O caos e a providência divina

Charge do Simanca, reprodução de A Tarde

Carlos Chagas

Até o dia 30, domingo, a disputa entre os dois Marcelos, Crivella e Freixo, concentrará as atenções não apenas do Rio, mas do país inteiro. A vitória do candidato do PSOL demonstrará que as esquerdas ressurgiram depois do naufrágio do PT. Ganhando o candidato do PRB, a ideologia eleitoral ficará para as calendas.

Os companheiros votarão em Freixo, mas envergonhados. Não só os religiosos estarão com Crivella, ainda que sua falta de ideologia sirva de argumento para uma futura pacificação.

Quem quiser que arrisque palpites, mas as próximas semanas definirão mais do que o governo do Rio. Estarão em jogo duas tendências capazes de definir os rumos nacionais.

Discute-se o destino do PT. Ampla renovação de quadros e de lideranças parece inevitável, ainda que sem o sacrifício do Lula, na hipótese de não ser atropelado pela Lava Jato ou por Sérgio Moro.

QUADRO PARTIDÁRIO – Recomeçar não será fácil para o PT, ainda que todo o quadro partidário se encontre exangue. O PMDB, por exemplo, caminha para as profundezas, onde já se encontra o PT.  Os tucanos confiam sair voando sobre o caos, mas enfrentam a desunião expressa pelo crescimento de Geraldo Alckmim nas eleições paulistanas de domingo passado. José Serra quer bancar o avestruz, enfiando a cabeça na areia em meio à tempestade, e Aécio Neves equilibra-se com a vantagem de presidir o PSDB.

Em suma, as eleições cariocas do segundo turno poderão servir para definições, sendo que Michel Temer, às voltas com pesquisas de opinião cada vez mais desastrosas, tarda em iniciar suas reformas ditas imprescindíveis. Caso venha a sofrer dificuldades no Congresso, estará contribuindo para acirrar velhas divisões ideológicas. Sem confiar no PMDB, resta-lhe apelar para a Providência Divina. Do caos, pode surgir alguma luz.

7 thoughts on “O caos e a providência divina

  1. O Rio de Janeiro não serve de parâmetro em política. Sempre foi do contra e sempre deu tudo errado. Se o PSOL ganhar, não acontecerá nada, ou seja, nada será modificado. A régua que mede o Rio de Janeiro não é a régua que mede o Brasil. Seria o mesmo que dizer que o Cabralzinho ou o Garotinho ou o Eduardinho Paes tivessem alguma influência política no Brasil. Mesmo que o PSOL vença as eleições no Rio, ele continuará sendo o PSOL, ou seja, nada.

  2. A gente fica tão agastada com todos esses meses de desequilíbrios políticos que começa até a ler errado. Quando li que Doria iria conceder o Ibirapuera, em SP, à iniciativa privada, vislumbrei que o parque seria cedido a construções. Loucura perde.

    Deixei o título da matéria de lado e fui ler tudo. Felizmente a iniciativa privada vai cuidar do parque, administrá-lo. Estou certa de que terá êxito. Sem a promessa de lucro nada funciona.

    Mas e o Rio, o meu Rio? O nosso Rio? Os dias passam e logo teremos de escolher entre Crivella e Freixo. Mais sofrimento. Quem aguenta tanto?
    Há mais coisas contra os dois que a favor. Nenhum deles empolga. E precisamos votar. Não quero votar em branco. É uma covardia a que já estive tentada. Uma covardia. Não serei covarde com a minha cidade. Vou votar em um dos dois. Não sem antes me informar bastante, porque a guerra da informação atinge nosso coração diariamente. É um susto atrás do outro. Fez isto, fez aquilo. Vai fazer isto, fazer aquilo. Vão fazer, com ou sem o meu voto. Por isto mesmo vou votar em um dos dois.

    • PS: Para nos distrairmos, há o debate Hillary X Trump no domingo.

      Nos EUA, como no Rio de Janeiro, nenhum dos dois empolga. A não ser os malucos.

      Os dois candidatos ‘representam’ bem, basta lembrar os gritinhos de Hillary. De Trump não quero falar. Nossa, em que aperto estão os EUA… Não adianta o NYT e outros jornais apoiarem Hillary. Se o povo votar ‘errado’, adeus.

  3. As eleições no Rio também mostraram o retumbante fracasso da extrema direita , através do 4.o lugar do Bolsonaro, sendo que no Rio há mais militares do que no resto do país inteiro.

  4. Não sou evangélica, nem muito ligada a nenhuma religião, mas isso não me impede de achar que o Crivella é o melhor candidato. Não da pra eleger um candidato de esquerda que possui soluções ilusórias pra nossa cidade.

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