O homem que evitou a hora da morte, na criatividade de Chico Salles

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Chico Salles era representante da música nordestina no Rio

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O engenheiro, cantor, compositor e cordelista paraibano Francisco de Salles Araújo (1951-2017) conta, em forma de cordel, “A Hora da Morte”, uma engraçada estória de ficção.

 
A HORA DA MORTE
Chico Salles

Esta primeira história
Me contou Jota Canalha
Afirmando ser verídica
Se deu em Maracangalha
O conto do Carochinho
Foi com Nelson Cavaquinho
Que se passou a batalha.

O sujeito teve um sonho
Do dia em que morreria
Seria na terça-feira
Vinte oito era o dia
Do primeiro fevereiro
Já estava em janeiro
Começou sua agonia.

No dia seguinte do sonho
Procurou a cartomante
Que confirmou a história
Ele mudou de semblante
Dizendo-lhe até o horário
Marcando no calendário
Ali naquele instante.

Seria às vinte e três horas
Reafirmou com certeza
O cara saiu dali
Carregado de tristeza
Murmurando repetia
Meu Deus mais que agonia
Mostre-me sua grandeza.

E com o passar dos dias
Aumentava a aflição
Ele cheio de saúde
E naquela situação
Meu Deus o que faço agora
Passava outra aurora
E nada de solução.

Quando chegou fevereiro
Seu peito alto batia
Procurou um hospital
E na cardiologia
Naquela dúvida infame
Fez tudo o que é exame
Até radiografia.

Fez exame de esforço
Urina e colesterol
Também exame de sangue
E fezes estavam no rol
Teve no ácido úrico
Um resultado telúrico
Feito isca no anzol.

A saúde era perfeita
Não tinha nem dor de dente
Ficou um pouco animado
Mais ou menos sorridente
Outra semana passou
O calendário voou
Deixando-lhe impaciente.

Até que chegou o dia
Daquela interrogação
Foi então dormir mais cedo,
Mas sua imaginação
Resolveu naquele instante
Tomar um duplo calmante
Haja, haja coração.

O relógio despertador
Em cima de uma banqueta
Ele embaixo do lençol
Aquela triste faceta
Um minuto era um mês
Olha o relógio outra vez
Batendo feito o capeta.

Depois, se passar das onze
Ele estaria salvo
Daquela situação
Não seria mais o alvo
Mas o tempo é assim
Quando quer fazer pantin
Não dá nem um intervalo.

Passava das dez e meia
Quando chegou o destino
Bateu na sua cabeça
Feito badalo de sino
Ali naquele momento
Veio no seu pensamento
Sair daquele pepino.

Pegou o despertador
Atrasou em quatro horas
Em seguida adormeceu
Feito anjos na aurora.
Isto já faz vinte anos
Vivinho e cheio de planos
Nem pensa em ir embora.

7 thoughts on “O homem que evitou a hora da morte, na criatividade de Chico Salles

  1. A”morte, esta carnívora assanhada” dizia Augusto dos Anjos, insaciável, nos levou o grande jornalista Ricardo Boechat e agora a grande atriz Bibi Ferreira. Oh! Morte, sabia que você é indesejada de todos como tão bem disse Manuel Bandeira.

    Em dezembro de 1975, Bibi Ferreira subia ao palco do Teatro Tereza Rachel (Rio de Janeiro) para estrear Gota D’Água, transposição da tragédia grega Medeia, de Eurípedes, para a realidade de um conjunto habitacional do subúrbio carioca. Com um arrojado texto em versos de Chico Buarque e Paulo Pontes e canções como Basta um Dia, o espetáculo marcou época e se tornou um clássico moderno do Teatro Brasileiro.

    Eu tive o privilégio de ouvi-la cantando em “A Gota d’água” “Pra mim basta um dia” com um arrojado texto em versos de Chico Buarque e Paulo Pontes
    Agora so nos resta o Adeus, Até breve.

  2. Não posso deixar de compartilhar com o texto do nosso querido Hélio Fernandes, sobre a iluminada Bibi Ferreira

    A MORTE DE BIBI FERREIRA
    Helio Fernandes
    O pais perdeu uma das suas maiores personagens artisticas e culturais.
    Eu nem pude me despedir de amiga de 70 anos, de relacionamento e
    covivencia agradabilissima, ela 96 anos, eu 98..

    Atriz, cantora, extraordinaria diretora. Estava em plena atividade.
    Carismatica, lindissima, lembrava sempre Edith Piaf, a quem
    representou no teatro, numa exibição consagrada até hoje.
    AhI, Bibi, que saudades em quem apenas conheceu a interprete genial. E
    mais ainda quem a conheceu no palco e fora dele.

  3. Chico Sales, brinca com a morte, partindo de um sonho em que foi revelado o dia dia e hora de sua morte. Consultou cartomante que tudo confirmou. Estava tudo consumado. Chegando o dia fatal tratou de driblar a indesejada de todos, atrasando o relógio em 4 anos. Sonho, sonho, viveu 20 anos e poderia ter vivido mais, porque morreu novo. O fato é que ele mostrou que teve medo da morte e procurou driblá-la.

  4. Roda Viva com o Ministro do Meio Ambiente – Ricardo Sales

    O senhor disse que está saindo amanhã para sua primeira viagem para conhecer a Amazônia, e parece que a Amazônia é uma grande preocupação mundial. Eu queria saber do senhor qual a sua opinião sobre Chico Mendes”. O QUE EXATAMENTE SALLES FALOU SOBRE CHICO MENDES? A transcrição da fala é esta. Abaixo, é possível ver também o trecho em vídeo: “Não conheço o Chico Mendes, eu tenho certo cuidado em falar sobre coisas que eu não conheço. Eu escuto histórias de todo lado: do lado dos ambientalistas, mais ligados à esquerda, um enaltecimento do Chico Mendes. As pessoas que são do agro, que são da região, dizem: olha o Chico Mendes não era isso que é contado.”

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