O importante não é o resultado da luta. É nunca parar de lutar.

Almério Nunes

O sábio Confúcio ensinava que “a caminhada é longa, mas uma vez dado o primeiro passo, ela já terá se tornado mais curta”.

Aos 70 anos de idade, já aprendi que a Vida não é feita de ilusões. Os mais importantes pensadores da humanidade, como Sócrates, Platão, Aristóteles, Epicuro, Spinoza, Mórus, Marx e muitos outros também foram sonhadores/ilusionistas derrotados.

Sócrates foi condenado à morte. Aristóteles teve que deixar Atenas, morreu pobre, doente e abandonado ou seria condenado como Sócrates (“não permitirei que Atenas peque duas vezes contra a Filosofia”). Epicuro teve quase todos seus papiros queimados, pois escrevia sobre (entre outras coisas) a Compreensão da Vida e a Plena Liberdade de Escolha (religiosa).

Spinoza foi vítima de dois atentados contra sua vida, na rua. Acabou excomungado. Mórus é praticamente considerado como louco, por sua utopia. Marx… é tido, no mínimo, como terrorista e perigosíssimo.

Não esquecendo do grande Eduardo Galeano: “A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso, para que eu não deixe de caminhar”.

Não esquecendo também de Aldous Huxley: “A ditadura perfeita terá as aparências da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão”.

Diante desses gigantes, não chego sequer a ser um grão de areia nas praias do mundo e, assim sendo, sou muita coisa. Sou aposentado, faço palestras percorrendo o Brasil. Entendo que estou de bem com a vida. Vale sempre repetir e repetir o título de um livro do mestre João Ubaldo Ribeiro: “Viva o povo brasileiro”.

Por isso que o importante não é o resultado da luta. É nunca parar de lutar.

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9 thoughts on “O importante não é o resultado da luta. É nunca parar de lutar.

  1. Salve, Almério,
    A existência já nos faz lutar diuturnamente entre a vida e a morte, Almério, entre o sonho e a realidade, desejo e razão.
    A questão é o bom combate, aquele que é útil, que por mais simples que seja a vitória, ela é obtida!
    O teu artigo é auspicioso, otimista, positivo e, eu, o aplaudo.
    No entanto, a meu ver, temos de reconhecer às vezes que temos limitações nas lutas enfrentadas, que precisamos ser cautelosos, estudar prós e contras, e não sair dando socos para todos os lados.
    Trazendo à baila os acontecimentos dos últimos dias, esta luta é salutar, que te levou às ruas, berraste, criticaste, estiveste acompanhado de milhares de outras pessoas que queriam o mesmo.
    Mas também existem as suicidas, e é quando temos de parar e reunir forças e mudar os planos.
    Porém, sempre com este dinamismo, esta vontade férrea, este desejo de conseguir o que se quer, sem esmorecer ou se dar por vencido antes do combate.
    Um belo texto, Almério, para esta gurizada que desabrocha e passa a viver o mundo prático, nem tão lúdico e nem tão idílico, mas viável e passível de um ou outro sonho!

  2. Almério, boa noite!

    Padre Zezinho num de seus escritos mais antigos e que “viraria” disco, “O Cristo Inconstante”, num determinado momento (cito de memória) colocou na boca do próprio Mestre:

    – “Nesse mundo ninguém fracassou mais que eu. Dos doze discípulos que me acompanharam durante anos, um deles me traiu por um punhado de moedas; outro, que disse que morreria por mim, me negou três vezes. Dos doze discípulos que me acompanharam durante anos, na hora em que eu mais precisei deles – nos instantes do martírio e morte -, só um deles, quase um menino, estava ao meu lado, juntamente com minha mãe e algumas mulheres compassivas. Mesmo assim eu não desisti”.

    Em sendo assim, nada mais apropriado que a lembrança das palavras de Eduardo Galeano (que citaste) e as tuas próprias – O importante não é o resultado da luta. É nunca parar de lutar… mas não nos esqueçamos também de Quintana, quando falava DAS UTOPIAS

    Se as coisas são inatingíveis… ora!
    Não é motivo para não querê-las…
    Que tristes os caminhos, se não fora
    A presença distante das estrelas!

    Amanhã, se Ele permitir, postarei algo de Exupery, sobre o tema.

    Um abraço fraterno.

  3. Caro Almério.
    Tomei a liberdade de copiar e colar seu artigo, (O importante…..), na pagina do meu face.Espero que me perdoe, mas não resisti a tão importante mensagem e compartilhei com meus amigos.
    Mais uma vez,parabéns pelo texto magnifico!
    Barão

  4. Lucidez e otimismo.
    Da minha parte, ousadia e atrevimento copiar e colar o que considero uma bússola.
    mas não tem como indagar : em meio a tanto pragmatismo, qual o lugar e o papel da filosofia ? para que serve a solidão e a angústia fincada como uma estátua na praça movimentadíssima por pessoas correndo atrás de soluções ou possibilidades por nós há décadas anunciadas ou discutidas ?

  5. Como seres humanos fazemos várias coisas que os animais também fazem…

    O que nos diferencia é a capacidade de filosofar, admirar o luar ou um por do sol.

    Se isso não nos serve de nada, por que insistimos em filosofar?

    Força Brasil! #vemprarua 11 de julho!

  6. Sinceros parabéns ao Sr. Almério Nunes pelas belas palavras. Creio eu(espero estar correto) que a grande maioria dos seres humanos que habitam este lindo planeta, que estamos a destruir, são utópicos, em maior ou menor grau, pois se assim não fosse(creio eu) NÃO HAVERIA SENTIDO NA VIDA, NO VIVER.

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