O casamento gay é agora

João Gualberto Jr.

Atenção, amigo leitor/eleitor, para a troca de comando na Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados. O arranjo entre líderes – consórcio de notáveis, Sinédrio de nossos dias – delegou ao PSC a presidência do colegiado, e esse partido escolheu um determinado integrante de sua bancada para a cadeira que é tão apropriado quanto uma sanfona para um velório.

Primeiramente, por que o PSC? A sigla, associada dos cabelos aos calcanhares a setores evangélicos, integra a base do governo Dilma. Os petistas comandam a CDHM há muitas primaveras, com seus representantes ditos mais progressistas e que calçaram suas carreiras na militância em defesa dos setores mais sofridos. Acontece que, em nome do projeto de governabilidade perene, o PT precisou distribuir as migalhas de poder para preservar para si o naco principal. Cedeu o assento dos Direitos Humanos para os sociais-cristãos, que, pelo que se noticia, aceitaram de bom coração o dado de desapego do aliado maior.

Também segundo as resenhas do Congresso, o ungido para presidir a comissão é um deputado pastor. Esse sacerdote, paulista de nome Marco Feliciano, andou, num passado recente, amaldiçoando e predizendo maldades contra os homossexuais e os afrobrasileiros. Eis o escolhido para direcionar, na Câmara, os temas de interesse das minorias sociais. E ainda se compara a Martim Luther King…

ILHA DA FANTASIA

A cada dia, nossos representantes dão demonstrações cabais de que não nos representam, de que o Congresso virou contra a parede o espelho que deveria refletir seu povo e de que se aprofunda o abismo entre o cotidiano das ruas e a ilha da fantasia. Outro exemplo: no Senado, o presidente eleito para a Comissão de Meio Ambiente é Blairo Maggi (PR), ex-governador do Mato Grosso e um dos mais poderosos produtores de soja do planeta. Representação já era. É balela!

A inabilidade de nossos parlamentares em delinear a conjuntura histórica é gritante. O casamento entre pessoas do mesmo sexo e a gestão produtiva mais responsável em favor da exploração racional dos recursos naturais (o que não guarda dicotomia com o desenvolvimento) não são mais questões às quais se é favorável ou contrário. São fatos postos, sobre os quais já se debruçaram Parlamentos de nações mais experimentadas no empenho de garantir e preservar os direitos civis de seus cidadãos.

Mudanças na história são água revolta: se a porta estiver fechada, entra pelas frestas, rompe-a. Não há madeira que segure. A onda que bate nas nossas costas é irrevogável. Os cocidadãos africanos deixaram de ser escravos há 125 anos, as mulheres votam há apenas 81, e os protestantes também conquistaram, no passado, a autonomia para professar sua fé, sem correrem risco de perseguição pelo Estado laico, que não deve mais satisfações de seus atos à Igreja Católica.

Os gays e as lésbicas poderão se casar e terão, muito em breve, os mesmos direitos de qualquer casal, independentemente dos esforços tacanhos de quem usa a Bíblia como viseira, e não como referência para se tornar um homem melhor. A Constituição do Brasil, um país democrático, garante aos brasileiros os direitos ao livre gozo da felicidade e ao feliz exercício da liberdade. E a história conspira a favor de nossa Carta Magna.

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