O elenco não está definido

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Tostão (O Tempo)

Espero que o governo, pressionado pelas manifestações de rua, desista de anistiar todas as dívidas dos clubes, em torno de R$ 4 bilhões. Seria um escândalo. Justificar o perdão com as contrapartidas sociais é uma enganação.

Outra decisão do governo deveria ser a de se empenhar, e não apenas dizer, em acabar com as infinitas reeleições na CBF, nas federações e nos clubes, defendidas por Marín. Mesmo se fossem ótimas administrações, teriam de mudar. Ao contrário, são muito ruins. A promíscua troca de favores é uma praga nacional. Futebol brasileiro não é apenas seleção e Copa do Mundo.

No sábado, em Brasília, no novo estádio de R$ 1,4 bilhão, administrado pelo Estado, já com o gramado ruim, o Brasil enfrenta a Austrália. O elenco não está definido. Nem todos os titulares e reservas presentes na Copa das Confederações estarão bem no Mundial. Com tantos fatores favoráveis ao time brasileiro, outros jogadores, se tivessem jogado a competição, também seriam destaques.

As más atuações e as contusões de Fred no Brasileirão eram esperadas. O excelente Fred da Copa das Confederações, que se movimentava muito, dava passes e fazia gols, não é o mais frequente. Além das ausências, o Fred mais comum é o que joga estático, esperando uma bola para fazer o gol. Jô, quando entrou na seleção, também marcou. Ele tem atuado mal no Atlético.

Bastou Pato fazer dois gols para ser aclamado e convocado, em parte porque não há outro centroavante. Eu também o chamaria. Porém, discordo das muitas opiniões de que Pato tem, indiscutivelmente, uma grande técnica e que não joga melhor porque não possui o espírito do Corinthians. Ele é um bom atacante, pode atuar melhor, mas nunca mostrou esse enorme talento.

Pato já foi capa da revista “Caras”, namorou estrela da TV Globo e tomou Campari com o ex-sogro, o milionário, o poderoso, o inescrupuloso Berlusconi. Pato se tornou uma celebridade, sem ter sido craque nem ter tido uma sequência de ótimas atuações na seleção. É um exemplo da busca por celebridades e da espetacularização dos fatos.

Após a Copa das Confederações, o mundo descobriu o óbvio, a enorme importância de uma seleção de tradição jogar em casa, ainda mais se tiver um bom time. O Brasil passou a ser um fortíssimo candidato, talvez o maior, para ganhar o Mundial. A Argentina, e não Alemanha ou Espanha, seria o mais forte concorrente, pois cresce a opinião, que não sei se é tão decisiva, de que os europeus jogam mal na América do Sul.

LIDERANÇA

O Cruzeiro continua muito bem no Brasileirão. Apesar dos cinco gols, não gostei da atuação de Ricardo Goulart como centroavante. Ele não é especial para ser titular fora de sua posição. É melhor Borges ou Vinícius Araújo, que merece o apoio da torcida, insatisfeita com o jogador pelo gol perdido contra o Flamengo. Júlio Baptista fez um belo gol de falta. Mesmo quando não atuar bem, ele pode ser decisivo nas jogadas aéreas e nas cobranças de falta.

Desconhecia a qualidade de Lucas Silva nas finalizações de fora da área. O segundo gol foi espetacular. Com as ausências de Souza e, principalmente, de Nilton, a defesa ficou mais desprotegida. Nilton, além de jogar muito bem, é o mais regular jogador do Cruzeiro, ao lado de Fábio.

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4 thoughts on “O elenco não está definido

  1. Sempre procurou privilégios de quem tinha o poder, acontece também agora com a rede de tv, induziu o povo a não votar em Brizola, pois este discordava dos privilégios do dono do jornal e da rede de tv, apoiou Collor e quando viu que não angariava nada, tratou de destruí-lo.
    Esta reflexão de agora chegou um pouco tarde, o país talvez tivesse uma boa educação, saúde e segurança, pois ajudou a destruir tudo que Getúlio Vargas construiu, quando apoiou as privatizações de FHC, onde empresas estatais lucrativas foram vendidas a preço de banana, este é o legado do apoio que prestou a sociedade.

  2. É impressionante que tudo de mal é a Globo e a Veja e muitos que criticam ficam ligados na Globo saboreando o detestável Galvão Bueno, as Telenovelas, Jornal Nacional, Faustão e outros. Na época das privatizações quem daria mais pelas estatais? Como estaria o sistema de telefonia se não fosse privatizado? Agora, mudou a regra, é parceria pública-privada, é concessão, tudo isso por que nenhum governo consegue melhorar as empresas. Talvez não seja ótima ideia perdoar os clubes, mas será que eles aguentarão o rojão, ou alguns serão fechados? Ainda bem que foi aprovado em Comissão no Senado o projeto de mandato de quatro anos para presidente de clubes e federações, com direito apenas uma reeleição. Era isso que eu vinha falando a mais de cinco anos. Parabéns Senador Cássio Conha Lima (PSDB-PB)

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