O exemplo de Itamar Franco, que Michel Temer não seguiu

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Reprodução do Arquivo Google

Carlos Chagas

É conhecido o episódio da chegada de Itamar Franco ao poder. Ao receber a comunicação de que substituiria Fernando Collor na presidência da República, declarou ser inaceitável um regime que não levasse a todos os cidadãos os benefícios da civilização e da cultura. Instalado no palácio do Planalto, dispensou todos os ministros e reuniu os dirigentes dos  partidos políticos nacionais. Apenas o Lula negou-se a permitir que o PT comparecesse.

Itamar declarou que renunciaria caso não tivesse o apoio de todos. Ninguém saltou de banda, ficando os companheiros isolados. Foi composto um governo de coalizão mas jamais de imposição ou barganha. O novo presidente selecionou os melhores, dentro dos partidos e seu governo, logo depois transformado em permanente, é até hoje considerado o melhor, desde a redemocratização.

Lembra-se a experiência de tantos anos para se estabelecer a comparação: o afastamento de Dilma Rousseff seguiu o modelo do acontecido com Fernando Collor.  Ambos se viram punidos pela falta de diálogo com o Congresso e pela presunção e arrogância no exercício do poder.

CHANTAGENS – O problema é que a fórmula adotada por Itamar já tarda para Michel Temer, que se mudou todo o ministério de Dilma, não conseguiu compor um governo sob seu comando. Curvou-se às imposições dos partidos, que pressionam e vivem de chantagem sobre o presidente da República. Estabeleceram um mecanismo longe de favorecer a unidade administrativa, pois empenhado em disputas menores, mesquinhas e egoístas.

Ainda há tempo para Temer rever a experiência de Itamar e, de acordo com as circunstâncias,  seguir-lhe o exemplo

5 thoughts on “O exemplo de Itamar Franco, que Michel Temer não seguiu

  1. “Nós devemos aos nossos credores dinheiro. Dinheiro se paga com dinheiro. Não se paga dinheiro com a fome, a miséria e o desemprego dos cidadãos brasileiros.”
    Êpa, mas esta frase não é do Tancredo Neves após ser eleito Presidente?

    Inclusive anos passado tinha pesquisado e não achei esta e mais esta que também foi dita pelo Tancredo: “Enquanto existir no mundo alguém sem trabalho, pão, teto e letra toda prosperidade será falsa”.
    Não achei no Google, mas fui ver em alguns jornais da época (1985) que guardei e achei estas duas citadas frases.

    • Você tem razão e excelente memória, João da Bahia. Na pressa de editar o blog, nem percebi a mancada do blog do Eliomar, que fez a foto montagem. Mas eu lembro da frase e me parece que até constou do discurso que ele leria ao tomar posse.

      Abs.

      CN

  2. São situações diferentes, hoje o maior problema do Brasil são os 12 milhões de trabalhadores desempregados, são em média 48 milhões de brasileiros passando as maiores necessidades.
    Com os 30 projetos do governo Temer, que convoca a iniciativa privada para participar de diversos setores da nossa economia, como portos, aeroportos, energia, estradas de ferro etc. Isto sim, é a prioridade, vai gerar empregos e acabar com a fome da família dos desempregados.

  3. Carlos Chagas, comparar o impeqchment de Collor com o de Dilma é “atropelar” a história. Collor foi denunciado pelo irmão, dizendo que Paulo Cesar Farias tinha arrecadado mais de um bilhão de cruzeiros. Confisco da poupança do povo. Operação Uruguai para lavar as sobras de campanha. Denuncias outras de corrupção, culminando com a compra de um carro Elba com cheque de má orígem em nome de Collor. Dilma rodeada de petistas de caráter duvidoso. Enfrentando uma queda de arrecadação brutal com o preço das commodities baixando 70%. A Câmara e o Senado dificultando a aprovação de matérias de iniciativa do governo; enchendo as pautas de bombas. Ninguém conspirou para queda de Collor. Depois de divulgada a gravação da conversa de Jucá e Renan com Sérgio Machado, você tem dúvida que houve um golpe? Só têm dúvida os analfabetos políticos. Você com absoluta certeza não é. Dilma sofreu um golpe parlamentar. Falta de diálogo com o Congresso foi apenas uma desculpa. Todos já sabiam da personalidade de Dilma. Os perdedores não se conformaram e pressionados pela Lava Jato prepararam e deram o golpe.

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