O fim ou o começo?

Carlos Chagas

Ontem, sexta-feira, 13, a pergunta que se fazia em Brasília era sobre se a presente onda de greves é o fim de uma velha aventura retomada pelas centrais sindicais ou, ao contrário, se é o começo de uma nova. Pode ser o último ataque de um exército posto na reserva depois da vitória ou, no reverso da medalha, a retomada de métodos que, no passado, eram desenvolvidos contra adversários, mas ironicamente, hoje, vem sendo praticados contra aliados, ou melhor, contra o estado-maior que deveriam estar protegendo.

Traduzindo: as centrais sindicais, estimuladas pelo PT, voltam a desencadear movimentos grevistas no serviço público federal, claro que aproveitando-se de reivindicações justas e de situações inadmissíveis, como os salários de fome dos professores universitários. Preparam-se, a CUT, a Força Sindical e penduricalhos, para instigar a paralisação nas atividades privadas, a começar pelos metalúrgicos, já em agosto.

Estariam as entidades de trabalhadores saudosas da ação de anos atrás, quando acutilavam a ditadura através de greves variadas? Mas como justificar adotarem agora a mesma estratégia quando estão no poder aqueles precisamente levados por eles?

Suprema contradição, caso se prolongue, é assistir a CUT contribuindo para obturar a máquina pública através do estímulo à paralisação dos funcionários federais. Ou amanhã, a greve dos metalúrgicos, capaz de tornar ainda mais críticas as dificuldades econômicas.

É preciso seguir adiante com o chavão popular: tem azeitona nessa empada. Não é de graça que as forças sindicais se prestam para conturbar a ação de um governo que ajudaram a criar. Fossem apenas as centrais e ainda se alegaria o arroubo juvenil de que estão contaminados seus velhos líderes. Mas tem mais. Por trás dessa investida contra o governo do PT encontra-se o próprio PT. Muitos de seus chefes imaginaram ocupar o governo Dilma como as hordas de Gengis Khan ocuparam metade do mundo. Repelidos pela própria natureza das coisas, tentam desestabilizar a presidente, obrigando-a a ceder aos grevistas em concessões impossíveis ou, como alternativa, em ver paralisada parte de seu governo.

A hora seria de o Lula dar um basta na pantomima. Afinal, Dilma Rousseff foi sua criação. Durante oito anos ele conseguiu enquadrar as centrais, impedindo-as de atuar contra os objetivos por elas mesmo conquistados. Vão desfazer tudo?

Em suma, fica em aberto a resposta: estão terminando uma aventura ou começando outra?

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A INVASÃO DAS GUIANAS

Agora que por força de lei vem sendo divulgados documentos secretos e sigilosos do passado, seria bom que algum pesquisador buscasse conhecer os originais de patética instrução dada em 1961 pelo então presidente Jânio Quadros ao Estado Maior das Forças Armadas, no sentido de preparar a invasão das Guianas. Porque a determinação existiu e foi feita por escrito. A megalomania daquele Hitler felizmente frustrado previa a busca de mais espaço vital para o Brasil… A desculpa era impedir a influência de Cuba na parte Norte do subcontinente.

Em nossa História, apenas D. João VI, ainda príncipe regente, ousou invadir a Guiana Francesa, forma de reagir a Napoleão, que o havia expulsado da Europa. Por terra e pelo mar, auxiliadas pela marinha inglesa, as tropas portuguesas tomaram Caiena e lá ficaram algum tempo. Com a derrota definitiva do corso e a prevalência da Santa Aliança, tivemos que devolver a Guiana à França de Luís XVIII. Uma lambança, que Jânio Quadros tentou repetir. Seria bom para a memória nacional obter a comprovação.

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