O discurso de Dilma na ONU e a disputa da Presidência em 2014

Dilma na ONU

Acílio Lara Resende

A presidente Dilma Rousseff, em tom indignado, achou menos difícil incrementar sua campanha à reeleição distante do território pátrio, a partir do seu discurso, anteontem, na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. De olho no eleitorado brasileiro, mas sem a presença física do presidente Barack Obama, dos Estados Unidos, pediu a “regulamentação internacional para o uso da internet”. Vale dizer, quer impor rígido controle à espionagem…

Todavia, na verdade, a presidente sabe que não há nada o que fazer. Pois nada seria capaz de impedir ou contrariar tal prática mundial, além da tomada de precauções pelos “interessados”, no sentido de evitar que os responsáveis sejam pegos de calças na mão, como insinuou o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Francisco Rezek, na entrevista que concedeu ao último programa “Roda Viva”. Esta, sim, seria, sem dúvida, a escandalosa vergonha…

Voltando ao território pátrio, reconheça-se desde logo que a saída do PSB da base do governo Dilma Rousseff pode ter tirado o ex-presidente Lula da Silva de merecido repouso. Depois de algum tempo fora do jogo, ele tenta, aos poucos, costurar algumas alianças, mas foi claro ao dizer que, no caso dos socialistas, faltou conversa. Em entrevista à Rede Brasil Atual, afirmou que está no jogo e que terá o “papel que Dilma quiser”. Seu apoio, segundo reconhece, será menor do que foi em 2010.

Na versão, porém, do governador de Pernambuco e presidente do partido, Eduardo Campos, a responsabilidade do que de fato aconteceu se deve ao ministro da Educação, Aluísio Mercadante, e ao presidente do PT, Rui Falcão. Teriam sido esses senhores, juntamente com alguns dirigentes do PMDB, os maiores responsáveis pela saída (do Ministério da Integração Nacional) do afilhado de Campos, Fernando Bezerra, e, enfim, pelo seu desligamento da base do governo.

A presidente Dilma Rousseff, ainda segundo o governador de Pernambuco e, agora, candidato à Presidência da República, teria caído numa esparrela, que é uma armadilha de caça, mas que quer dizer também logro, cilada, engano. Vale dizer, a presidente deixou-se cair no logro, obviamente, arquitetado por alguém. No caso, por dois companheiros…

INARREDÁVEIS

Temos, então, praticamente já bem-definidas, duas candidaturas aparentemente inarredáveis: Dilma e Eduardo Campos. A terceira, de Aécio Neves, sobretudo a partir desta campanha nacional do PSDB (“Vamos conversar?”), está em franca e definitiva consolidação no partido, com ou sem a permanência no ninho tucano de José Serra.

O ideal, dizem alguns tucanos experientes e ainda ligados ao ex-governador de São Paulo e candidato três vezes à Presidência da República, seria sua presença ao lado de Aécio como candidato ao Senado. Serra, no entanto, que faz questão de afirmar que só tem um porta-voz – ele próprio –, na expectativa de que Marina Silva não concorra, por falta de registro do seu partido, segue sendo a esfinge que sempre fez questão de ser. No fundo, alimenta a ilusão de que, pela quarta vez, em outubro de 2014, seria seguramente imbatível nas urnas.

Algum filósofo, cujo nome não me lembro agora, disse que nunca se deve fazer “previsão sobre o futuro”. Não obstante, me atrevo a dizer que Dilma Rousseff, Aécio Neves e Eduardo Campos enfrentarão, provavelmente, na disputa de 2014, um dos dois: José Serra (menos provável) ou Marina Silva (mais provável). (transcrito de O Tempo)

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