da Costa Pereira (1905-1955), na letra de “Uirapuru”, aborda temas do folclore amazônico e do pássaro que ao cantar todos param para ouvir. A música faz parte do LP 80 Anos de Música Brasileira – Radamés Gnattali/ Waldemar Henrique, lançado em 1991, pela Kuarup.

UIRAPURU
Waldemar Henrique

Certa vez de montaria
Eu descia um “paraná”
O caboclo que remava
Não parava de falar, ah, ah
Que caboclo falador!

Me contou do “lobishomi”
Da mãe-d’água, do tajá
Disse do juratahy
Que se ri proluar, ah, ah
Que caboclo falador!

Que mangava de visagem
Que matou surucurú
E jurou com pavulagem
Que pegou uirapuru, ah, ah
Que caboclo tentadô

Caboclinho, meu amor
Arranja um pra mim
Ando roxo pra pegar
Unzinho assim…

O diabo foi-se embora
Não quis me dar
Vou juntar meu dinheirinho
Pra poder comprar

Mas no dia que eu comprar
O caboclo vai sofrer
Eu vou desassossegar
O seu bem querer, ah, ah
Ora deixa ele pra lá…

6 thoughts on “O canto do Uirapuru, imortalizado pelo maestro Waldemar Henrique

  1. Muito bom para recobrar a memória de quem já esqueceu, e trazer ao conhecer de quem não viveu o Brasil brejeiro. Oje noz qué falá é ingrês, mermo cum a boca chiinha de porduto porduzido pelas mão roceiras, qué pra mode o cristão se alimentá.
    Saudades do pajé, da curupira, da curacanga. … A moçada atual descobriu uma ponte para deixá-la de frente com esses mitos: basta
    ficar “noiada”
    Hoje as assombrações são outras: sobre duas ou quatro rodas,, capuz, celular e portando uma pistola ponto-40.

  2. Não conhecia este Uirapuru de Waldemar Henrique. Então fui pesquisar no Google e encontrei esta análise que achei ótimo compartilhar com os leitores do Paulo Peres:

    http://cantorasueligushi.blogspot.jp/2012/04/o-compositor-de-o-uirapuru-waldemar.html

    “O Uirapuru” de Waldemar Henrique : ver algumas curiosidades especificamente da região do Pará/Amazonas, e que normalmente, não são do conhecimento dos brasileiros de outras regiões, assim como dos estrangeiros.
    Então vamos analisar a letra:

    Certa vez de montaria, eu descia um paraná

    Montaria: canoa pequena feita de toco escavado e ateado fogo
    Paraná : palavra tupi guarani que define um braço de
    rio, largo e extenso, que forma uma ilha, e que encontra o

    mesmo rio mais adiante.

    Me falou do Lobisomem, da mãe -d´àgua e do Tajá

    Personagens do folclore brasileiro. O Lobisomem, o homem que vira lobo em noites de lua cheia, a Mãe d´Àgua , também conhecida como Iara ( veja o post http://cantorasueligushi.blogspot.jp/2012/10/iara-mae-dagua.html ) e o Tambajá ou Tajá, considerado um amuleto na região
    Disse do Jurutaí, que se ri pro luar.

    Jurutai ou Urutau, ave rara brasileira
    Que mangava de visagem, que matou surucucu

    Visagem – assombração, fantasma .
    Mangar – zombar, escarnecer
    Surucucu – maior cobra venenosa da América do Sul
    E jurou com pavulage, que pegou o Uirapuru

    Pavulage: faceirice, convencimento, metidez, frescura, pedante, pretensioso
    Uirapuru : ave que é considerada amuleto de sorte
    Uma letra simples, que pode mostrar muita coisa que ainda não conhecermos!!

  3. Uirapuru – O pássaro sagrado Pássaro sagrado da selva amazônica,quando canta , a floresta silencia …

    Uirapuru, ô Uirapuru (Nilo Amaro e seus cantores de ÉbanoO

    Uirapuru, ô Uirapuru
    Seresteiro, cantador do meu sertão
    Uirapuru, ô Uirapuru
    Fez no canto as mágoas do meu coração

    Se Deus ouvisse o que lhe sai do coração
    Entenderia que é de dor sua canção
    E dos seus olhos tanto pranto rolaria
    Que daria p’ra salvar o meu sertão

    Uirapuru, ô Uirapuru
    Seresteiro, cantador do meu sertão
    Uirapuru, ô Uirapuru
    Fez no canto as mágoas do meu coração

  4. Não se pode falar em Nilo Amaro e seus cantores de Ébano, sem lembrar o incrivel Leva eu:
    https://youtu.be/SXSIyCdtEkU

    Leva Eu Sodade
    Os Cantores de Ébano
    Compositor: Tito Guimarães/neto/alventino Cavalcanti

    Ô Leva Eu
    (Minha sodade)
    Que eu também quero ir
    (Minha sodade)
    Quando chego na ladeira tenho medo de cair
    (Leva eu)
    Leva eu
    (Minha sodade)

    Ô Leva Eu
    (Minha sodade)
    Que eu também quero ir
    (Minha sodade)
    Quando chego na ladeira tenho medo de cair
    (Leva eu)
    Leva eu
    (Minha sodade)

    Menina, tu não te lembras
    (Minha sodade)
    Daquela tarde fagueira
    (Minha sodade)
    Tu te esqueces e eu me lembro
    Ai, que sodade matadeira
    (Leva eu)
    Leva eu
    (Minha sodade)

    Ô Leva Eu
    (Minha sodade)
    Que eu também quero ir
    (Minha sodade)
    Quando chego na ladeira tenho medo de cair
    (Leva eu)
    Leva eu
    (Minha sodade)

    Na noite de São João
    (Minha sodade)
    No terreiro, uma bacia
    (Minha sodade)
    Que é p’ra ver se para o ano
    Meu amor ainda me via
    (Leva eu)
    Leva eu
    (Minha sodade)

    Ô Leva Eu
    (Minha sodade)
    Que eu também quero ir
    (Minha sodade)
    Quando chego na ladeira tenho medo de cair
    (Leva eu)
    Leva eu
    (Minha sodade)

    • Sertanejo Universitário??? Pra quê… aqui está o exemplo do Pós-Graduado, Mestrado, Doutorado (PHD), Pós-Doutorado e Doutor Honoris Causa. em música, os outros que me perdoem, mas falta muito..
      Francisco Cabreira – comentarista

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