O Globo mentiu sobre o Correio da Manhã, em seu editorial ‘revisionista’

Sergio Caldieri

O apresentador William Bonner, ao ler o editorial revisionista de O Globo, sobre o “equívoco” de a Organização de Roberto Marinho ter apoiado o regime militar, cometeu mais um grave “equívoco”, dando uma informação mentirosa, quando expôs o nome do “CORREIO DA MANHÔ junto com os jornais O GLOBO, FOLHA DE SÃO PAULO, ESTADO DE SÃO PAULO e JORNAL DO Brasil, como “apoiador” do regime militar.

Na verdade, o jornal “CORREIO DA MANHÔ jamais apoiou a DITADURA implantada pelo Golpe Civil-Militar de 1964. Jamais Niomar Sodré e Edmundo Moniz, presidente e redator-chefe, apoiaram tamanho e virulento assalto a mão armada ao Poder no Estado Brasileiro. Nunca trabalharam contra a TV Excelsior, naquela época a melhor do país, para, junto com o grupo americano Time-Life, crescerem como aliados aos golpistas civis e militares, entre os quais Roberto Marinho pontificava.

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One thought on “O Globo mentiu sobre o Correio da Manhã, em seu editorial ‘revisionista’

  1. O “Basta!” e o “Fora!”

    O Globo ganhou maior importância durante a ditadura, pois naquele tempo havia outros grandes veículos na imprensa carioca, e em sua maioria também apoiaram o Golpe. São famosos os editoriais do Correio da Manhã, o “Basta!” e o “Fora!”. E um dos aspectos mais interessantes neste episódio é o perfil dos jornalistas supostamente envolvidos. Um exemplo é Edmundo Moniz: homem de esquerda, ex-militante trotskista e profundo estudioso da obra de Bertolt Brecht. Historiador, poeta, teatrólogo e ensaísta. Membro do IHGB, Edmundo Moniz foi professor de história e de filosofia, mas é tido como um dos responsáveis pelos editoriais “BASTA!” e “FORA!” do Correio da Manhã:

    Os quatro principais redatores de editorais do Correio da Manhã nesses dias eram Edmundo Moniz, Osvaldo Peralva, Newton Rodrigues e Otto Maria Carpeaux. A redação do “Basta!” é freqüentemente atribuída a Moniz, que coordenava o trabalho de seus colegas, a quem cabia a decisão final sobre os textos. Moniz e Peralva negaram, em conversas separadas, em agosto de 1988, que o tivessem redigido, embora admitissem que o tivessem discutido. Carpeaux morreu em 1978. Nem Moniz nem Peralva insinuaram que ele fosse o redator. Em julho de 1999, o jornalista Carlos Heitor Cony, contou-me que a base do editorial, na sua primeira versão, foi manuscrita por Carpeaux. Submetida a Moniz, começou um processo de redação conjunta, da qual participaram ele, Cony, Carpeaux e Moniz. Cony informa que o tom do texto pode ser atribuído a ele e a Carpeaux. “Na boa técnica da produção dos editoriais, esse foi resultado de um trabalho coletivo. Entraram idéias de diversas pessoas. Um bom editorial, em termos de autoria, é coletivo como uma catedral gótica” [GASPARI, Elio. A ditadura envergonhada. São Paulo: Companhia das letras, 2002. Página 65].

    Em artigo publicado na Folha de S.Paulo, em 30/11/02, Cony tenta explicar o episódio. Inicialmente afirma que “até hoje não se sabe quem escreveu o ‘Basta’ e o ‘Fora’, atribuídos a Edmundo Moniz, o nosso redator-chefe”. Cony continua:

    Elio realmente me perguntou sobre o assunto e eu disse o que sabia. O jornal vinha combatendo o governo de João Goulart, que entrava em decomposição, criando um cenário que poderia descambar numa guerra civil. (…) Na crise de 1964, os editoriais eram discutidos exaustivamente pela equipe liderada por Moniz e da qual faziam parte Otto Maria Carpeaux, Osvaldo Peralva e Newton Rodrigues, entre outros. Eu estava recém-operado, no meu apartamento em Copacabana, e Edmundo Moniz, que ia me visitar todos os dias, telefonou-me para comunicar que Carpeaux desejava pisar forte, com um editorial virulento contra Jango. O próprio Carpeaux sugerira que Moniz me consultasse, uma vez que nós dois éramos afinados, tanto em política como em literatura. Minha participação limitou-se a cortar um parágrafo e acrescentar uma pequena frase. Hora e meia mais tarde, Moniz telefonou-me outra vez, lendo o texto final que absorvia a colaboração dos editorialistas, e, embora o conteúdo fosse o piloto elaborado por Carpeaux, a linguagem traía o estilo espartano do próprio Moniz. Como disse ao Elio Gaspari, um bom editorial é obra coletiva como uma catedral gótica. Não expressa o pensamento de um indivíduo, mas o clima de uma época.

    Essa informação, da construção coletiva destes editoriais, não é exatamente nova. Edmundo Moniz, em entrevista concedida ao jornal Folha de S. Paulo em 12 de janeiro de 1979, afirmou:

    Eu só sou autor daquilo que eu assino (…). O artigo foi feito pela redação e eu não posso dizer o autor dos artigos, eles são de responsabilidade do jornal. Aqueles dois editoriais foram muito alterados, talvez fossem escritos por muita gente. Não escrevi o artigo, mas o alterei. Toda a redação mexeu [http://almanaque.folha.uol.com.br/memoria_8.htm].

    COMO SE PODE LER NA EXPLICAÇÃO ACIMA,EXTRAIDO DE ARTIGO DO HISTORIADOR DA UERJ,JOÃO AMADO,A AFIRMAÇÃO DO ARTICULISTA NÃO É VERDADEIRA.

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