O desafio da responsabilidade socioambiental das empresas

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Leonardo Boff

Já se deixou para trás o economicismo do Nobel Milton Friedman, que dizia: “A responsabilidade social da empresa consiste em maximizar os ganhos dos acionistas”. Mais realista é Noam Chomsky: “As empresas são o que há de mais próximo das instituições totalitárias. Elas não têm que prestar esclarecimento ao público ou à sociedade. Agem como predadoras, tendo como presas as outras empresas. Para se defender, as populações dispõem apenas de um instrumento: o Estado. Mas há, no entanto, uma diferença que não se pode negligenciar. Enquanto, por exemplo, a General Electric não deve satisfação a ninguém, o Estado deve regularmente se explicar à população” (em “Le Monde Diplomatique Brasil”, n. 1, agosto 2007, pág. 6).

Já há décadas que as empresas se deram conta de que são parte da sociedade e que carregam a responsabilidade social no sentido de colaborar para termos uma sociedade melhor. Ela pode ser assim definida: a responsabilidade social é a obrigação que a empresa assume de buscar metas que, em médio e longo prazos, sejam boas para ela e também para o conjunto da sociedade na qual está inserida.

Essa definição não deve ser confundida com a obrigação social, que significa o cumprimento das obrigações legais e o pagamento dos impostos e dos encargos sociais dos trabalhadores. Isso é simplesmente exigido por lei. Nem significa a resposta social: a capacidade de uma empresa de responder às mudanças ocorridas na economia globalizada e na sociedade, como, por exemplo, a mudança da política econômica do governo, uma nova legislação e as transformações do perfil dos consumidores. A resposta social é aquilo que uma empresa tem que fazer para adequar-se e poder se reproduzir.

ALÉM DISSO TUDO

Responsabilidade social vai além disso tudo: o que a empresa faz, depois de cumprir com todos os preceitos legais, para melhorar a sociedade da qual ela é parte e garantir a qualidade de vida e do meio ambiente? Não só o que ela faz para a comunidade, o que seria filantropia, mas o que ela faz com a comunidade, envolvendo seus membros com projetos elaborados e supervisionados em comum. Isso é libertador.

Nos últimos anos, no entanto, graças à consciência ecológica despertada pelo desarranjo do sistema-Terra e do sistema-vida, surgiu o tema da responsabilidade socioambiental. O fato maior ocorreu no dia 2 de fevereiro do ano de 2007, quando o organismo da ONU que congrega 2.500 cientistas de mais de 135 países criou o Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas (IPCC), após seis anos de pesquisa, e deu a público seus dados. Não estamos indo ao encontro do aquecimento global e de profundas mudanças climáticas. Já estamos dentro delas.

EFEITO ESTUFA

A Terra mudou. O clima vai variar muito, podendo, se pouco fizermos, chegar até a 4-6°C. Essa mudança, com 90% de certeza, é androgênica, quer dizer, é provocada pelo ser humano, melhor, pelo tipo de produção e de consumo que já tem cerca de três séculos de existência e que hoje foi globalizado. Os gases de efeito estufa, especialmente o dióxido de carbono e o metano, são os principais causadores do aquecimento global.

A questão que se coloca para as empresas é esta: em que medida elas concorrem para despoluir o planeta, introduzindo um novo paradigma de produção, de consumo e de elaboração dos dejetos, em consonância com os ritmos da natureza e a teia da vida e não mais sacrificando os bens e serviços naturais.

Esse é um tema que está sendo discutido em todas as grandes corporações mundiais. (transcrito de O Tempo)

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8 thoughts on “O desafio da responsabilidade socioambiental das empresas

  1. É assustador perceber como que assuntos relacionados com meio ambiente não despertam nem 1 (um) comentário. Assustador porque esta questão é de sobrevivencia de todos, nao importa se é rico ou pobre, branco ou negro, analfabeto ou letrado, a questão será igual para todos. O fato é: A qualidade de vida vai comprometer a TODOS (exceto os mega-milionarios que comprarao tudo mais caro).

    Outro ponto muito assustador é que a reportagem, apesar de abordar o tema do aquecimento global e efeito estufa, não dá a receita que CADA leitor do jornal pode fazer para diminuir substancialmente justamente este tipo de impacto. E a resposta está tão somente em fazer que as pessoas mudem seus hábitos alimentar, eliminando (ou reduzindo significativamente) o consumo da carne (seja ela de gado, aves ou suinos).

  2. As empresas privadas teriam que ter as mesmas responsabilidades das empresas públicas e estatais. Essa foi a falha do Legislador, ou seja, poupar os empreendedores privados do controle do Estado. A razão mais plausível é que os parlamentares em sua maioria ou são empresários ou financiados por estes. Daí não sairá nada para a população, para o Meio Ambiente, para a preservação do planeta, enquanto o lucro estiver acima de tudo. Esse fenômeno é mundial. Não adianta nada reunir as nações para deliberar sobre diminuição do efeito estufa, que depois não cumprem nada do acordado. Parece brincadeira essas reuniões de 10 em 10 anos (1992 e 2012), quando chegar em 2022 estaremos em situação pior.

    A coleta seletiva de lixo doméstico e industrial poderia amenizar a agressão ao planeta, entretanto, as prefeituras carecem de estrutura para separar o lixo, que em última análise não dá votos. Uma vergonha.

    Outra coisa alarmante é o despejo de produtos químicos nos rios e lagoas. Ninguém sabe de onde vem, apenas percebemos as línguas negras e as manchas de óleo, que matam todas as formas de vida e torna as aguas impróprias para consumo.

    Outra aberração é a insuficiência de Estações de Tratamento de Esgoto. A Baia da Guanabara recebe toneladas de esgoto não tratado diariamente e assim ocorre em todos os Estados. O Rio Tietê em São Paulo a poucos quilômetros da nascente evidencia-se a poluição e assim caminha até o final.

    Que fazer?

  3. Mais uma religião: a ecopatia.
    Fato: um conhecido meu que trabalha numa mineradora disse que ela ficou meses inativa por poluir um rio das redondezas.

    Haja saco prá religioso.

  4. Voltando a tal mineração que nem poluiu um pequeno córregoproduto químico e sim o sujou com barro e que ficou meses impedida de minerar ferro até limpar a sujeira, mostra que esse papo de Boff deve ser só para não lembrar do trabalho escravo em Cuba, cujo ditador ele chama de “meu comandante”.
    Tem gente que adora vagabundos e pior, vagabundos que lutam para piorar a vida das pessoas com sistemas políticos hediondos como o de Cuba.

  5. O tema mais acima foi contaminação de mineradora. Nada a ver com Cuba que não me interessa. Agora e sem especificar o local da contaminação, o comentarista faz um remendo. Mas, se contaminasse sua água de banho e de beber, pelo que escreve repetida e enfadonhamente aqui, transformar-se-ia facilmente num ecomuquirana. Não é suficiente prova a sacal expressão corriqueira da MENTE QUE MENTE?

  6. O melhor do comentarista da MENTE QUE MENTE é que a empresa mineradora de local misterioso parece que embutia uma olaria clandestina que também poluía a área com barro. Por que não diz logo que penico de barro não dá ferrugem?

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