O cuidado no arrefecimento

Carla Kreefft (O Tempo)

O momento mais decisivo e arriscado para aqueles que participam dos recentes protestos políticos pelo Brasil começa agora. Se até aqui a batalha foi dura e repleta de obstáculos, incluindo aqueles colocados pela forças policiais e pela ação mais violenta de alguns grupos, a situação, a partir de agora, é outra.

O natural é que se inicie um processo de arrefecimento do movimento. Há um desgaste e um cansaço naturais que, quase sempre, são acompanhados de uma dispersão. Entretanto, é quando isso acontece que há uma disputa política pela apropriação do movimento. Quase sempre esse duelo é travado pelas lideranças e pelos partidos já estabelecidos.

Portanto, é importante que os manifestantes tenham o cuidado de impedir que a espontaneidade e a legitimidade dos protestos sejam utilizados de forma indevida e com fins eleitoreiros. Não é uma missão fácil, mas é necessária para quem pretende tornar o país mais justo e democrático.

Na verdade, ainda que esse movimento seja extremamente difuso e, efetivamente, não tenha um foco determinado, a autenticidade dele é louvável e pode contribuir para o aperfeiçoamento da democracia brasileira. Repetindo uma frase que um dos rapazes envolvidos nas manifestações disse ao ouvir que o movimento não tinha líderes nem bandeiras definidas – bandeiras são muitas, e líderes serão criados –, seria muito salutar que desse movimento surgissem novas lideranças, aptas a manter a capacidade de articulação e mobilização agora demonstrada. E, mais importante do que isso, que sejam capazes também de identificar um caminho de atuação que ultrapasse o protesto e que busque a identificação com as instituições democráticas.

Essa geração que ocupa as ruas tem todo o direito de rejeitar a atual representação política. Mas, certamente, não tem o direito de desconhecer a importância das instituições para a democracia. Nas décadas de 60, 70 e 80, muitos jovens foram torturados e morreram para impedir que o Congresso Nacional fosse fechado e para que o povo tivesse o direito de escolher os seus governantes. São os Poderes instituídos e a Constituição que garantem a democracia.

Portanto, é mais do que compreensível que haja um grande descontentamento com os atuais parlamentares e governantes. Sendo assim, que a juventude crie novas lideranças em consonância com os seus anseios e as elejam, evitando a recondução ao poder daqueles que não estejam comprometidos com a sociedade brasileira. Importante é que esse processo aconteça dentro do jogo democrático, com respeito às instituições.

Derrotar os maus políticos sim, mas jogar por terra os partidos e os Poderes é o mesmo que tirar o sofá da sala.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

8 thoughts on “O cuidado no arrefecimento

  1. Os simpatizantes de alguns partidos ditos “de esquerda” já começaram a dizer que tem algumas pessoas estão com saudades da ditadura militar e querem o retorno desta.
    O presidente regional do partido, Cyro Garcia, disse que as agressões foram orquestradas e executadas por grupos nazifascistas que estão sendo “pagos para reprimir a livre expressão dos partidos políticos”. Continuou ele, acusando agentes secretos infiltrados nos tumultos: “Jogaram bombas na direção do nosso grupo. Não nos esqueçamos que havia policiais à paisana no meio do protesto. Tem gente que quer enfraquecer o movimento”, comentou.

    E, realmente, ele está certo! Tem mesmo gente interessada em um regime ditatorial.
    Mas, quem serão essas pessoas que torcem para que a ditadura volte?

    Ora, são os mesmos políticos e intelectuais que “combatiam” a ditadura e que agora estão no poder! Na verdade, somente alguns tiveram a coragem de combatê-la; a maioria “saiu fora” quando o bicho pegou e ficou olhando de binóculo, lá do Chile ou da França, os irmãos se matarem por aqui! Somente depois que a sopa já estava feita e “menas quente” foi que tiveram a coragem de colocar o “pé na cozinha” para comerem do “bom bocado”, preparado pelas sovas levadas por quem teve a coragem de ficar e lugar.

    Outros ficaram por aqui e fizeram a vida cooptando com ela!

    São pessoas que teimam em usar os faróis na traseira do carro, ao reabrirem feridas de 50 anos que deveriam estar cicatrizadas, que se esqueceram que houve excessos de ambos os lados e que, em nome do futuro, o país deve lutar unido contra as ameaças existentes ao nosso progresso.

    O que esses democratas fizeram (e ainda estão fazendo) na nossa Nova República foi liberar o que (e quem) não presta, imitar o que tinha de pior nos países em que se hospedaram, triplicar o número de homicídios, acabar com a educação, com a saúde e com a segurança já precárias! Já estamos próximos de UM MILHÃO DE HOMICÍDIOS ocorridos na nossa democracia – onde os candidatos a “candidatos” são escolhidos por eles mesmos e cabe ao eleitor, apenas, referendar em uma lista fechada a escolha já feita pelos caciques e pensar que a opção do seu “sufrágio” foi pessoal! Brevemente chegaremos ao número do Khmer Vermelho no número de mortes!
    Já somos medalha de prata no consumo de cocaína e medalha de ouro na modalidade consumo de crack. O curioso é que, enquanto liberavam a droga para adolescentes e crianças usarem livremente nas ruas e soltavam os bandidos das cadeias, proibiam a posse de armas para os cidadãos de bem se dizendo preocupados com a segurança pública! Vai ver somos governados pelos cabeludos da década de sessenta. Bem-nascidos que eram, precisaram apenas cortar os cabelos, fazer a barba, trocar a camisa colorida e a calça boca-de-sino por ternos de grife para garantir um gabinete vitalício com o papai. Parece que estes mudaram a embalagem, mas não mudaram os velhos “hábitos”.

    Segundo uma pesquisa encomendada à consultoria britânica Economist Intelligence Unit, o Brasil ficou em penúltimo lugar em um ranking global de educação que comparou 40 países levando em conta notas de testes e qualidade de professores, dentre outros fatores. Ao lado do Brasil, mais seis nações foram incluídas na lista dos piores sistemas de educação do mundo: Turquia, Argentina, Colômbia, Tailândia, México e Indonésia, único país com educação pior do que a nossa.
    Culpa da ditadura, claro! Afinal, em quase trinta anos não dá tempo de fazer nada mesmo! É pouco tempo! Nenhum país conseguiria mudar em tão pouco tempo.
    Já que não tinham condições intelectuais para melhorar o país, que pelo menos não piorassem o que já não prestava! Que deixassem tudo como estava, pois, pelo menos assim, poderiam, daqui a cem anos no poder, atribuir à ditadura o caos para onde caminhamos.

    Como eles perderam a credibilidade e como só tinham como manter essa credibilidade em uma ditadura, da mesma forma que só existem fantasmas nas sombras, parece que querem que o caos se instale no país, que a ditadura volte para que possam, cinicamente, sair às ruas e pregar o direito de ir e vir que eles, agora no poder, nos tiraram e deram aos bandidos de todas as classes sociais!
    Como perderam os seus “clientes”, pois o produto ideológico que ofereciam era falso, agora querem tumultuar a democracia do país, para que este adoeça novamente e possam oferecer o mesmo produto, a mesma pajelança, a mesma garrafada, apenas com rótulos e personagens/ingredientes trocados, adulterados.

    E a falta de liberdade e a truculência da ditadura?
    Ora, nós temos a maior população carcerária do mundo: somos 190.000.000 de prisioneiros, todos (ou melhor, quem pode) cumprindo prisão perpétua atrás de cerca elétrica, câmeras, cadeados, grades, portas de aço, correntes pega-ladrão e fechadura tetrachave (seriam estes itens criações da nossa democracia?) tendo um carcereiro alcunhado de porteiro! Hoje o cidadão(?) já começa a cumprir a pena ao nascer! Prisão perpétua no regime semiaberto para homens, mulheres e crianças: saem para trabalhar durante o dia e voltam à noitinha para a cela.
    Na nossa democracia nunca se vendeu tanta segurança privada! Hoje para cada policial existem cinco seguranças particulares para garantir a vida e o patrimônio de quem pode pagar. O Brasil já tem a maior frota de carros blindados do mundo – usada por quem pode e pelos democratas!

    E quanto à tortura?
    Você imagina tortura maior do que dor de sepultar um filho ou um pai? Ou você acha que esses jovens que inflam os números de homicídios no Brasil não têm entes-queridos e surgiram por Geração Espontânea? Ficar preso no nosso “Carandiru elegante”, sem poder levar as crianças às ruas para brincar, também não é uma forma de tortura? Fazer uma criança com câncer aguardar semanas ou meses uma consulta ou uma quimioterapia não é mesmo que torturá-la? Deixar um filho sair para uma festa e ficar em casa, aflito, esperando o seu retorno vivo, não é uma forma de tortura? E o idoso que ficou quatro dias internado em um hospital do Distrito Federal sentado em uma cadeira por falta de leito? E as sessenta e nove pessoas que morreram na cidade de Caruaru por ter sido usado água de torneira na hemodiálise – e a nossa “Justiça” decidiu que o culpado foi um “acidente da natureza”, conforme disse o CRMP.

    Ora, nunca se torturou tanto neste país!
    Mudaram os métodos, mas o torniquete permanece o mesmo. E o maior carrasco continua sendo os donos do Estado.

    Os atuais democratas que estão no poder, PARA MOSTRAREM QUE A DEMOCRACIA QUE INSTALARAM NO PAÍS É MARAVILHOSA, deveriam ser coerentes com a liberdade de ir e vir que apregoam existir, serrar as grades das suas casas, vender o carro blindado, dispensar o segurança, liberar o carcereiro dos condomínios onde moram e, aproveitando a noite de hoje, fazer um piquenique em alguma praça publica com os seus filhos. Poderiam até namorar um pouco dentro de algum automóvel, em algum estacionamento público, coisa desconhecida pelos nossos jovens, como os namorados faziam décadas atrás!

    Deveriam ser mais práticos e menos teóricos.

    Enquanto eles continuarem só filosofando, continuaremos a sair das grades apenas para estudar e trabalhar até o dia em que alguma autoridade defensora dos direitos humanos das pessoas de bem apareça e seja tocada no coração pela coragem e mude as leis e crie o Estatuto do Cidadão antes que os prisioneiros, digo, o povo, sentindo-se enganado, comece a ter saudades da LIBERDADE DA DITADURA e não se importe em ter um ditador como presidente, desde que possa sair às ruas com mais liberdade!!!!!

    Abraços.

    PS:
    Segundo pesquisa do Datafolha realizada em São Paulo, sofreu um ligeiro recuo o percentual de paulistanos que dizem apoiar a democracia. Há dez anos eram 57%; agora são 53% os que afirmam concordar com a frase “democracia é sempre melhor do que qualquer outra forma de governo”, segundo o Datafolha. O instituto fez a pesquisa sobre a preferência de regimes políticos em 2003, quando completou 20 anos.
    Numa proporção similar à da queda do apoio à democracia, aumentou de 16% para 19% os paulistanos que aprovam a afirmação segundo a qual “em certas circunstâncias, é melhor uma ditadura do que um regime democrático”.
    Continua no mesmo patamar, na faixa dos 20%, os que acham que “tanto faz se o governo é uma democracia ou uma ditadura”.
    Imagine esse percentual agora, depois das passeatas!

  2. Quando começar a faltar comida nas prateleiras por conta de saques à caminhões e paralização de estradas pelos marginais do MST e vermelhinhos afins, aí eu quero ver essa esperança toda.

    Não se apaga um incêndio com gasolina. Ou como Raul já dizia: “Quem não tem visãããão bate a cara contra o muro”.

  3. Pessoas com algum grau de educação (ainda que gramsciana) protestam pela falta de investimentos do governo na educação que geram revolta daqueles que não tem educação que, por sua vez, se aproveitam dos protestos destes que defendem eles próprios ‘excluídos sociais’ para saquearem e ‘se darem bem’ em cima da própria manifestação pacífica que os defendem.

    Como diria a sabedoria popular: “É o poste mijando no cachorro” (e o cachorro pensando que é água tratada).

    SEM MAIS.

  4. Que partidos minha senhora? O que temos são agremiações. Um partido requer ideologia, programa e muitas cocitas más. O que temos são agremiações que só visam o poder.

  5. Gente , vamos fazer um apelo aos depredadores para pararem com isso.
    Depredação não gente, por favor.
    São bilhões de dólares do povo indo pelo ralo da corrupção pelos atuais ocupantes do estado e até para recursos vitais para a vida dos brasileiros e que pertencem a este, são dados por este governo a um ditador em cujo pais o trabalhador ganha 20 dólares.
    Quanta depredação.
    O Lula entregou 2 refinarias do povo para o Morales e ainda perdoou a dívidad da Bolívia, Dinheiro que pertence ao povo brasileiro e não a malandros que dirigem o país.
    E as obras que consomem bilhões e não terminam?
    É muita depredação do patrimônio público.
    E estádios onde nem bem existe futebol e ainda custaram o dobro do preço real?
    E a refinaria que a Petrobrás comprou por quase 1 Bilhão e meio e que valia apenas 300 milhões?
    Gente pare de depredar o patrimônio público, ele pertence ao povo.
    O povo não pode se dar ao luxo de perder 1 centavo, pois sua situação real não é a que esse governo afirma. Não é classe média com 300 reais que os ocupantes do poder com seus sorrisos de hienas dizem que são.

  6. A PRIMEIRA SOLUÇÃO PARA OS TRANSPORTES SERIA QUEBRAR O LOBBY QUE ELES EMPREGAM DEPOIS FISCALIZAR ATÉ O TALO. EM SEGUIDA INVESTIR EM TRANSPORTE DE MASSA POIS BRT NÃO É. E MAIS SENHORES EXISTEM ESTUDOS ENGAJADOS DE SOLUÇÕES NO CASO O TREM DE LEVITAÇÃO MAGNÉTICA DA UFRJ É SÓ VER PORQUE ELE NÃO ANDA OU EXIGIR QUE ANDE.
    http://www2.camara.leg.br/a-camara/altosestudos/noticias/maglev-cobra-na-13a-reuniao-do-caeat
    A VERDADE É QUE NINGUÉM DIZ: QUE O BRASILEIRO PERDE 3 MESES DE SUA VIDA EM MÉDIA, NO ANO EM TRÂNSITO PRODUZINDO DE FATO O QUE?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *