O governador de Brasília, Agnelo Queiroz, acha que no Brasil ainda há quem acredite em político. Ele deve ser um gozador (ou precisa ser urgentemente internado).

Carlos Newton

O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), nega-se a apresentar provas de que o depósito de R$ 5 mil feito por um lobista em sua conta bancária foi apenas o pagamento de um empréstimo feito em caráter pessoal. Ao ser questionado sobre o tema pelo repórter Filipe Coutinho, da Folha, o político petista afirmou, via assessoria, que a “palavra de um governador de Estado já é, por si, uma prova”. Era só o que faltava…

Agnelo era diretor da Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) quando, no dia 25 de janeiro de 2008, recebeu em sua conta pessoal um depósito de R$ 5 mil, feito por Daniel Tavares, que trabalhava como lobista para a farmacêutica União Química. No mesmo dia, Agnelo emitiu um certificado para que a empresa pudesse participar de licitações.

Na segunda-feira da semana passada, Agnelo alegou que o depósito foi a devolução de um empréstimo feito ao lobista. Ele disse que deu o montante em espécie, “em caráter pessoal, sem documento ou contrato”.

Dois dias depois, o governador acrescentou que poderia provar ter emprestado o dinheiro. Mas não apresentou prova alguma. Os jornalistas então insistiram em saber quais eram as provas, mas Agnelo não respondeu. Depois, por meio de assessoria, voltou à primeira versão. “O que o governador disse é que, de modo geral, há provas de que ele fala a verdade”.

Em seguida, disseram que a palavra de um governador deve funcionar como prova, “ainda mais quando confrontada com a de pessoas que a cada momento mudam de versão”.

Esta é uma das histórias mais mal contadas dos últimos tempos. O lobista primeiro dizia que o depósito era parte de propina para o então diretor da Anvisa ajudar a União Química. Depois, estranhamente, passou a confirmar a versão do governador, de que seria um generos empréstimo.

A Polícia Federal já pediu ao Superior Tribunal de Justiça autorização para apurar o caso. Devido ao cargo, Agnelo tem foro especial. E a Anvisa abriu na semana passada uma investigação sobre o episódio, e o prazo para declarar se Agnelo Queiroz foi subornado ou não terminaria hoje.

Como dizia o genial compositor e publicitário Miguel Gustavo, “o suspense é de matar o Hitchcock”. O que dirá a Anvisa???

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