O contexto de Rafaela Silva, uma campeã nem tão improvável


Rafaela Silva comemora o ouro conquistado na Rio-2016 Foto: JACK GUEZ / AFPLucas Alvares

No Brasil, durante décadas, a participação de negros em atividades esportivas foi socialmente condicionada às modalidades onde a explosão, a velocidade e a força bruta eram mais exigidas. Desse modo, tivemos negros brasileiros com destaque nos esportes coletivos, no atletismo (com toda uma geração de brilhantes saltadores, de Adhemar Ferreira da Silva a João do Pulo, passando por Nelson Prudêncio) e no boxe, nas luvas de Servílio de Oliveira, bronze em Cidade do México 1968.

Curiosamente, mas não por acaso, as modalidades consagradas à participação de negros são aquelas que exigem menor estrutura para treinos e competições, bem como as que contam com técnicas de mais fácil aprendizagem, dada a sua notoriedade. Esportes sofisticados, de aparato tecnológico caro e técnicas repletas de especificidades eram restritos a camadas privilegiadas, cujos representantes eram costumeiramente mandados treinar no exterior.

O ouro de Rafaela Silva no judô, o primeiro de uma mulher negra em um esporte individual, é icônico: representa o fenômeno da mobilidade social que o Brasil presencia há mais de uma década. E não se trata apenas de glorificar o papel do Estado brasileiro na formação da atleta e cidadã, muito embora tal apoio seja fundamental, pois Rafaela é militar da Marinha do Brasil, onde recebe o acompanhamento profissional e partilha a estrutura necessária a seu progresso esportivo.

PROJETO SOCIAL – Além de um sintoma de política pública bem executada, a filha da Cidade de Deus é também fruto do amadurecimento de nossa sociedade civil. Cria de um projeto social, o Instituto Reação, do ex-judoca Flavio Canto, Rafaela é a comprovação viva do papel emancipador do esporte quando democratizado a grupos historicamente marginalizados de nossa sociedade, não apenas com o oferecimento das modalidades que sempre foram oferecidas, mas também com novas atividades.

É preciso peneirar talentos que contemplem todas as modalidades olímpicas, do futebol masculino ao tiro com arco, para tornar o Brasil a potência esportiva que ainda não é.

VISÃO DO PAI – Além do aprimoramento da atuação do Estado brasileiro e das formas de organização de nossa sociedade, o sucesso de Rafaela é também produto de uma precisa intervenção familiar, quando seu pai, Luiz Carlos, enxergou como remédio para a filha brigona, ainda uma criança, o disciplinamento de seus impulsos a partir da prática esportiva. Seu sucesso é prova da relevância de uma sólida base familiar.

A atitude certeira do pai e o amparo em outras instâncias contribuíram para produzir uma campeã aparentemente improvável pela trajetória histórica do negro brasileiro nos esportes olímpicos, quase sempre relegada a um pequeno punhado de modalidades, mas icônica do quanto é possível gerar desenvolvimento social a partir da democratização das práticas esportivas.

25 thoughts on “O contexto de Rafaela Silva, uma campeã nem tão improvável

  1. Curioso…. Não sou militar e nem defensor incondicional deles, mas perceberam que os únicos medalhistas até agora são militares? E daí? Não sei, só sei que do primeiro medalhista a imprensa não fala aí nada. Da judoca, nenhuma palavra que seja da marinha, a Globo faz questão de esconder! Mas ela só se destaca por ser negra e favelada! Que mania que essa imprensa tem de exaltar as diferenças! Não éramos para ser iguais, sem distinção? Quem faz questão de separar – nos por raça, cor, credo, religião, nível social e econômico é justamente a esquerda malefica que, com absoluta certeza, deve rolar muita grana por trás! Parabéns, Rafaela, que nunca deve ter se “vitimizado” e nem se fingido de “coitadinha” para conseguir esses auxílios sociais para ficar coçando o saco. Conseguiu tudo por mérito próprio! Isso sim é exemplo!

  2. Começou com a presepada “no Brasil, negros só blá blá blá…”, parei de ler.
    Existe sim um fator que associa a genética ao esporte e não é “no Brasil”. Jogadores de basquete, atletismo, nadadores,…, existem estudos sobre a correlação.
    Nem preciso continuar lendo para saber que é um texto preconceituoso.

  3. O ser humano as vezes deixa muito a desejar, fico feliz pela menina Rafaela que foi criada pela familia e guiada por Deus para mostrar que ainda temos carinho, orgulho, amor , fibra e coragem para superar todos obstaculos, ela poderia ser de outro pais, mas Deus nos presentiou com o nascimento dela em solo brasileiro. Voce e uma guerreira Rafaela…DEUS te proteja sempre.

  4. Até a ” Mamys ‘ é pancadão ! kkkkkkaas

    Pedro Paulo empregou a própria mãe quando era funcionário de Paes na Câmara
    Fernando Rodrigues
    09/08/2016 15:17
    O candidato a prefeito do Rio pelo PMDB, Pedro Paulo, empregou a própria mãe no gabinete de seu padrinho político, Eduardo Paes, atual prefeito do Rio e então deputado federal pelo PSDB. Na época, Pedro Paulo era chefe de gabinete de Paes.
    Em valores atualizados monetariamente pelo IPCA, Eliana Carvalho Teixeira recebeu R$ 459.305,88 de 1999 a 2006. Como o próprio peemedebista informa em seu perfil no LinkedIn, de 1999 a 2000, ele foi chefe de gabinete de Paes.
    As informações são da repórter do UOL Gabriela Caesar.
    A mãe de Pedro Paulo trabalhou ainda por 1 mês para o ex-deputado federal Márcio Fortes (PSDB-RJ). Em jan.2007, recebeu o equivalente a R$11.808,03 em valores atualizados.
    Os dados foram conseguidos com base na Lei de Acesso à Informação. Leia os pedidos 1 e 2.
    Atualmente, Eliana não trabalha na Câmara e está filiada ao PSDB. Seu filho disputa a prefeitura do Rio pelo PMDB.
    A lei 8.112 de 1990 proíbe que o servidor público mantenha “sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, companheiro ou parente até o segundo grau civil”. A norma é reforçada pela súmula vinculante número 13 do STF.
    A assessoria de comunicação da Câmara dos Deputados afirma que não há problema em nomear parentes para funções no mesmo gabinete. A exceção é se um deles for, por exemplo, chefe de gabinete.
    O peemedebista foi perguntado se não enxergava conflito de interesses em ter sido chefe de gabinete de Paes na época em que sua mãe também trabalhava no gabinete. Por meio de sua assessoria, Pedro Paulo respondeu simplesmente que “não era deputado na época”.
    “Pedro Paulo reitera que sempre prezou pelas boas práticas em todas as funções nas esferas de governo pelas quais passou, não tendo, portanto, qualquer ato ou processo durante a sua história de vida pública”, diz a nota.
    Eis a tabela com valores recebidos por Eliana Carvalho Teixeira (clique na imagem para ampliar):
    http://fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br/2016/08/09/pedro-paulo-empregou-a-propria-mae-quando-era-funcionario-de-paes-na-camara/

  5. O FACISTEMER PEDIU PENICO ! kkkkkaaaass
    09/08/2016 17h23 – Atualizado em 09/08/2016 18h40
    Recurso para voltar a proibir protesto político na Olimpíada é retirado
    Fica mantida limitar que garante o direito de protesto pacífico nas arenas.
    Justiça Federal estabeleceu multa caso medida seja descumprida.
    http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/olimpiadas/rio2016/noticia/2016/08/uniao-desiste-de-recurso-para-voltar-proibir-protesto-politico-na-olimpiada.html

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