O crime de FHC

Sebastião Nery

Em 2005, questionado por haver comprado a aprovação da emenda da reeleição, Fernando Henrique Cardoso procedia como se fosse advogado de Fernandinho Beira-Mar: “Esses são fatos passados há dez anos. O que aconteceu no passado é coisa da história”.

Pinochet também pensava e dizia a mesma coisa. O outro Fernando, o Beira-Mar, está preso por “fatos passados há mais de dez anos”. Se Fernando Henrique não tivesse que prestar contas pela compra da reeleição há mais de dez anos, Fernandinho Beira-Mar também não podia estar preso. O que ele fez também “aconteceu no passado, é coisa da história”? E Fernando Henrique mente:

“Não houve nenhuma acusação de interferência, nem minha nem de ministros meus” (na compra de votos para aprovar a reeleição) (Globo).

Ficou tudo provado. Houve fitas gravadas, inquérito na Câmara, deputados renunciaram ou perderam o mandato depois de confessarem que haviam recebido dinheiro. E todo mundo sabe que quem comandou o mercado tucano foi o ministro Sergio Motta, o Delúbio Soares de FHC.

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AIRTON, BETE E EUDES

Dante era poeta mas sabia os caminhos do Paraíso e do Inferno: “O mundo tornou-se mau por ser mal governado e não porque a natureza humana seja pervertida”.

Na foto histórica da fundação do PT, só havia dois deputados federais, que viabilizaram a criação do partido diante da exigência da justiça eleitoral: Edson Khair e Airton Soares, eleitos pelo MDB do Rio e de São Paulo.

Advogado de Lula, Airton foi o primeiro líder do PT na Câmara, onde exerceu três mandatos, de 75 a 87, revelando-se um dos mais sérios e combatentes deputados. Saiu do PT em 85, para não ser expulso, porque, com Bete Mendes e José Eudes, não aceitou o veto do partido a Tancredo Neves e lucidamente votou nele para presidente, no Colégio Eleitoral, contra Maluf.

Essa indignidade contra Airton Soares, Bete Mendes e José Eudes ficará para sempre manchando a história do partido. Foi um crime do PT.

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LATIFÚNDIO

Passeata de camponeses no Recife, em 61, no governo de Cid Sampaio, eleito pela UDN, com apoio das esquerdas, comunistas e socialistas. Dezenas de prisões em todo o Estado. Joaquim Camilo, líder da Liga Camponesa de Jaboatão, é solto e foi para a casa de Francisco Julião, líder das Ligas Camponesas e do PSB na Assembléia. Perguntei ao Camilo:

– Muita prisão por lá?

– Muita. Na cela onde eu estava, só João tinha três.

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