O governador Agnelo Queiroz é a próxima vítima, na novela da corrupção na política brasileira.

Carlos Newton

A novela está esquentado, e os novos capítulos trazem um suspense de matar o Hitchcock, como dizia o grande publicitário e compositor carioca Miguel Gustavo. Em meio à constatação de que um dos denunciantes, Daniel Almeida Tavares, na verdade é um tremendo pilantra, que só se interessa em arranjar dinheiro fácil, mesmo assim a situação do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, está muito complicada e agora depende diretamente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Os próximos capítulos só farão aumentar o suspense, porque a Anvisa decidiu abrir uma auditoria interna para apurar as condições em que Agnelo Queiroz, quando era diretor do órgão, autorizou a concessão do certificado de Boas Práticas à União Química. Como se sabe, a denúncia de Daniel Tavares é de que, em janeiro de 2008, fez um depósito de R$ 5 mil na conta corrente de Agnelo Queiroz, que no mesmo dia, liberou o documento para a empresa União Química.

O governador diz que é tudo coincidência e que os R$ 5 mil seriam pagamento de um empréstimo que teria feito a Daniel Tavares, que ele quis ajudar justamente por ser funcionário da União Química, laboratório que pertence a um amigo dele, vejam só que a trama está tão interligada que pode ser tudo mesmo, menos coincidência.

A auditoria da Anvisa será realizada num prazo de cinco dias, ou seja, vai acabar na próxima terça-feira. Até lá, Agnelo Queiroz, que é médico, terá de tomar tranqüilizantes para conciliar o sono. Além do suposto envolvimento dele no esquema de pagamento de propina de laboratórios na época em que era diretor da Anvisa, o atual governador do Distrito Federal é acusado e investigado por irregularidades cometidas à época em que era ministro do Esporte. Ou seja, sua folha corrida está aumentando.

Recordar é viver, diz a marchinha (Aldacir Louro, A. Martins e Macedo). Quando Agnelo Queiroz foi eleito governador do Distrito Federal, Helio Fernandes indagou aqui no Blog como ele, um modesto servidor público, poderia ter comprado uma mansão às margens do Lago Paranoá, em Brasília. Agora está explicado. Mas naquela época, Helio já sabia das coisas.

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