O excesso de informação, de imagem banaliza o mundo, banaliza o homem.

Ofelia Alvarenga

O glamour dos anos 60 será repetido? Não creio. Foi uma década especial, para o bem e para o mal. Não havia internet, não havia celular, as distâncias não eram cobertas tão facilmente quanto agora e muito menos a cores. Talvez por isto mesmo o que se via era de uma dignidade que impressionava.

Aquele filminho em p&b que mostrou a morte de John Kennedy, o desespero da segurança, Jackie tentando sabe-se lá que manobra para conter ou segurar algo do cérebro do marido, Deus, foi tudo, foi o bastante, não era necessário mais.

O que as TVs e jornais não mostrariam hoje? Quantos gráficos, quantas mazelas no entorno da morte não seriam vistas, revistas e revisitadas? Até pra morrer naquela época havia mais glamour. Hoje impera – é imperativo – o sangue, o cadáver, o outro ditador perdendo a cabeça. Osama foi poupado por necessidade política.

Os anos 60 levaram Kennedy, Leila Diniz, não, Leila morreu em 1972, acho, ouvi a notícia no rádio quando voltava da escola em que dava aula; trouxe a ditadura, mas também trouxe os Beatles. Havia curiosidade, digamos, benigna.

O excesso de informação, de imagem banaliza o mundo, banaliza o homem. Me faz lembrar o dia em que cheguei na Cidade de Deus para fazer matéria com o grupo de teatro local e vi uma criança que puxava pelo barbante uma coisa estranha. Fui ver o que era, era um gato morto, não era um carrinho.

O microcosmo, como disse o Millôr um dia na Veja, referindo-se a uma conversa com o Jaguar, é igual ao macrocosmo. A diferença hoje é que tudo é tuitado sem respeito, levianamente, sem mais aquela, por gente moderna cujo grande prazer é trocar confidências entre não confidentes.

De repente somos arrastados a isso. E é preciso dar algum basta, ou algum descanso a esse tipo de coisa.

 
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