O dilema das redes sociais, com suas teorias conspiratórias que acabam viciando os usuários

VICIADOS EM INTERNET | Mensagens engraçadas, Engraçado, Piadas joãozinho

Charge reproduzida do Arquivo Google

Fernando Gabeira
O Globo

Acabo de assistir ao documentário sobre as redes “The Social Dilemma”. É assustador mesmo para mim, que tenho tratado do tema, sobretudo pelo ângulo das fake news e teorias conspiratórias que impulsionam o tecnopopulismo de direita.

Uma das razões para ampliar minha abordagem do tema é contar com depoimentos de insiders, pessoas de dentro do universo tecnológico que trabalharam e ajudaram a construir plataformas como Twitter, Facebook, Instagram e YouTube.

LIMITAÇÕES – A maior parte da crítica disponível até então era de observadores de fora desse universo. Outra limitação de meu enfoque era observar apenas as consequências negativas das redes sociais no universo político, gerando uma atmosfera de ódio e mentiras.

Ao ver o documentário, fica claro para mim que as consequências políticas foram apenas um subproduto diante da tarefa central: usar a insegurança e a ansiedade das pessoas para torná-las dependentes do uso das redes e, com o acúmulo dos seus dados, impulsionar vendas.

Isso não chega a ser uma descoberta. O interessante é ouvir de alguém que encontrou o Facebook nos seus primórdios e teve como tarefa descobrir uma forma de fazer dinheiro com aquilo.

HÁ QUALIDADES – Quase todos os talentos contratados no início viam nas redes sociais algumas de suas inegáveis qualidades: unir famílias, ampliar o conhecimento coletivo, facilitar a solidariedade.

O caminho para financiar era a publicidade. Ela seria mais eficaz quanto maior o tempo de permanência do usuário, e muito mais eficaz também, na medida em que, conhecendo sua personalidade, às vezes mais profundamente do que ele próprio, fosse possível ampliar seu consumo.

Essa é a matriz que acabou produzindo as aberrações político-sociais que vivemos hoje. A radicalização política é necessária para prender a atenção das pessoas. As fake news são atraentes diante de uma realidade tediosa.

TEORIAS CONSPIRATÓRIAS – Isolado em sua bolha, o indivíduo tem a sensação de tudo compreender pelas teorias conspiratórias. Se alguém diz que pedófilos se reúnem no porão de uma pizzaria, ele tenta invadi-la armado de um fuzil, apesar de a pizzaria nem ter porão.

Se alguém acredita que a Terra é plana, será alimentado com inúmeras interpretações que fortalecem essa ilusão. Na busca do Google, dependendo da região, o aquecimento global aparece como uma fraude ou uma tese científica.

O problema central é que, ao contrário da TV ou do cinema, a inteligência artificial tende a se modificar num ritmo cada vez mais alucinante. Alguns dos participantes do documentário preveem que o processo deve acentuar polarizações e produzir guerras civis. Mas é evidente que algo pode ser feito para atenuar esses imensos efeitos negativos do avanço tecnológico.

COMISSÕES DA VERDADE – Certamente não é criando comissão da verdade, como queriam alguns parlamentares brasileiros. Apesar de assustador, ou por causa disso, o documentário nos estimula a buscar soluções.

Às vezes invejamos a intimidade das crianças com essas novas linguagens, um mundo fantástico se desenrolando com o simples toque de seus dedinhos. Mas nossa geração intermediária talvez possa contribuir com suas lembranças do mundo real. Outro dia, falando sobre o tema, lembrei-me de que muitos de nós foram influenciados pela filosofia do Pós-Guerra, o existencialismo. Uma de suas frases lapidares, de Jean-Paul Sartre, talvez fosse de utilidade para os jovens: o inferno são os outros.

Assim como é preciso estimular o estudo de ideias conflitantes, talvez compense retirar do armário o antigo conceito de autenticidade, que estimula a pessoa ser ela mesma, independente de likes, dislikes e ofensas grosseiras.

ACÚMULO DE INFORMAÇÕES – Voltando ao plano político, uma das questões básicas é achar o caminho para limitar o acúmulo de informações sobre as pessoas. Um dos entrevistados chegou a falar de impostos para reduzir o intenso consumo de dados pessoais pelas empresas. Não sei se é por aí.

Alguém no documentário lembrou que essas gigantes tecnológicas e a indústria das drogas são as únicas que chamam seus clientes de usuários. É um pouco exagerado, mas depois de ver “The Social Dilemma”, creio que todo mundo vai se perguntar até que ponto está viciado nas redes sociais e quais os caminhos da libertação.

15 thoughts on “O dilema das redes sociais, com suas teorias conspiratórias que acabam viciando os usuários

  1. As redes sociais elegeram Donald Trump e Bolsonaro no Brasil.
    Uma rede de fakes e destruição de reputações jamais vistas, desvirtuando o processo democrático. Stevan Bannon, o número um da empresa americana Analityca pesquisou nas redes o perfil do eleitor e manipulou as consciências e consequentemente o voto.
    Essa é a razão do retrocesso medieval, liderado pela extrema direita Mundial.
    No que isso vai dar, não sei, mas, boa coisa não será. O massacre da Cultura, daqui e acolá não para um minuto. O aprisionamento do Judiciário, uma constante. Trump nomeou uma ultradireitista para a Suprema Corte, obtendo a maioria dos votos, caso o nome escolhido seja aprovado pelo Senado.
    O negacionismo, o terraplanismo, a volta da guerra fria, agora contra a CHINA, a nova ameaça ao poder americano.
    Tudo isso e muito mais, se insere na manipulação das consciências através das mídias digitais.
    Trump já avisou, que não reconhecerá a provável vitória de Joe Bidem. Se der certo, será copiado e ninguém mais largará o poder, uma vez conquistado, através de mentiras e promessas mirabolantes, que nunca serão cumpridas.

    • Confundir Trump e Bolsonaro com nova política é atitude de má-fé contra a possível e necessária Nova Política capaz de fechar a fábrica de corruptos e conter as aberrações impostas pelo sistema podre que tem a mídia tradicional como fiel escudeira. Trump e Bolsonaro são fenômenos da velha política do velho sistema podre, da velha plutocracia putrefata com jeitão de cleptocracia e ares fétidos de bandidocracia, fantasiada de democracia só para enganar a tola freguesia. São, pois, produtos da velha política e de velha mídia, impostas pela velha política que usou as redes sociais, de forma criminosa, apenas ganhar alguns pontos percentuais a mais nas pesquisas do sistema podre. Não é a internet que é culpa de tudo isso que ai está, assim como o PT tb não é culpado sozinho do estágio lastimável a que chegou o Brasil e a política. E se não fosse a Internet, jamais teria sido possível desenvolver algum tipo de antídoto contra a massa falida que aí está há pelo menos 130 anos, porque as redes de mídias tradicionais são coniventes com tudo isso aí que ai está, como instrumento de manipulação de golpes, eleições e boiadas, adeptas do continuísmo que lhes convém, e não fala da possível nova política senão de forma maliciosa, de má-fé, tb como instrumento de manipulação das brasas para as suas respectivas sardinhas, como parte integrante do sistema podre.

  2. Uma das funções mais sórdidas a que são submetidas as Redes Sociais: é de escudo para pessoas inescrupulosas cometerem crimes de insultos, difamações, desqualificações etc. O mesmo papel dos espectadores, nos estádios, que servem para camuflar os covardes que xingam a mãe do árbitro! E isso não ocorre somente nas picuinhas interpessoais, não! Atualmente, os Estados Unidos comandam uma super rede de sabotadores, para desqualificarem e demonizarem tudo que se referirem à China e Rússia.
    Há até pessoas, que usam as redes sociais como telas, para imprimirem a frenagem dos seus últimos espasmos terrenos. Uma espécie de epitáfio em vida!

  3. Na década de sessenta, final daquele período de turbulências no Brasil e no mundo, teoricamente se dizia que o homem poderia ficar preso à tecnologia por ele criada.

    Faz 30 anos que somos invadidos seguidamente por novas expressões surgidas do desenvolvimento tecnológico, principalmente quanto às redes sociais:
    Fake News, Facebook, Instagran, E-mail, Watts, TikTok, YuoTube, Smart, celular, LapTop, Chat, Chamadas de Vídeo, Microcomputador, Tablet, Notebook, que simplesmente tomaram conta do mundo e delimitaram as nossas vidas pessoais, familiares e profissionais.

    A questão colocada por Gabeira sobre quando se dará a nossa libertação desse modelo de comunicação e informação, afirmo que, jamais!

    O homem está atrelado de tal forma a esse método, de poder contatar pessoas em qualquer canto do planeta, que a liberdade seria entendida como castigo, punição, e a humanidade entraria em desespero sem o celular e o que este aparelho possibilita.

    Observem:
    Tivemos um desenvolvimento científico e tecnológico nos últimos 80 anos, que o ser humano não conseguiu desde o seu surgimento há quatro milhões de anos!

    Mas, a mente humana, e da maioria absoluta das pessoas não acompanhou esses avanços. Muitas retrocederam, inclusive, em face de aspectos religiosos, crenças e mitos.

    Logo, o uso indiscriminado das redes sociais se dá através de pessoas que a transformaram em redes de intrigas, de mentiras, enganos, más informações, calúnias, difamações, tanto para os seus mais variados e exóticos sistemas de obterem poder ou de se desvencilharem de quem são inimigas na política, na sociedade, na profissão e religião.

    As redes sociais não são exemplos de pessoas que cresceram em suas personalidades e caráter, pelo contrário, elas se escudam exatamente através do anonimato para ter a coragem de postar suas tolices, imbecilidade, mentiras, e informações deturpadas.
    Evidente que me reporto à maioria, pois uma boa parcela do povo usa as redes sociais de forma sadia, útil, respeitosa e educada.

    Agora, a política, as ideologias, interesses e conveniências de toda a sorte, dominam as redes sociais e fizeram delas um teatro de operações inescrupuloso, traidor, perigosíssimo para a manutenção da verdade.

    Como a maioria não tem referências a respeito da realidade; não possui senso de discernimento; capacidade crítica, ela mesma se vê enfronhada e envolvida no que ela mesma divulga, criando um mundo à parte, irreal, onde ela passa a maior parte do seu tempo teclando o celular para nada, a não ser para prejudicar quem ela quer ou quem lhe pediu ou mandou.

    Os robôs que fazem campanha para Bolsonaro e atuam neste blog, atestam o que afirmo:
    Vida inútil, apenas participando nas redes sociais para desinformar, mentir, e alegar conspiração contra o governo.

    A verdade é que o homem cada vez perde a sua liberdade porque ele perde seus movimentos de ir e vir, de constatar pessoalmente o problema, de alimentar as suas amizades com a sua presença, de manter o seu amor através de carinho físico, do sexo legítimo, e não apenas vendo pornografia ou mulher pelada!

    As redes sociais NUNCA aproximaram o ser humano, pelo contrário, distanciou-o mais ainda!
    As lembranças se tornaram mensagens; os afetos através de chamadas de vídeo; as ofensas por watts; correspondência via e-mail, e as diversões via YouTube.

    E a cabecinha ó, desse tamanhinho, de um grão de ervilha!

      • Discordo, Jaime, totalmente.

        Se a mídia perdeu a sua imparcialidade de antes, calcada na ética e moral, pelo fato de ter sido extremamente útil para o povo sobre informações e avisos de quando não íamos muito bem, porém hoje ela se mostra parcial, entendo a imprensa como reflexo de uma sociedade que destrói a si mesma, e com a mídia colaborando!

        Che, deixar de considerar a importância do rádio até a década de oitenta; as reportagens investigativas; os grandes editoriais; notáveis jornalistas; as revistas que surgiram, e cito a Realidade, a irreverência de um Pasquim – não, a imprensa não pode ser assim classificada, Jaime.

        Observa:
        Se à época de Lula, havia parte da mídia que o endeusava, a razão era pelo dinheiro recebido.
        Mas, aonde a imoralidade?
        Houve falta total de ética, mas alguém pagar para que falem bem dele e do seu governo não seria uma relação meramente comercial?

        Agora, onde parte da imprensa apoia Bolsonaro e, a outra parte, age como opositora, evidente que propagar a administração atual sem que o Planalto molhe a mão dos veículos de comunicação, mas não mesmo!

        Claro, a mídia virou, na sua maior parte, um jogo de interesses e regado a muito dinheiro.
        Uma vez a torneira se fechando, o berro surge com força.

        Depois, desde antes da eleição, Bolsonaro ameaçava cortar as verbas públicas de propaganda oficial, e elegeu como sua inimiga nº 1 a Rede Globo.
        Ora, simplesmente a maior cadeia de TVs do país e da América Latina, o presidente declarou guerra!

        E tivemos momentos entre a presidência e a Globo de luta livre, de agressões e insultos.
        Pergunto:
        trata-se de um comportamento adequado de um presidente?
        O que fez a Globo antes de Bolsonaro vener as eleições, que ele já a classificava como inimiga de Estado?

        Nunca antes na história tivemos tantas encrencas com a mídia como neste governo.
        Será que as críticas existem por que Bolsonaro faz um bom governo?
        Evidente que não!

        Logo, se parte da imprensa sonega informação para o povo, ainda bem que temos uma parcela opositora, que nos mostra o quanto essa administração deixa a desejar, e nos aspectos mais cruciais e importantes para o povo e país.

  4. – O homem contemporâneo padece de uma profunda frustração. Ele pensou que as maravilhas tecnocientíficas fossem trazer-lhe a tão sonhada autossuficiência, e com ela determinar o fim dos seus problemas existenciais. Ledo engano, sua expectativa surtiu efeito contraproducente, o tiro saiu pela culatra. Pois, à medida que a sociedade passa a depender de parafernálias, mais as pessoas vão ficando robóticas, frias, materialistas, individualistas: quanto mais densa a multidão; maior será a solidão.
    Resta buscar amparo naquele colo abnício da nossa espécie, o Sagrado. Mas eis que já se encontra privatizado, não nos é mais possível estabelecermos com ele uma relação enteogênica. Sua senha de acesso caiu nas mãos de sacripantas, os quais cobram um preço altíssimo, para ao Altíssimo nos encaminhar.
    Porém, nem tudo está perdido àqueles que resistirem à extorsão divina, eles continuarão com Deus, mas ao deus-dará! –

  5. Vide mídia da melhor qualidade. “BUEMBA, BUEMBA, rola de Zé Neto vira atração nacional. E se eu disser que a RPL-PNBC-DD-ME, a revolução redentora da política, do país e da população, mudando o que se deve mudar, é uma espécie de rola do Zé Neto, da dupla Zé Neto e Cristiano, contra os roscofes patentes dos machões Bolsonaro e Lula, já, ou o mais tardar em 2022, será que Ela, a Revolução Redentora, conseguirá ganhar algum espaço na mídia luso-tupiniquim-agregados para mostrar-lhes o que é e a que veio ? https://www.youtube.com/watch?v=R4BUyS5qF1Y&fbclid=IwAR0QCSF29FMD036Zr9Ydt59topbbpM2n-W_cBdgPj36n4VJC3mF-ofxGO70

  6. O maior problema das redes sociais é o poder quase absoluto de quem as controlam. Está em jogo a liberdade de expressão, um fundamento das democracias modernas. Quem escreve os algoritmos que impulsionam as redes pode manipular a transmissão das informações. Esse é o maior perigo.
    Lembro-me do vídeo onde os executivos do Google lastimavam a vitória de Donald Trump e afirmavam que não permitiriam que tal fato se repetisse.
    O Facebook e o Twitter tem algoritmos (e censores humanos) que selecionam as idéias a serem divulgadas.

    Nos EUA há inúmeros depoimentos de ex-funcionários dessas gigantes sobre como mensagens religiosas, liberais ou conservadores são impedidas de circular e de como os seus autores são censurados. “O meio é a mensagem”, quem controla o meio controla o (nosso) pensamento.

    “O mundo que não pensa”, de Franklin Foer, um jornalista que trabalhou para o Facebook, é um ótimo livro sobre o perigo potencial dessas gigantes tecnológicas.

  7. “… usar a insegurança e a ansiedade das pessoas para torná-las dependentes do uso das redes …”
    As redes apenas estão utilizando o descerebro! Não vou me alongar no tema, por este lado de abordagem.
    Se não reconhecer-se o grau de descolamento mental, do elevado nível de infelicidade, da descrença em valores e da queda de qualidade do pensar e agir, tudo que for feito para entender o que acontece nas redes sociais e na troca de “lixo”, não será compreendido.
    Ao contrário do que era possível se esperar, quanto mais informação, menor é o conhecimento, o discernimento de uma massa enorme da sociedade.
    Pense comigo. Quando um idiota, um desqualificado consegue iludir, aliciar e comandar parcela importante de uma sociedade, que qualidade tem este conjunto de pessoas?
    Ah, e elas são assim por que os políticos, …. Por quer os governos…., por que o estado ……
    O texto tem tudo, é tudo o que se precisa para mostrar como não se chagar a verdade! O olhar para a descoberta, está virado para o lado errado!
    “O atilado pergunta a si a causa de seus erros. O tolo pergunta aos outros!”
    Fallavena

  8. Em tempo. A figurinha que ilustra o texto, é sensacional! Fala por si só!
    A imensa maioria é dependente eletrônico, facilmente manipulável e transportador de lixo das redes sociais!
    O pior é que vota!

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