O empresariado e o livre comércio

Guilhermina Coimbra

As funções comerciais são indispensáveis e  necessárias ao interesse do consumidor de cada um dos países em desenvolvimento de onde são originais os industriais-comerciantes-alvos da doutrina do livre comércio. A ausência de saber por falta de informação do empresariado do país em desenvolvimento é ganho certo para os mal intencionados doutrinadores do livre-comércio.

O objetivo dos doutrinadores do livre comércio é o de aproveitar todas as circunstâncias e colocar o empresariado do país em desenvolvimento, na posição de mero provedor e servidor do mercador deles. Muito distante, portanto, da condição do empresariado independente, no exercício das atividades de suas funções industriais e comerciais, objetivo do empresário de Estado em desenvolvimento.

O empresariado brasileiro e o sul-americano desconfiam, acertadamente. Conseqüentemente, resistem em deixar predominar o mal intencionado comércio livre. A consciência é a de que, no livre comércio, os interesses públicos secundários sobrepujam a qualquer preço, os interesses públicos primários, sem se importar com as conseqüências que possam advir.

INTERESSES SECUNDÁRIOS

 Os interesses públicos secundários são os interesses dos governantes e, ou, dos terceiros interessados no comércio livre, que podem ser o lobista, o representante comercial,  o testa-de-ferro e outros. Pesquisadores preocupam-se com as várias formas de assédio moral sofridas pelo empresariado dos Estados em desenvolvimento.

Uma delas é a de fazer acordos entre os próprios interessados em implantar o livre comércio, demonstrando expressa e explicitamente que se os empresários dos Estados em desenvolvimento não aderirem aos tais acordos,  estarão fora do mercado internacional. A outra é a de diminuir nos respectivos países importadores doutrinadores do livre comércio, provisória e casuisticamente, a carga de tributos à importação. Ou diminuir provisória e casuisticamente a carga de subsídios concedidos às indústrias nacionais dos países dos interessados em liberar o comércio.

Muito comum é a de conceder benefícios casuísticos de maneira desproporcional, relativamente aos demais exportadores. Outras formas de assédio moral diretamente dirigida aos empresários dos Estados em desenvolvimento são:

– não permitir que participem de cursos de capacitação no exterior;

– não permitir a inclusão dos empresários do Estado em desenvolvimento-alvo, nos rodízios para ocupar posição de destaque em organizações de interesse do comércio;

– e também, a de isolar, de conhecimentos contrários à liberalização, o país em desenvolvimento-alvo da doutrina do livre-comércio.

PRESA FÁCIL

 Quando o empresário original de país em desenvolvimento carece de traquejo na prática do comércio internacional,  ocorre uma situação peculiar, que tornará o empresário-alvo uma “presa fácil” ou a maior vítima dos interessados em liberar o mercado no país em desenvolvimento.

Daí o entendimento de que livre comércio jamais pode ser bom para Estados em desenvolvimento, cujas indústrias embrionárias carecem de infra-estrutura (rodovias, ferrovias, portos, mão-de-obra especializada) que permitam ao empresariado dos referidos Estados, concorrer livremente em mercados alienígenas.

Para sorte dos consumidores dos Estados em desenvolvimento, o empresariado de seus Estados já perceberam que o livre comércio nada mais é do  que uma forma dar acesso  livre, ao excesso de produtos fabricados fora das jurisdições dos Estados em desenvolvimento.

Já perceberam inteligentemente, que o objetivo do livre comércio é o de invadir e tornar cativo – dependente – de produtos importados e livremente comercializados pelos acordos de livre comércio,  o imenso mercado consumidor brasileiro e sul-americano. Desempregando, na América do Sul, para empregar fora do Continente Sul-americano.

E já perceberam, também, que demonstra inteligência a união sul-americana, nos moldes da exemplar União Européia. A união, não é contra este  ou aquele país fora da América do Sul, porque os sul-americanos  sempre foram inclusivos. Mas, é questão de inteligência~, lembrar sempre que a união faz a força e unidos os Estados sul-americanos terão a força necessária para comerciar de igual para igual. com os países dos demais Continentes   

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4 thoughts on “O empresariado e o livre comércio

  1. Como o mundo é cheio de países concorrentes e o Brasil é daqueles que não atraem investimentos por falta de infra-estrutura e tributação absurda, a coisa vai ficando cada vez pior.

    Para não falar na educação científica que é precária e não cria tecnologias próprias.

  2. HOje em dia empresários estão tentando sobreviver nesta terra de impostos e tributos para todos os lados, logo vão acrescentar mais um imposto sobre o ar que respiramos.
    Não há empresário hoje em dia que não passa a perna na dona receita para poder se manter com as portas abertas.

  3. Um País para dar bom Padrão de Vida a seu Povo precisa se Industrializar. Primeiramente para substituir Importações, e depois, “o pulo do gato”, para exportar Produtos Industrializados de grande Valor Agregado. Essa é a parte mais difícil mas não impossível. Ora, como vai fazer isso se opera em Regime de total “Livre Comércio”. Impossível. A Inglaterra era a maior campeã do Livre Comércio enquanto teve a supremacia Industrial, (Revolução Industrial, etc), mas quando perdeu a Hegemonia para os EUA, ali pelo fim da Primeira Guerra Mundial, ligeirinho passou para a “Política de Protecionismo”. Concomitantemente os EUA no começo eram “Protecionistas”, Política de Industrialização de Alexander Hamilton, etc, mas quando atingiram supremacia Industrial, como por mágica se tornaram ardorosos propagandistas do “Livre Comércio”. Dá para desconfiar do Porquê? Abrs.

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