O estranho resumo da opera nas eleições dos EUA

Escolher entre Trump e Hillary é uma opção desalentadora

Ruy Castro
Folha

Bob Dylan foi o 385º Nobel ganho pelos EUA desde a instituição do prêmio, em 1901. Os EUA são, disparados, o país que mais levou o Nobel, mais do que os conquistados pelos cinco países seguintes —Reino Unido, Alemanha, França, Suécia e Rússia— somados. Claro que, se até Bob Dylan já ganhou um Nobel, pode haver outros americanos duvidosos nas demais categorias. Mas é inútil. Eles são tantos, em física, química, medicina, literatura, economia e até no da paz, que, na maioria dos casos, o Nobel deve ter acertado.

E não é só no Nobel que os americanos exorbitam. Segundo um ranking respeitável, 13 das 15 melhores universidades do mundo estão hoje nos EUA – as outras duas, Oxford e Cambridge, na Inglaterra, são a sexta e a sétima. A primeira, Harvard, em Massachusetts, foi fundada em 1636, quando os EUA, ainda colônia, eram habitados quase que exclusivamente por búfalos.

É DURO COMPETIR – Na área das invenções em qualquer departamento, é duro competir com eles. De 1830 para cá, metade do que se apresentou de importante no mundo saiu dos americanos —do alfinete de fralda às impressoras rotativas, a metralhadora, a calça jeans, a gilete, o arranha-céu, a reportagem, o e-mail, o mouse, o touch screen. Uma ideia levava à outra: o mesmo sujeito que inventou o chicletes, Thomas Adams, inventou a máquina para vendê-lo, bastando enfiar uma moeda. O inventor da cadeira elétrica foi um dentista, Alfred Southwick, que teve um cliente eletrocutado por acidente em sua cadeira no consultório. E por aí vai. O que eles não inventaram, como a lâmpada elétrica, o cinema e o avião, apoderaram-se.

Sem falar no que devemos a seus humanistas, juristas, médicos, atletas, músicos, filantropos.

 

O incrível é tudo isso ter acontecido para, de repente, a vida se resumir a Hillary Clinton vs. Donald Trump.

4 thoughts on “O estranho resumo da opera nas eleições dos EUA

  1. Sei não…
    Nunca na minha vida, pensei que um dia sentiria pena dos EUA.
    Na minha opinião, ninguém merece Hilary ou Trump.
    Qualquer um que vença a eleição, o EUA nunca será o mesmo…
    Será a derrocada do Império?

  2. “…se até Bob Dylan já ganhou um Nobel, pode haver outros americanos duvidosos nas demais categorias”. Robert Zimmerman, nosso Bob Dylan, transcende sua nacionalidade, bem como as categorias a que pode concorrer no que diz respeito a prêmios (aliás, ganhou vários; e não foi por ser estadunidense). O escritor do artigo foi profundamente infeliz ao comparar politicalha, que existe em qualquer rincão espalhado pelo mundo, desenvolvido ou não, com o mérito inquestionável de um dos grandes gênios da humanidade. O articulista deve ser mais um desses tolinhos que ainda falam em “imperialismo”, “porcos imperialistas” e bolores afins.

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