O carro Lada e os médicos cubanos

Heron Guimarães
No início dos anos 90 fazia sucesso no Brasil um carrinho feio, cheio de defeitos e obsoleto, exatamente como eram os modelos existentes no país. A Lada tinha acabado de chegar e, somente por isso, transformou-se em um surpreendente case de vendas.
A marca, importada da extinta União Soviética, tinha ao seu lado a “vantagem” de ser um produto de fora. Também era novidade para os brasileiros o preço acessível para um 4×4, vendido por US$ 10 mil, que fazia o proprietário se sentir dentro de uma Land Rover, algo impensável para o Brasil que começava a sair do protecionismo da ditadura.

Talvez o grande legado da Lada tenha sido a abertura do mercado de automóveis. Na época, apenas quatro montadoras dominavam o país com suas carroças, síntese feita pelo ex-presidente Fernando Collor. Após o carro russo, o Brasil escancarou as portas, a competitividade chegou, e o país passou a ter carros mais modernos e acessíveis.

Sem querer comparar gente com carro, o governo Dilma Rousseff, ao “importar” médicos cubanos, pode estar repetindo a história. Não quer dizer que os médicos da ilha de Fidel sejam feios, cheios de defeitos e obsoletos. Não são, porém, beldade alguma. Quem entende do assunto já disse que eles estão longe dos grandes especialistas que a modernidade exige e que o sistema comunista apregoa.

Assim com os carros da Lada, os cubanos vão, sim, fazer sucesso. Os brasileiros de regiões mais longínquas se sentirão prestigiados. Sertanejos do Nordeste e do Norte, além dos moradores das vilas de áreas metropolitanas marcadas pela violência extremada e pelo abandono dos profissionais médicos, vão se sentir valorizados, como se estivessem sendo atendidos pelos melhores e mais famosos experts do Albert Eistein. Serão eles uma espécie de Land Rover de Melgaço, a cidade paraense com o pior IDH do Brasil.

BANIDOS DO PAÍS

Voltando ao túnel do tempo, após dois ou três anos no Brasil, os Lada começaram a apresentar os problemas que já eram previsíveis. Os bancos começaram a se soltar, o volante ficou bambo, as peças mais simples não tinham como ser substituídas, e as portas, desalinhadas, não fechavam direito. A novidade se transformou em dor de cabeça para os compradores. A marca acabou sendo banida do país.

Com os médicos cubanos pode acontecer algo parecido, mas de uma maneira mais crítica, justamente porque não são máquinas. Como não podem trazer seus familiares, terão problemas de solidão e depressão, exigindo eles mesmos especialistas para se tratar. Como vão ganhar menos, apesar de já estarem acostumados com as mixarias de Cuba, vão se sentir pessoas de segunda categoria. Como não entenderão algumas demandas médicas do país, correm o risco de ser estigmatizados como profissionais ruins. Também não terão as “peças de reposição” e, provavelmente, pela falta de “oficinas especializadas”, ou seja, pela ausência completa de condições adequadas de trabalho, podem cometer equívocos que marcarão suas vidas e as vidas de quem por eles serão atendidos.

Dilma, ao apostar na importação dos cubanos, já deve ter avaliado todos os riscos. Ao fim de cinco ou seis anos, quem sabe a medicina brasileira terá melhorado na mesma proporção que nossos carros? As montadoras nacionais, lá no início dos anos 90, já sabiam fazer carros melhores, porém, somente com a chegada dos “importados”, é que a coisa melhorou para os consumidores.

Como já dito aqui, gente não é carro, mas a lógica do consumo também pode funcionar, ampliando o acesso da população carente à medicina, mesmo que esta se assemelhe a um Lada. (transcito de O Tempo)

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19 thoughts on “O carro Lada e os médicos cubanos

  1. Como já foi dito aqui, o caso não é a nacionalidade dos médicos que sim, precisamos importar. Mas sim o fato desses pobres médicos cubanos escravos, que têm suas famílias reféns dos castros e seus salários roubados pelos ditadores.
    Isso é incontestavelmente HEDIONDO.

  2. Deploro o artigo de Noblat, que foi jocoso com algo tão sério, que é a saúde pública brasileira.
    Afora o seu racismo odioso e inexplicável neste caso, e que ele mesmo se acusa, “Médicos brancos e de olhos azuis… (Olha o racismo aí, gente!) O que eles querem mesmo é conforto, um consultório para chamar de seu e bastante dinheiro.”, a idéia do ridículo artigo postado deixa claro que tanto faz se a situação do SUS permanecer como está, pois a campanha “Mais Médicos” resolverá nossos problemas!
    A verdade é que trazer médicos de fora escancara e arregaça a incompetência dos governos anteriores e atual nesta área vital à população e ao Brasil, e não culpar os profissionais da saúde, sejam eles loiros e de olhos azuis (repugnante esta alegação), morenos, pardos, negros ou de qualquer outra matiz, por conta desta irresponsabilidade oficial, e não pela falta de médicos no interior brasileiro.
    Ora, pouco importa ao articulista cabotino Noblat que as deficiências continuem, a total falta de infraestrutura do SUS, o dinheiro desviado das arrecadações do trabalhador para esta finalidade. A questão é que a vinda dos médicos cubanos ou de outras nacionalidades ESCONDERÁ nossas mazelas, aliviará o peso da omissão de nossos governos para com a Saúde e, diretamente, culpando os médicos por este mau atendimento!
    Jogada brilhante, de tática e de estratégia ímpares, magistrais, que denotam, no entanto, o quanto somos governados por mandatários de mau caráter, de intenções malévolas, de gente presa à sua ideologia que supera patriotismo e a defesa do cidadão brasileiro.
    Nesse patamar de se encontrar soluções à base de importação de pessoas para nossos problemas, que trouxessem, então, os parlamentares da Escandinávia para nosso Congresso; administradores japoneses para nossos ministérios; engenheiros alemães para corrigirem nossas estradas mal feitas e, de resto, que tratemos de eleger um uruguaio para presidente do Brasil em 2014, a exemplo de José Mujica e sua simplicidade, honestidade e despojamento pessoal!

  3. Parabenizo o articulista Heron Guimarães por sua brilhante comparação.
    Parabéns!! Também vejo complicações com esses profissionais logo adiante, podendo ter consequências bem mais funestas do que um “volante solto”.

    Quanto à coluna do Noblat, aqui citada, que também li hoje de manhã, me decepcionou sobremaneira. Só escreveu bobagens, ilegalidades popularescas.

    Nosso nobre Helio Fernandes logo percebeu a ilegalidade no projeto demagógico petista.

  4. Prezado articulador Francisco Bendl,
    Gostaria de agradecer sua contribuição neste blog/jornal que aprendi a respeitar.
    Suas ponderações são sempre tão sensatas…
    Gosto muito de suas postagens. Sempre as leio atentamente.

  5. O programa “Mais Médicos” é uma mentira, mais uma das mentiras do governo petista. De que adianta médicos sem estruturas de saneamento básico para a população?
    Se o Brasil como rosna Lula, é o maior de todos, o que faz precisar do socorro de programas da OPAS?
    Por quê os médicos de outras nacionalidades trouxeram a família, e os cubanos não?
    Desde de quando a saúde é preocupação do PT?
    Isso tudo, não passa de violação da leis nacionais, fomento da escravidão, amparo de ditadura, desrespeito com a soberania das nações livres e independentes.
    Fora PT, governo de imundos cambalacheiros!

  6. Prezada Hebe,
    Por favor, não me deixes envergonhado!
    Apenas exponho o meu modo de pensar conforme meus sentimentos, experiência, e visão das situações que consigo estabelecer como passíveis de comentários por mais simples que sejam, exatamente como sou e me apresento.
    Obrigado pelas tua palavras de incentivo e encorajamento, que me obrigam cada vez mais me preocupar com a sensatez, discernimento e senso crítico.
    Se me permites, um respeitoso e cordial abraço.

  7. Não entendi o “protecionismo da Ditadura” quando o Lada chegou não estávamos na ditadura e, a abertura veio com o Collor e os sindicalistas metalúrgicos nunca brigaram por um carro melhor, é só ler as reportagens da época!!! Quem comprou o lada sentiu a porcaria que era.

  8. Que venham os médicos cubanos e de outras nacionalidades ! Agora não é com eles que serão superados os problemas existentes na área de saúde. Será que com ou sem eles vai melhorar alguma coisa nas cidades grandes ? Vai melhorar os problemas da espera nas filas, a superlotação nos atendimentos ?Parece uma ma disposição em resolver esses problemas, que passa de governo a governo e nada acontece.
    Os políticos fatiaram a arrecadação da ridícula contribuição que seria um passo muito maior em levar saúde ao povo brasileiro. Disseram que a dita cuja estava onerando os preços dos bens e serviços, escondendo um dos méritos, que seria rastrear o “caixa dois”, como bem dito pelo Jatene em entrevista à rede globo, ante os olhos arregalados da entrevistadora,temendo que as palavras do ex-ministro,estivesse violando a sua pauta. Portando, gente, solucionar o drama da saúde, é para governante macho(homem ou mulher)e não é com esse pingo d`água que o que todos desejam vai ocorrer.

  9. Falta um minimo para ter credibilidade. 10 000 dolares voce comprava o melhor dos carros de luxo o Diplomata. Nos hospitais da ilha a relação internação e obito é a metade dos obitos internação do Brasil.É muito Abdelmassih para tantos internados

  10. Por que só falam nos médicos cubanos quando outros estão vindo de diversos paises? Será complexo de vira latas ficando contra os cubanos só para agradar oa americanofolos? O artigo do Noblat foi perfeito.A vinda desses médicos vai balançar o coreto de alguns dos nossos que mesmo sabendo das dificuldades do povo cobrama consultas por valores exorbitantes.Por que não temos pediatras ou obstetras/? Porque não querem perder tempo com partorientes e crianças fora de hora,
    Falam em fazer validação dos diplomas. Acho que deveria fazer também dos recém formados e não aendo aprovados o retorno à faculdade. Quem já sofreu o risco de ser atendido por plantonistas em atendimento emergencial durante a noite? Ocorrem verdadeiras calamidades.Vamos aguardar e torcer que tudo dê certo e não,como alguns, fazer o papel de urobolinos sempre querendo o pior em razão de uma oposição burra ao governo.

  11. Aloísio Antônio cabral,
    Por favor, os médicos não são os nossos inimigos. O alvo que escolheste está errado, respeitosamente.
    E, basta leres com mais atenção os comentários para perceber que não se está contra os profissionais cubanos, mas repúdio à forma como foram contratados, além da tentativa do governo em camuflar o caos na Saúde, culpando os médicos pelo mau atendimento.
    A discussão está neste patamar, que não deves por conta da verdade dos fatos, alterá-lo da forma como colocaste, mais uma vez e já cansativa de um embate entre os contrários ao PT e favoráveis a este partido, sob pena de tomarmos um caminho que não nos conduzirá a lugar algum, a não ser aumentar a discórdia e discussões estéreis a respeito de algo que deve ser aprofundado para benefício de nós mesmos.
    Repito: os médicos não são os inimigos e, sim, o governo, que nada faz para melhorar o serviço do SUS, apelando, agora, para importação de profissionais da saúde que não irão resolver os graves problemas de assistência hospitalar e ambulatorial que tem o Brasil.

  12. O Noblat um dia desses foi tão racista com o Ministro Joaquim Barbosa por ser negro, agora é super racista com os médicos (supostamente todos loiros e de olhos azuis), acho que é recalque.

  13. Bah, chê, quanto ciúme e inveja, Darcy!
    Uma pessoa que não tem condições de comentar por si mesma e precisa postar registros de outras, certamente deve ter consigo complexos os mais variados, a começar que não mantém o nível das discussões, mas deseja rebaixá-lo à sua compreensão limitada e obtusa.
    Por outro lado, corrigiste então a tua estupidez anterior, Darcy, ao atribuires ao Hélio a frase que tanto te agradou, e não ao seu autor verdadeiro, Lacerda, o corvo, cuja identidade que tens com ele se explica, pois aves de rapina se alimentam de detritos, restos, sobras, exatamente o que fazes neste espaço democrático: saboreares os finais dos textos e arrotar a tua ignorância conhecida de todos nós como diarréia mental, nessas alturas, verdadeiramente patenteada por ti pela forma como te expressas e tua incontinência severa neste particular.
    De certa forma está explicado o fedor que sentimos nesta Tribuna: reside no momento que escreves as tuas asneiras contumazes e coices para todos os lados!
    Mas, bah, a cada dia se percebe o teu sofrimento, angústia, tristeza, que se traduzem nas tuas palavras agressivas, ofensivas, desrespeitosas e mal educadas.
    Uma pena um ser humano desprovido de qualquer sentimento nobre, a não ser ódio e raiva porque incompetente em escrever qualquer texto que se possa aproveitar, então é onde mostra a sua frustração, mágoa, revolta e vida insuportável que leva e, lógico, a sua emulação.
    Que Deus esteja contigo, Darcy, pois estás precisando muito de amparo espiritual.

  14. Tem um video no blog do Josias de Souza, contando o que são os medicos brasileiros. O que fazem para acabar com o resto da saude do brasileiro. O video foi postado agora pouco. Vejam os pulhas de branco

  15. Meus caros, peço vênia para apenas comentar sobre a questão automotiva!

    É preciso estudar melhor quais fatores causaram a saída da Lada do Brasil. Na verdade, na verdade, as dita empresas montadoras brasileiras fizeram todo tipo de manobras para boicotar a marca, que cobrava o justo por aquilo que entregava. Não discuto a falta de qualidade dos automóveis, todavia, é preciso verificar que até os dias atuais, os carros brasileiros oferecem muito pouco pelo valor que custam. Nesse cenário que é o mesmo desde os anos 90, apareceu a Lada, oferecendo um carro espartano por um preço espartano: por aproximadamente 5.000 dólares um carro que havia saído do outro lado do mundo era oferecido aqui no Brasil, sendo inclusive mais barato que carros nacionais. Enfim, só para finalizar, gostaria de deixar aqui o registro de que as montadoras simplesmente não contratavam para transportar seus carros um “cegonheiro” que se propusesse a transportar também carros LADA.
    Obrigado!

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