“O erro é gastar mais do que arrecada”, diz presidente do Citi

Magalhães diz que a crise vai ser longa

Marcílio de Moraes
Estado de Minas

A crise econômica brasileira vai ser longa. Ao contrário de outros períodos da história, quando o comportamento da economia era revertido em curto prazo, agora a recessão vai esquentar lugar na vida dos brasileiros. A decisão da Standard & Poor’s de tirar do Brasil o grau de investimento (selo de país seguro para os investidores) deve ser seguida por outras agências de classificação de risco

A avaliação é do presidente do Citi no Brasil, Hélio Magalhães. “O resultado nominal das contas públicas, que foi déficit de 6,2% do PIB em 2014, este ano deve chegar a 8,7% do PIB e com a dívida crescendo de 51% para 67% do PIB do ano passado para este”, afirma o executivo.

GESTÃO FISCAL

Para Magalhães, o aspecto positivo do rebaixamento do país está no fato de despertar o governo para a necessidade de ter mais rigor na gestão fiscal (o que explica as medidas anunciadas pelo governo na semana passada).

“O Brasil tem reservas. O problema é a prática de gastar mais do que arrecada, o que deixa o país numa condição de risco maior para os investidores”, afirma o presidente do Citi no Brasil, que passou por Belo Horizonte para uma série de compromissos, no início do mês.

Em entrevista ao Estado de Minas, ele avaliou que a economia brasileira terá queda neste e no próximo ano, mas com a inflação caminhando para o centro da meta.

REBAIXAMENTO

A seu ver, o downgrade (rebaixamento da nota de crédito) do Brasil pela Standard & Poor’s não é uma atitude isolada. “Se você olhar o resultado nominal das contas do governo, incluindo os juros, no ano passado foi negativo de 6,2% do PIB e este ano deve ficar em –8,7%. Então, são três anos seguidos de déficit e as agências olham isto: como está a disciplina fiscal, como estão os gastos e a dívida como está. E a dívida do Brasil está crescendo, ela vai sair de 51% do PIB para 67% neste ano. O Brasil tem reservas, mas o problema é essa prática de gastar mais do que arrecada. Com isso, as agências veem um risco maior para os investidores.

FUGA DE CAPITAL

Os fundos de investidores estrangeiros no Brasil tinham R$ 950 bilhões no Brasil e desse valor, metade está na renda fixa (em títulos do governo) e metade na renda variável (em ações).

“Alguns não vão querer sair para não realizar um prejuízo com a venda dos ativos ao fazer a conversão de real para dólar. Então, tem fundo que não vai sair. Agora, os que forem obrigados a sair vão fazê-lo. Na renda fixa, se 20% dos investidores estrangeiros saírem estamos falando de R$ 150 bilhões a R$ 200 bilhões. Na bolsa é um pouco pior porque quando o capital estrangeiro sai a ação perde valor. Mas se considerarmos que do volume de investimento estrangeiro na bolsa 20% podem sair num movimento rápido, estamos falando de outros R$ 150 bilhões a R$ 200 bilhões. Então, estamos falando de uns R$ 400 bilhões”, assinalou.

(Reportagem enviada pelo comentarista Wilson Baptista Jr.)

6 thoughts on ““O erro é gastar mais do que arrecada”, diz presidente do Citi

  1. Bom artigo.

    Esse movimento de fuga de capitais vai trazer uma pressão incrível sobre a nossa moeda. A continuidade do movimento de desvalorização cambial é inevitável.

    O Banco Central terá de começar a queimar as nossas reservas. Aí é que a coisa vai ficar muito perigosa para o país.

    Já estamos no começo do quadro de desequilíbrio cambial e logo-logo perderemos a capacidade de controlar o dólar. Com isso, perderemos, também a capacidade de controlar a inflação na porção de peças e componentes importados que compõem nossos produtos.

    As empresas que possuem dívidas em dólares – caso da petrobras – estarão em dificílima situação.

    Por onde se olha na economia só se vê destruição e aprofundamento da crise.

    Até 2018 o “fedor” das deteriorações econômica e social será insuportável.

  2. Que pena que essa boa análise de nossa situação Fiscal foi feita pelo Presidente de um Banco Internacional, CitiBank de Nova York, em vez do presidente do Banco do Brasil SA. E o Sr. HÉLIO MAGALHÃES (CitiBank ) ainda foi muito Educado quando diz: O erro do Governo Federal é gastar mais do que Arrecada. Deveria explicitar mais: Gastar em CUSTEIO mais do que Arrecada. Abrs.

  3. A recessão induzida pelo devastador relaxamento da política fiscal e pelo represamento dos preços administrados perpetrados por Dilma e Mantega para falsear a realidade econômico-financeira do país e garantir a reeleição de Dilma continua deteriorando o mercado de trabalho.

    O CAGED – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho – informou hoje o comportamento do mercado de trabalho com carteira assinada em agosto: fechamento de mais 86.543 postos de trabalho formal.

    De janeiro a agosto de 2015 o comportamento é de fechamento de 572.792 postos de trabalho formal. E computados nos últimos doze meses, até agosto, fechamento de 985.669, isto é, fechamento de quase um milhão de postos de trabalho com carteira assinada.

    Veja a tabela:

    Evolução do emprego no Brasil por setor de atividade econômica (últimos doze meses – setembro/2014 a agosto/2015):

    ——————————————————————————————————————-
    SETORES………………………………………ADMISSÕES……DESLIGAMENTOS…….SALDOS
    ——————————————————————————————————————-
    Extrativa mineral…………………………….45.095………………58.717……………….-13.622
    Indústria de Transformação……….3.144.516………….3.619.226………………-474.710
    Serv. Ind. De Utilidade pública………..92.416………………95.515………………….-3.099
    Construção Civil…………………………2.269.786………….2.655.035………………-385.249
    Comércio…………………………………..4.876.046………….4.919.595………………..-43.549
    Serviços…………………………………….7.792.084………….7.833.294………………..-41.210
    Administração Pública…………………….85.794………………94.655………………….-8.861
    Agricultura…………………………………1.090.503………….1.105.872………………..-15.369
    ——————————————————————————————————————–
    Brasil……………………………………….19.396.240………..20.381.909………………-985.669

    Fonte: CAGED/MTE.

  4. x
    x
    x
    x

    Estoque de Emprego Celetista – série com ajustes. (agosto/2015):

    ——————————————————————————————————————
    SETORES……………………………………………….Qtd. de Trabalhadores……………(%)
    ——————————————————————————————————————
    Extrativa mineral……………………………………………..212.948……………………..0,53
    Indústria de Transformação…………………………..7.937.884……………………19,62
    Serv. Ind. De Utilidade pública…………………………..417.548…………………….1,02
    Construção Civil……………………………………………..2.887.422…………………….7,15
    Comércio……………………………………………………….9.192.632…………………..22,61
    Serviços……………………………………………………….17.419.587…………………..42,77
    Administração Pública……………………………………….908.795……………………2,23
    Agropecuária………………………………………………….1.655.877……………………4,07
    —————————————————————————————————————–
    Total das Atividades………………………………………40.632.693………………..100,00

    Fonte: CAGED/MTE.
    Elaboração: própria.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *