O ensino de javanês, revisitado por Geraldo do Norte

O radialista, declamador, letrista e poeta Geraldo Ferreira da Silva, nascido em Parelhas (RN), mais conhecido como Geraldo do Norte, “O Poeta Matuto”, inspirou-se no conto O Homem Que Sabia Javanês, de Lima Barreto, para escrever a letra de “O Idioma Javanês”. Esta música deverá fazer parte do próximo CD de Ibys Maceioh.

O IDIOMA JAVANÊS 
Ibys Maceioh e Geraldo do Norte                                                                        
Num país onde o ensino
Nunca foi para matuto
Compra diploma o granfino
De pergaminho Fajuto
O grande Lima Barreto
Em um conto num livreto
Disse o que um malandro fez
Pra arrumar um numerário
aprendeu num dicionário
Dar lições de javanês
Com a moral fora da vez
Castelo, o seu personagem
Vai findar por mais um mês
Sem pagar a estalagem
fugindo pela janela
Dormindo sem acender vela
Com medo do português
Um dia leu um anúncio
Um forte e claro prenúncio
De ser mestre em javanês.
Aí sabe o que ele fez?
foi numa biblioteca
na marra e sem altivez
Pediu a um velho careca
Algum livro sobre Java
E tudo o que encontrava
anotava com avidez
Procurava assim um rumo
Que desse para consumo
Nas aulas de Javanês
Mesmo notando escassez
Naquela pesquisa sua
Era aproveitar a vez
Ou ir p’ro olho da rua
Se o burro passou selado
Pra quê se fazer de rogado
Seria uma estupidez
Não encontrar o barão
Pra dar-lhe uma lição
Do mais puro Javanês
Se não der que morra Inês
É o que tinha pensado
Já que seu nobre freguês
Tinha ouvido e gostado
Adiantara até algum
Prá quebrar o seu jejum
E a cara de palidez
Pois a fome que curtia
Enfim teria alforria
Graças ao Javanês
Agora, vejam vocês
O barão ficou encantado
Em muito menos de um mês
Já tinha lhe apresentado
A burguesia da Corte
Onde passava a noite
Falando com polidez
Até para poliglotas
Que se sentiam idiotas
Por não falar javanês
E a sua desfaçatez
O levou até a Consul
Em diversos metiês
Ele chegava de sonso
Feito os espertos de agora
Que vão chegando de fora
Na mais alta sordidez
Quando um é pego ,chora
Talvez até fosse hora
De mostrar seu Javanês
E otario da vez
É sempre o povo,coitado
Que esquece com rapidez
Os malfeitores do Estado
Temos diversos Castelos
Desfilando em carros belos
Vestindo terno Francês
Explorando a fé alheia
E nem fazem cara feia
Pra exibir seu Javanês
Meu sonho é ver os dublês
De “171” na cadeia
Pra ver se a embriaguez
Do povo não se semeia
Ou o mundo vai a pique
Porque é muito cacique
Pra indiada na nudez
Que chega até a dar saudade
Daquela falso “amizade”
Que ensinava Javanês
Chega de sem-vergonhez
A humanidade não aguenta
É muito falso burguês
Um dia a corda arrebenta
Trabalho e dignidade
Se fosse mesmo verdade
Tivesse a alma uma tez
E coração uma cara
Seria uma coisa rara
Alguém ensinar Javanês
(Colaboração enviada por Paulo Peres –  site Poemas & Canções)
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3 thoughts on “O ensino de javanês, revisitado por Geraldo do Norte

  1. A música brasileira é conhecida e respeitada no exterior? Não, não é.
    Nunca fui ao exterior, nunca estudei música, não convivo com músicos de lá e de cá, não sou crítico musical e não ouço a programação de rádio de outras nações. Ué? Então como sei que nossa música não é conhecida no exterior? Porque eu raciocino. Eu observo, eu pesquiso e leio um pouco…
    VEJAM BEM, SE A MÚSICA BRASILEIRA FOSSE CONHECIDA LÁ FORA NÃO TERIAM OCORRIDO ESTES FATOS QUE RELATAREI:
    1974: Tom Jones veio ao Brasil e quando lhe perguntaram o que ele achava do Roberto Carlos ele respondeu:- Mas quem é Roberto Carlos?

    Não esqueço a cara de desprezo do Mick Jagger quando nos anos 70 o Robert Feith que era repórter da Globo lhe entrevistou em Londres e perguntou ao mesmo o que ele conhecia da música brasileira, música da América Latina…
    Ele conhecia tanto quanto eu conheço de Física Quântica, nada.
    Pela cara do inglês deu para perceber que além dele não conhecer nossa música ainda ignorava-o.

    O ex-Beatle George Harrisson veio ao Brasil no final dos anos 70 para acompanhar um Grande Prêmio de Fórmula 1 disputado em nosso país.
    Foi entrevistado por algum jornalista brasileiro que lhe perguntou sobre a música brasileira e ele respondeu: -No momento eu não posso falar sobre A MÚSICA BRASILEIRA, POIS EU NÃO A CONHEÇO, mas eu já comprei alguns discos e após ouvi-lo poderei dar uma opinião.

    1984: Vem ao Brasil Mick Jagger e diz que desconhece a música brasileira.

    No Rock in Rio de 1985 perguntaram ao Fred Mercury vocalista do Queen qual o cantor brasileiro que ele conhecia. Ele respondeu: Julio Iglesias.

    Década de 80: Evandro Mesquita faz um comercial da Pepsi com a Tina Turner.
    Tempos depois o cantor tupiniquim diz no programa do Clodovil coisas tipo: – Ah, a Tina Turner é uma pessoa maravilhosa que tem um papo agradável, gostei muito de trabalhar neste comercial com a mesma.
    Deu a impressão que o nosso músico teve algum diálogo com a Tina Turner.
    Bom, algum tempo depois a mesma vem ao Brasil e as páginas amarelas da Veja lhe pergunta:
    – Você fez um comercial com um cantor brasileiro, que achou dele?
    Ela respondeu: – Olha, eu não lembro dele, pois faço comercial com muitos músicos de muitos países e não posso me lembrar de todos.
    É, mas se ela fizesse comerciais com 50 Michael Jackson, 100 Mick Jagger e 150 David Bowie ela se lembraria de todos os 300, mas com Evandro Mesquita…

    Início dos anos 80: Em New Iorque Caetano entrevista Mick Jagger para a recém inaugurada TV Manchete.
    Tempos depois Mick Jagger vem ao Brasil e lhe perguntam sobre o Caetano e claro que ele não se lembrava do mesmo.

  2. E também, tenho um livro com todas as capas da Revista Rolling Stone, acho que até 2007 (40 anos de aniversário) e nunca um cantor nosso foi capa da mesma. Acredito que nas principais revistas musicais dos EUA e Inglaterra não dão atenção (principalmente ao estilo Rock n’Roll) à nossa música. Talvez alguma destas revistas estrangeiras tenha publicado umas 2 ou 3 reportagens sobre a banda Sepultura.
    Foram ao programa do Ed Sullivan os grandes músicos da época, até onde sei só uma brasileira (deve ter ido morar nos EUA quando ainda criança) cantou no seu programa. É desconhecida por aqui.

    Nossa mídia tupiniquim anda divulgando que Garota de Ipanema é a 2ª música mais divulgada e tocada no mundo só perdendo para Yesterday dos Beatles.
    Deveriam citar melhor a veracidade desta afirmação. Pesquisando aqui na Net encontrei alguns falatórios a respeito da fonte da notícia, coisas tipo: “De acordo com a editora do grupo Universal, que administra a comercialização da música”. Uma gravadora puxando a sardinha para sua lata.
    Quando o Tom se foi o Paulo Henrique Amorim (ainda na Globo) fez a reportagem para o Jorna Nacional e todo empolgado, emocionado e com ares de ufanista falou mais ou menos o seguinte: – … e Garota de Ipanema ao concorrer ao Grammy nos EUA concorreu com os Beatles. Agora, adivinhe quem levou o prêmio! O nosso Tom Jobim…
    Tá bom PHA, só lhe faltou você pedir permissão ao pessoal que produziu a notícia levada ao ar e falar que o disco que ganhou o Grammy (Getz/Gilberto) é um disco americano. O disco tem o DNA de um jazzista americano.
    Stan Getz, saxofonista de jazz americano conheceu a Bossa Nova, deve ter gostado e se entrosou com músicos brasileiros. Ele achou de gravar um álbum de jazz e bossa nova, convidou os brasileiros e fez o disco.
    No LP tem participação de João Gilberto (violão, voz), Tom Jobim (piano), Stan Getz (saxofone tenor), Sebastião Neto (baixo), Milton Banana (Bateria) e Astrud Gilberto (voz). O disco ganhou 2 Grammy (Melhor Álbum e Melhor Single).
    O produtor do disco é americano e a pintura da capa é de autoria de uma porto-riquenha. E notem que o título do disco é “Getz/Gilberto” sendo que o nome do músico americano vem primeiro. Ele é o protagonista (o personagem principal) do disco.
    Tenham certeza de que, se o LP fosse gravado no Brasil e só com músicos brasileiros disputariam na categoria Jaz Latino. Jamais concorriam na categoria principal.
    E tem mais, “Garota de Ipanema” é conhecida pelos americanos como (… uma das canções mais conhecidas do JAZZ LATINO, de todos os tempos.

  3. Eu sempre me interessei por livros, revistas ou jornais com listas de maiores e melhores. Agora com o advento da Internet passo horas e horas pesquisando lista relacionada ao mundo da música.
    Só em uma lista com as 365 melhores do século “Garota de Ipanema” está em 65º lugar.
    Desde julho de 2004 até hoje já devo ter visto umas 10 listas (feita por americanos, ingleses e outras nações da Europa) com as melhores músicas do Século ou de Todos os Tempos e só em uma (a que citei) a música brasileira é citada.
    No final de 2004 a revista americana Rolling Stone fez uma lista com as 500 músicas do século.
    Sabem quantas músicas brasileiras foram incluídas? NENHUMA.

    E o “gênio” Caetano todo alegre falou na TV que “Garota de Ipanema” concorreu com os Beatles e lhes arrebatou o Grammy. E diz também que Stevie Wonder cantou esta citada música no Rock in Rio para 100 mil pessoas.
    Ora Caetano, tenha santa paciência! O cantor norte americano no Brasil, só podia querer nos agradar. Coisa tão normal. Os três Tenores interpretaram um trecho de “Aquarela do Brasil” ao se apresentaram nos EUA na época da Copa de 1994.
    Muitos músicos estrangeiros se apresentam aqui e até nos dá uma canja cantando trecho de músicas brasileiras. Eles, até forçosamente tentam nos agradar.
    E se o Stevie Wonder cantou para 100 mil pessoas é que coincidentemente tinha lá 100 mil pessoas para verem o Stevie Wonder e outros músicos. Afinal ele estava em um festival em que se apresentaram vários artistas no mesmo dia e o público era o mesmo. Não significa que 100 mil pessoas foram lá só para ver o Stevie Wonder e que também estas 100 mil pessoas gostariam de ver o cantor americano cantar nossa música.
    É tão fácil entender estas coisas, mas o Caetano acha que a verdade dele é a verdade de todos.

    E EU com minhas observâncias, já notei (posso estar errado), que nos shows do Sinatra (tenho dois DVDs dele, um com seu show no Madison Square Garden em 1974 e outro com um show no Japão) ele não põe “Garota de Ipanema” no repertório. Nunca vi em seus shows ele cantar a nossa endeusada música.

    Anos após sua morte fizeram um disco com ele (Duets and Duets II) onde a tecnologia põe o mesmo cantando com Aretha Franklin, Barbra Streisand, Julio Iglesias, Gloria Estefan, Tony Bennett, Charles Aznavour, Liza Minnelli, Jon Secada, Luis Miguel e o nosso Tom Jobim.

    E a nossa mídia também tenta nos fazer crer que o Tom era um grande amigo do Sinatra. E eu contra isso? É mas não custa dar uma pesquisada nos fatos. Indo a um Sebo bem depois da morte do cantor norte americano deparei-me com um livro em inglês e com páginas um pouco grandes. Comecei a folear o mesmo e pasmem, não vi uma única foto e citações referentes ao nosso músico.
    Bom, sabemos, eu desde os anos 70, que quem faziam parte da turma do Sinatra era o Dean Martin, Sammy Davis Junior, Joey Bishop e o Peter Lawford que era cunhado do John Kennedy.

    Pouquíssimos cantores do 3º mundo são conhecidos e fazem sucesso no 1º. Eu citaria o Bob Marley, Peter Tosh, Jimmy Cliff e Santana que são da Jamaica e do México, mas são conhecidos no mercado americano.

    Acho que o americano e o europeu consideram nossa música uma coisa exótica…

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