O combate da Justiça, na visão de Antero de Quental

Nessa época de julgamento do mensalão, quando todas as artimanhas possíveis e imagináveis são apresentadas em juízo, vamos lembrar um soneto do poeta, filósofo e político português Antero de Quental (1842 // 1891).

Antero Quental

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JUSTITIA MATER

Nas florestas solenes há o culto
Da eterna, íntima força primitiva:
Na serra, o grito audaz da alma cativa,
Do coração, em seu combate inulto:

No espaço constelado passa o vulto
Do inominado Alguém, que os sóis aviva:
No mar ouve-se a voz grave e aflitiva
D’um deus que luta, poderoso e inculto.

Mas nas negras cidades, onde solta
Se ergue, de sangue medida, a revolta,
Como incêndio que um vento bravo atiça,

Há mais alta missão, mais alta glória:
O combater, à grande luz da história,
Os combates eternos da Justiça!

Antero de Quental, in “Sonetos”

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