O eleitor de hoje e o eleitor do futuro

João Batista Libânio

No meio ao desprestígio generalizado do mundo político que as manifestações de junho tão fortemente sinalizaram, o projeto “Eleitor do Futuro”, do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais, lança sementes de esperança. O eleitor de hoje se sente desiludido, ludibriado e enganado por jogadas políticas sorrateiras. Escolhe alguém com um programa e ei-lo depois a vender-se a interesses opostos.

O TRE-MG aposta na infância e na juventude. Por isso, está a organizar encontros com alunos das escolas públicas e particulares para debater com eles temas fundamentais da vida política: cidadania, partidos políticos, eleições e voto no processo democrático.

Além da conscientização do significado do voto, incute-lhes a necessidade imprescindível para a democracia da participação popular social e política em todos os níveis. Participar vai muito além de votar. A redução democrática ao simples ato de votar tem gerado enfermidades graves nos atuais regimes políticos dos países ocidentais.

O projeto “Eleitor do Futuro” pretende aprimorar e ampliar o projeto “Justiça Eleitoral nas Escolas” que a Escola Judiciária Eleitoral executava até o ano passado. Planeja estratégia para que essa Justiça especializada se aproxime das crianças e dos adolescentes dos ensinos fundamental e médio e de outras instituições de educação complementar para formá-los na participação cidadã.

No fundo, estão em jogo o conceito e a prática concreta da cidadania. Que significa preparar a geração jovem para exercer amanhã o direito e o dever de cidadão? O TRE-MG obriga-se então a repensar, em profundidade, o sistema eleitoral do país para que ele no conjunto forme o cidadão de amanhã.

CIDADANIA

Breve reflexão sobre a origem do próprio termo cidadania já nos aponta algumas pistas. A etimologia do termo carrega rica experiência que, interpretada em termos de hoje, sinaliza por onde andar. Na raiz da palavra cidadania se esconde a ideia de cidade – civitas – para dizer-nos que o ser humano acordou para ela quando se urbanizou. E por quê? Antes se vivia no mundo rural. Nele, a consciência das pessoas se via bloqueada pela própria matriz da natureza e pelas relações sociais dominantes.

Desde criança, o olhar do homem do campo se defrontava com a regularidade intocável do ritmo da natureza e com a força opressora dos senhores do campo. O que se pode fazer, quer diante do inexorável fluir dos astros, quer dos caprichos dos dominadores? Os verbos soavam: submeter-se, adaptar-se, acomodar-se e esperar por dias melhores. A iniciativa humana se reduzia a pouco.

No mundo urbano, pelo contrário, tudo parece ser criado por nós. Então, se nos despertam possibilidades e obrigações de dispor de tais empreendimentos em vista do bem próprio e dos outros. No entrecruzar dos interesses pessoais e sociais nasce a cidadania. E então cabe mostrar às crianças e aos adolescentes o que lhes toca fazer para criar mundo de convivência humana, fraterna e justa. E a política existe principalmente para favorecê-la e só tem sentido se a realizar. Nesse horizonte se entende o dever e o direito de votar. (transcrito de O Tempo)

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3 thoughts on “O eleitor de hoje e o eleitor do futuro

  1. Ótima iniciativa. O problema é: O que será ofertado de ganho imediato a estes jovens para despertar neles o interesse pelo tema? É o mal da sociedade consumista contemporânea. Mas concordo que só com educação teremos ótimos cidadãos no futuro.

  2. Programa de governo, qualquer cientista político faz um de encher os olhos até dos mais
    críticos8MPM. O problema é credibilidade. Dilma, Lula e os demais candidatos tem credibilidade?
    Saber votar é perceber que nenhum deles merece seu voto.

  3. Difícil vai ser fazer uma criança – como é para qualquer pessoa com um mínimo de coerência – entender como um ex-advogado do presidente da república e do partido do governo, que jamais publicou um gibi (notório saber jurídico?); que respondia a processo na Justiça amapaense quando de sua indicação e posse no STF (reputação ilibada?); amigo e subordinado de um réu em ação penal, empossado, não se considerou impedido de julgá-lo, presidirá o TSE nas eleições 2014. #PToffoli

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