O Democratas acusa o Palácio do Planalto de articular o PSD.

Carlos Chagas

Grave denúncia foi formulada pelo presidente do Democratas, senador José Agripino. Para ele, vem sendo articulada no palácio do  Planalto a criação do novo partido liderado pelo   prefeito Gilberto Kassab.  A intenção do governo seria desconstruir a oposição, atingindo o seu partido e, também, o PSDB.

Como reação, o senador pelo Rio Grande do Norte passou a admitir a hipótese da fusão do DEM com os tucanos, ainda que com a ressalva da necessidade de consultas prolongadas às bases de ambos.

Falar em palácio do Planalto e em governo constitui um eufemismo para designar Dilma Rousseff. Porque se verdadeira a denúncia, não há como argumentar que ela  não sabia de nada e que tudo se passa sem o seu conhecimento. 

Vem então a pergunta: para que a presidente da República se empenharia em enfraquecer ainda  mais uma oposição  debilitada? Ou, no reverso da medalha: de que adiantaria ao governo  dispor de mais alguns deputados e senadores na base oficial, se há número mais do que suficiente para não sofrer derrotas no Congresso?

José Agripino chama de trânsfugas seus ex-companheiros do DEM já de malas prontas para o PDS. Reconhece o impacto que está sendo a debandada de perto de 30 deputados, sem esquecer o governador de Santa Catarina e provavelmente dois senadores. Daí o contra-ataque que seria a união com o PSDB, tanto faz se denominada de fusão ou de incorporação. Significativa foi a adesão do ex-presidente Fernando Henrique ao casamento das duas legendas, ainda que a maioria dos tucanos rejeite qualquer mudança de sigla.

GREVE DOS JUÍZES FEDERAIS 

Certas coisas são inaceitáveis. Entre elas, a greve de categorias especiais de funcionários do estado, como os juízes federais. Movimentos semelhantes de policiais já ultrapassam os limites da ética e  do bom senso, mas a atual paralisação abre as portas do absurdo. Só falta mesmo as forças armadas entrarem em greve, ou os diplomatas. Quem sabe a presidente da República e seus ministros?

Mas tem mais. Os meretíssimos decidiram parar porque pretendem aumento salarial, mais auxílio-alimentação e outras vantagens. Os vencimentos iniciais da carreira de juiz federal  somam 22 mil reais por mês. Um senhor salário. Maliciosamente, é por tabela que  eles reivindicam 14.79 %: pretendem esse reajuste para os ministros do Supremo Tribunal Federal, sabendo que se  concedido lá em cima, virá o efeito cascata para todo o Poder Judiciário.

Desde os tempos de Ramsés II que greve se faz contra patrão,  público ou privado. No caso dos juízes federais, está sendo feita contra o povo que recorre aos tribunais. Exatamente como as greves de ônibus, onde o prejudicado é o cidadão necessitado de transporte público.

SÓ FALTA DELÚBIO NA TESOURARIA

O PT reabrirá suas portas, no fim de semana, para receber Delúbio Soares com  toda pompa e circunstância. Até tapete vermelho, ele que havia sido expulso do partido  como um dos responsáveis pelo escândalo do mensalão. Importa menos que responda a processo no Supremo Tribunal Federal, como réu, denunciado por formação de quadrilha, corrupção e outras acusações. Também, seria discriminação recusar-lhe a volta, já que entre os 40 processados encontram-se diversos integrantes do Diretório Nacional do PT.

O episódio reacende as dúvidas sobre o julgamento na mais alta corte nacional de justiça. Quando acontecerá? Ninguém sabe, talvez nem o ministro-relator, Joaquim Barbosa.  Não demora muito e prescreverão  todos os crimes de que os mensaleiros são acusados. Mensalão? Que mensalão?…

ENFIM, UNIÃO ENTRE CUT E FIESP.

Na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social registrou-se uma unanimidade: os 90 integrantes do colegiado condenaram a política de juros do governo.  Do presidente da CUT, Artur Henrique,  aos presidentes da FIESP, Paulo  Skaf,  e da Confederação Nacional da Indústria, Robson Andrade,  todos criticaram a equipe econômica. Adiantou alguma coisa? Nem pensar.

Os ministros Antônio Palocci, Guido Mantega e Alexandre Tombini deixaram claro que nada vai mudar em termos de juros. A meta de sua redução é longínqua. Pelo menos ficou claro estar a equipe econômica unida e contando com o apoio da presidente Dilma Rousseff.  Mas o que importa é a unidade do outro lado: sindicalistas e empresários  continuarão formando a Frente Anti-Juros. Trata-se de  um bom sinal.

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