O “japonês da Federal” e outras coisas mais, impossíveis de entender

Bolsonaro e Mendes fazem “selfie” com o “Japa da Federal”

Jorge Béja

Começo pedindo aos leitores que, por favor, me expliquem, me esclareçam, porque, sinceramente, não consigo entender.Tomo o “Japonês da Federal” como referência.Ele se chama-se Newton Ishii. E sempre aparece na televisão e fotos de jornais conduzindo aquele pessoal que o juiz Sérgio Moro manda prender e levar para Curitiba. O homem se veste com o uniforme preto da Polícia Federal, usa sempre óculos escuros, está sempre fortemente armado e sempre escoltando, de pertinho, os presos do Doutor Moro, na saída das viaturas da PF até para dentro do prédio da Justiça Federal e vice-versa. É sempre ele. É uma figura que ficou bastante conhecida.
Aqui no Rio teve até uma fábrica que produziu uma máscara de carnaval  do “Japonês da Federal”. É a mesma fábrica que no ano passado tinha a intenção de fazer a máscara do Nestor Cerveró, mas foi impedida pelos filhos.

Nada contra Newton Ishii. Ele está executando ordens superiores e cumprindo o seu dever.  Com toda certeza deve ser um bom filho, bom marido, bom pai, bom vizinho…e muito bom policial. Até aí, nada de mais.

NADA DE EXCEPCIONAL

Nesta quarta-feira, 17 de fevereiro, Newton Ishii esteve na Câmara dos Deputados, em Brasília. Foi participar de um evento de policiais e acabou sendo levado ao plenário pelo deputado Aluisio Mendes (PTN-MA), após ter dado um passeio pelas dependências da Câmara. E quando o deputado levou Ishii ao Salão Nobre da Câmara, o visitante foi, ainda que moderadamente, ovacionado. Cafezinhos, muitos cumprimentos, fotos, selfies e antes de ir embora uma foto ao lado do deputado Tiririca (PR-SP).

O parlamentar mais empolgado com a presença de Newton Ishii foi Jair Bolsonaro (PP-RJ), que fez questão de ser fotografado ao lado do ilustre visitante. E aí que começam as perguntas que não consigo respostas. Por que essa “idolatria”, ou quase “idolatria” por um agente público que aparece na televisão cumprindo o seu dever? Por que uma pessoa ganha fama tão rapidamente assim, ao ponto de já ser cogitado seu nome para competir nas próximas eleições. Sem o menor demérito ao trabalho do “Japonês da Federal”, mas o que tem e o que faz ele de excepcional? Ou escoltar preso(s) é degrau para se tornar celebridade?

Se o “Japa da Federal” desperta tanto glamour assim, o que dizer, então, do encantamento e da fascinação que o juiz Sérgio Moro fez nascer por ele em nossas mentes, nossos corações e esperanças? No entanto, nem o agente federal nem o magistrado se tornam ícones, famosos e idolatrados só porque estão cumprindo os seus deveres. No “Contrato Social” de Rousseau e nas relações entre as pessoas, e consigo próprias, honestidade, retidão, fina educação, respeito, nobreza, candura, firmeza, determinação…não são virtudes. Nada disso é para ser excepcionalidade, mas são comezinhos deveres que jamais poderiam realçar alguém e distinguir uma pessoa, ou um grupo de pessoas.

UM VEREADOR CHAMADO ‘JAIMINHO”

Esse “Japonês da Federal”, que não vai demorar muito e se tornará um “fenômeno”, me faz lembrar do falecido “Jaiminho”, assim carinhosamente como era chamado. Lembram-se dele? E sem querer, sem pretender e sem gastar um centavo de campanha, “Jaiminho” se elegeu vereador. Foi por São Gonçalo (RJ), se não me engano. O que fazia e o que fez para ganhar uma eleição? Comparecia a todos os velórios de gente famosa. E quando podia, fazia questão de segurar a alça do caixão da capela ao túmulo. Tudo para aparecer nos noticiários das TVs e se tornar conhecido.E como conseguiu!. E como se tornou! Foi alvo de matérias do Globo, da CNN, do “Sem Censura” dos áureos tempos de Lúcia Leme no comando.

Um fato comigo: no velório de Carlos Imperial, na capela B do Cemitério São João Batista, Jaiminho chegou, e sempre vestindo alinhado terno, veio direto na minha direção, estendeu a mão e disse: “Meus pêsames, meus sentimentos. o Senhor perdeu um querido familiar”. E delicadamente disse a ele que eu era apenas advogado do Imperial e amigo de seu filho e de sua nora, a quem apontei  na capela e pedi que fosse até eles abraçá-los. Ele foi.

À ESPERA DE RESPOSTAS

Não consigo entender, confesso. Peço encarecidamente aos leitores, ao Bendl, ao Dr. Ednei Freitas, o destacado psiquiatra e psicanalista que entende tudo sobre isso, ao Tamberlini, ao Moacir Pimentel e a você, Carlos Newton, o mais talentoso e culto jornalista brasileiro e editor deste blog, que me expliquem, por que acontecem esses “fenômenos” na sociedade. Esses “Jaiminho”, “Japonês da Federal”, “Juiz Moro”, “Cacareco”… Por quê?

Émile Durkheim, ao definir “Fato Social”, diz ser a maneira de agir, de pensar e sentir, que uma pessoa exterioriza. Li isso em “As regras do método sociológico” (1895). Seriam então “Fatos Sociais” notáveis e normais? Desde já agradeço por antecipação a todos que me acudirem.

47 thoughts on “O “japonês da Federal” e outras coisas mais, impossíveis de entender

  1. Depois do Mensalão qualquer símbolo que aglutine o fim da impunidade se destaca na ideário popular.
    Acho que há uma esperança imorredoura na reversão dos impostos pagos em um país verdadeiramente para todos que se traduz no efeito midiático do Japonês da Federal.

  2. Infelismente a ignorância leva alguns a achar fantástico a obrigação deste JAPA, não vejo nada de excepcional em acompanhar presos ao cárcere, é a obrigação dele, mas esta no seu minuto de ” FAMA”, não entendo o porquê, aqui no Brasil é assim, seja quem for, logo vira celebridade, acho que ele deveria ter recusado se fosse um servidor ciente de suas obrigações, mas ele está gostando desta publicidade, ” ridículo.

  3. Que fique bem claro que a saída da Presid’Anta passa essencialmente por 3 pontos:
    1- Agentes econômicos envolvidos
    2- Família Marinho envolvida
    3- Manifestações populares em massa

  4. Dr. Béja, nosso Páis é assim, em todos 500 anos de existência, desde que Cabral nos brindou com o Descobrimento, e de vez em quando alguns tem de vestir a roupinha do Capitão América para “nos Salvar” das malvadezas cotidianas que enfrentamos.
    A Casa Grande adora “inventar” os “hérois “do momento.
    E o pior de tudo, Dr. Béja, é que alguns também acham o bolsonaro é um Super-Héroi..
    Abraços.

  5. Simples Ilustre Dr. Beja, o brasileiro está carente de heróis e vivendo trancado numa teia de instituições apodrecidas, inoperantes, corrompidas e dominadas por todo tipo de bandidos. Ao ver o Japa da PF levando alguns poucos dos infinitos canalhas que sugam nosso país, tem no mesmo a idealização de um futuro menos sujo. Pura ilusão. Nada mudará!

  6. Caro Dr. Jorge Béja,
    permita-me dar a minha opinião. Acredito que isso é a falta de interesse político
    da maioria do eleitor brasileiro, é a alienação a que o eleitor foi levado. Nas televisões
    são novelas, programas como BBB, que não se aproveita nada, propaganda religiosas
    e apresentador de televisão sensacionalista. O forte dos jornais populares é mostrar
    crimes, violência, futebol etc. Em vista disso, esse tipo de eleitor , que representa a maioria, vota em que ele conhece, como jogador de futebol, apresentador de programas de televisão, artistas famosos, os quais, não tem nada haver com a vida política ou vota em qualquer personagem, que esteja em evidência, mesmo que não tenha nenhum conhecimento política.

  7. Porque alguém faz amizade com um cachorro? Certamente para não ser mordido por ele.
    Num pais onde a grande maioria dos políticos esta com a cabeça a prêmio ou com o rabo na reta, nada mais salutar, que uma BAJULADA no possível carcereiro, que segundo informação do ministério da saúde, é benéfico ao coração.
    O japonês só virou celebridade devido aos traços físicos, outros funcionários que também exercem a função, sequer são notados.
    Pelo que se vê, parece que o tal japonês já foi mordido pela mosca azul.

  8. Prezado Dr. Béja:

    O Japonês da Federal virou celebridade e é um “herói” do povo brasileiro simplesmente por que leva colarinhos brancos para a cadeia. Num país carente de cidadania, tal carência se amplia em busca de “heróis” e “salvadores da pátria”. Em sociedades civilizadas, o Japa apenas estaria cumprindo a sua obrigação de funcionário da carceragem da PF, em Curitiba. Numa republiqueta que só tem súditos, qualquer Robin Hood (sem demérito pessoal para o simpático japa) se torna “herói”.

    • P/ mim foi a melhor resposta/explicação, simples e direta ao ponto. O “japa” é apenas um instrumento, mas o nosso instrumento de subjugação à lei que deveria ser igual p/ todos! Vamos ver o que diz o Dr. Béja…

  9. Depois que “elevaram” Brizola a herói nacional (pasmem), por que não dar um crédito a alguém que leva bandidos para a cadeia, nem que por mera brincadeira? Qual o problema? O primeiro que citei, proibiu a polícia de botar a mão em bandidos nos morros cariocas, seria por isso que virou herói? Herói de quem?

  10. O fenômeno das celebridades instantâneas não é recente, nem brasileiro, não tem nada a ver com “casa grande”, que hoje parece ser a explicação pronta de muitos. É provocado pelo sensacionalismo aliado a identificação com a audiência. Hoje, com a velocidade da informação é muito fácil fabricar uma, em segundos uma postagem pode ser lida por milhares. Se a pessoa em evidência provoca algum tipo de reação forte, boa ou ruim, vira ídolo. No caso do japonês, ele passou a representar a esperança.

  11. Interessante observar que essa gente que não perde chance de se projetar na política utilizando-se de cargo público não tem levado muito sorte por muito tempo não, acabando dando castigo uso do cargo. Vide Delegado Protógenes, Delegado Tuma, Juiz Régis de Oliveira, Promotor Fernando Capez, entre outros, excetuando o Temer que além de presidente de partido virou até presidente da república. Mas o partidarismo-eleitoral é isso aí, o sujeito só se elege usando algum trampolim, ou esquema, ou muita grana que, aliás, é o que elege a maior e mais poderosa bancada do congresso, a que de fato dá as cartas e joga de mão. Daí dizermos que o sistema partidário-eleitoral é mais furado do que queijo suíço. Por um Maluf na cadeia, p. ex., dá projeção, da ibope, de modo que se o cara tem segundas intenções eleitoreiras e está com a caneta na mão ele não pensa duas vezes, e o infeliz colocado na cadeia que se dane, que prove depois da eleição que é inocente.

  12. Caro Dr. Béja, sua pergunta é de interesse público, e muitos, assim como eu, sempre me fiz essa pergunta e cheguei a algumas conclusões que vou arriscar uma interpretação pontual no caso desse personagem.

    Bem, o senhor mensionou o Tiririca que também tirou foto ou selfies com ele na Câmara, e querendo ou não acabou indicando uma linha de visada para a questão.

    Assim como esse caso do “Japa da Federal”, como explicar então a ascensão do Tiririca, exclusivamente pela sua figura como comediante simplório e inocente para a representação de um enorme segmento da população do Estado mais industrializado e populoso de um pais?

    Bem, eu diria que é reflexo das técnicas massivamente usadas de condicionamento mental (controle mental), usado pelos meios de comunicação de massa (rádio, TELEVISÃO e periódicos) que produz pela reprodução constante da imagem de alguma coisa, uma espécie de efeito hipnótico, mas que nada mais é que o estabelecimento e um condicionamento a uma característica do ser humano.

    Como disse São Tomáz de Aquino, “Só Amamos o que Conhecemos” sendo essa a meu ver a essência dessa questão! Quando acordado, o ser humano está permanetemente olhando tudo que está à sua volta, tanto pela visão direta como pela periférica. Dessa forma, ele se localiza e posiciona dentro do meio ambiente que o cerca como forma contínua de adaptar-se e interagir ao cenário.

    Sendo dessa forma essencialmente que estabelece sua interação em qualquer ambiente, o RECONHECIMENTO de todas as formas, OBJETOS e cenários que o CERCAM em QUALQUER CIRCUNSTÂNCIA se apresenta como AGENTE PRIMORDIAL de identificação da condição se sua integridade física se encontra SOB AMEAÇA ou não!

    Assim, extrapolando-se a máxima de S.Tomás de Aquino, para “só não investigamos a periculosidade do que já conhecemos”, percebe-se a importância da divulgação do que se quiser inserir numa sociedade, antes que seja introduzido, para que possa ser reconhecido como um “item” previamente “incorporado” ao “INCONSCIENTE COLETIVO” do grupo como algo já “FAMILIAR”.

    Essa é a característica humana explorada pelas técnicas de MARKETING de Produtos que, foram infinitamente POTENCIALIZADAS pelos MÍDIA do CINEMA E DA TELEVISÃO, e que conseguiram transformar o nosso “Mundo Atual” nessa máquina de manipulação de massas em ESCALA INDUSTRIAL quando passou a ser UTILIZADA para a formação da “OPINIÃO PÚBLICA” PARA FINS POLÍTICOS!

    Espero ter conseguido transmitir a idéia da “coisa toda”!

    • Acho que aliado a ” máquina ” e ao conhecimento, necessariamente tem que haver alguma identificação com o público. Maguila era tão conhecido qto Tiririca, também fez uma campanha debochada, mas não foi eleito. Tiririca foi o voto do protesto. Somos todos palhaços!

      • Eu não justifiquei a escolha do Tiririca Teresa. O que eu me preocupei em identificar foram APENAS os mecanismos de nosso funcionamento utilizados para que “algo” seja integrado subconscientemente ao “universo de coisas conhecidas” de forma subliminar, que as tornem “familiares”.

        Para o “direcionamento das escolhas”, outros artifícios são utilizados, a meu ver mais baseados na desinformação, na dissimulação e busca de preenchimento das expectativas que prevalecem na população, para a indução da escolha fazer recair nos candidatos desejados, o que é a especialidade dos “Joãos Santanas, e Dudas Mendonças”, pegando carona certamente na massa mantida permanentemente crédulas pela carga de desinformação enviesada na qual está envolvida.

        • Zaratrusta, concordo com tudo que escreveu, apenas quis ressaltar a importância da identificação do público, seja positiva ou negativa, é fator determinante na escolha. Mas mesmo essa ” identificação” é manipulada e a massa desinformada compra o produto.

    • Zaratrusta, o dr. Ednei acabou de me telefonar. Está sem o sinal da internet em casa. O dia inteiro. Só amanhã é que vai lá um técnico da TIM, assim garantiram. Vamos aguardar.
      Jorge

      • Vamos aguardar sim Dr. Béja, pois essa se tornou uma questão central na nossa “sociedade comandada por controle remoto à distância”, através do RESULTADO que se observa em CADEIA, de um EFETIVO “Controle, Condicionamento e Programação Mental” realizado pelas mídias de massa.

        Os efeitos desse processo são principalmente identificados nas técnicas usadas pelas RÊDES DE TELEVISÃO associadas às Megacorporações Homogeneadoras de notícias às quais estão visceralmente ATRELADAS (i.e.: Reuters, Havas, Wolf, BBC, … etc.) para garantir uma única e moldada forma de entendimento, doutrinário, para todos os acontecimentos, e fatos do dia-a-dia!

  13. Prezado Dr Béja,

    O povo brasileiro , politicamente , é aquela eterna criança , deitada em berço esplêndido, que depois de muuuuuito tempo chegou à adolescência.

    A infelicidade do homem, dizia Descartes, deve-se ao fato dele ter sido criança . Isto significa que, em um mundo que não ajudou a fazer e que parece a ela como um absoluto que tem de ser aturado, para a criança a paisagem que a rodeia é feita por fatos dados, tão inevitáveis quanto o sol. Ela não pesa sobre a terra. Ela não pode sequer arranhar a ordem serena ou maluca de um cenário que existia antes dela, sem ela, no qual ela está em segurança graças
    à sua própria insignificância. A criança fixa as suas esperanças no futuro.

    Mais tarde, ela também será uma grande estátua imponente, como os adultos que a rodeiam . Enquanto espera, ela brinca de ser um santo, um herói, um sucesso. Daí os ídolos que hoje se multiplicam graças à facilidade e à velocidade das comunicações.E enquanto espera , normalmente, a criança escapa da angústia da liberdade.Ela não precisa escolher o caminho, não precisa resolver o problema, não precisa se preocupar. Alguém fará tudo isto por ela.

    O problema é quando a criança cega à adolescência aborrecente. Aí ela começa a vacilar, porque ela percebe as contradições, as hesitações e fraquezas nos adultos. Os homens deixam de parecer deuses, e o adolescente descobre a realidade sobre o caráter humano. Pense em uma confusão : o seu mundinho perfeito é habitado por umas criaturas pra lá de incertas.

    Chegou o momento dela também ser chamada a participar da operação, de seus atos pesarem nesta vida . Ela terá de escolher e decidir. É difícil para ela viver este momento de sua história
    política.De um ponto de vista esse colapso de fé é uma libertação.Mas o adolescente na cidadania se sente indefeso diante dos poderes obscuros que dirigem o curso das coisas. Qualquer que seja a alegria desta libertação , não é sem insegurança que o adolescente descobre-se jogado em um mundo que já não é acabado, que tem que ser feito .

    Ele se sente abandonado, sem justa causa, um prisioneiro da sua liberdade. O que ele vai fazer diante desta nova situação?

    É chegada a hora dele encontrar um Salvador da Pátria, um Pai dos Pobres ( e dos milionários ), uma Mães dos PACs, um Capitão Bolsomito , esses seres extraordinários que sabem o que dizer e o que fazer. E farão tudo certinho, bonitinho, mastigadinho.

    De vez e quando, aparece um justiceiro , um super herói , uma figura de poder que é modelo. Como aconteceu com o ministro Joaquim Barbosa e acontece agora com o juiz Moro. A coisa pode ficar fora de controle e virar mitologia , religião, idolatria.Como já foi o caso do Presidente Lula, cuja foto dividia o espaço com o Padim Ciço nos santuários tão pobrinhos , nas paredes de sapé nordestinas.

    Tiririca é um voto de protesto do contra , é um “sarro” tirado da cara do establishment.

    Quanto ao Japonês da Federal , ele é um pouco diferente. O fato é que a população está mal humorada com a economia , indignada com a rapinagem generalizada, com as mentiras compulsórias, com as vigarices crônicas, com a corrupção desenfreada.

    O povo – este substantivo tão abstrato – quer dar um basta, quer acabar com as medidas protelatórias, quer que o processo funcione, que o réu seja declarado culpado , que o culpado seja punido com a pena prevista na lei e que , caso ela seja a prisão, que o sistema que se vire.Para tanto o povo paga impostos.

    O japonês é aquele que, no imaginário popular, chega mais perto de PUNIR o bandido. É ele que prende o sujeito, o segura firme e forte pelo braço, o algema, o faz andar silencioso, vencido, olhando para o chão , as mãos para trás, algemadas , a caminho da cela e do boi.

    O japonês faz , aquilo que ninguém faz , aquilo que deveria ser feito por um sistema ineficiente , aquilo que , portanto , somos levados a querer fazer: JUSTIÇA COM AS PRÓPRIAS MÃOS. E nos dá alguma esperança de que neste caos moral, social, econômico no qual vivemos , não iremos morrer na praia mais uma vez, de que talvez – e isso é triste – não só os nossos oponentes serão vencidos , mas os nossos inimigos serão exterminados.

    É disso que se trata, na minha modesta opinião.

    À brasileira , é claro!

    https://www.youtube.com/watch?v=ylud9uuanpc

    Abraço

    • Caro Fallavena,
      Sua opinião, que de modesta não tem nada, no meu entendimento foi brilhante novamente! Muita perspicácia concentrada meu caro!

      Nas entrelinhas de diversos parágrafos apontou e equacionou “fenômenos” mal explicados, como o “porque?” de “frases serem tão verdadeiras”, como a de Tancredo Neves onde diz que:
      “Ser comunista na juventude é aceitável, mas depois de adulto, depois que entende, aí já é ser mau caráter”!

      Em seus parágrafo:
      “O problema é quando a criança cega à adolescência aborrecente. Aí ela começa a vacilar, porque ela percebe as contradições, as hesitações e fraquezas nos adultos. Os homens deixam de parecer deuses, e o adolescente descobre a realidade sobre o caráter humano. Pense em uma confusão : o seu mundinho perfeito é habitado por umas criaturas pra lá de incertas.

      Chegou o momento dela também ser chamada a participar da operação, de seus atos pesarem nesta vida . Ela terá de escolher e decidir. É difícil para ela viver este momento de sua história política. De um ponto de vista esse colapso de fé é uma libertação. Mas o adolescente na cidadania se sente indefeso diante dos poderes obscuros que dirigem o curso das coisas.” . . .

      você lançou não apenas luz mas um “Holofote inteiro” sobre porque vemos os adolescentes aderirem como esponjas ao ideário fácil e imediatista promovido pelo Marxismo, em todas suas facetas, que lhes é DIRIGIDO, que exploram essas fragilidades “através de soluções mágicas” exatamente como brilhantemente que descreveu! MUITO BOM, meu caro Watson!

      Valeu

    • . . . em outras palavras, ao se encontrar acuado a participar de um cenário que pouco entende, mas sendo pressionado a tomar decisões, acaba buscando (e encontrando) a segurança da infância recém perdida, no corporativismo de uma causa onde a “sua geração” encontra-se toda envolvida, e (o que é o pior) apresenta “solução óbvia” que a geração anterior foi “INCAPAZ” de implementar!

      Enveredam dessa forma pela vida, se apegando a “um ideal salvador” que MUITO POUCOS SÃO CAPAZES DE ATINAR para o que de fato essa IDEOLOGIA REALMENTE SE PRESTA: O Controle Populacional e a Concentração do Poder Econômico sob as Botas do Regime Escravocrata de Estado! (Monarquia-Feudal)

      Agora, . . . Vai tentar explicar isso a “eles”, ou a nós, em 1968 ? !!!!!!

    • “. . . porque ela (adolescente) percebe as contradições, as hesitações e fraquezas nos adultos, . . .”

      É precisamente esse aspecto que é explorado por Lenin em duas de suas famosas frases: ”

      “A tarefa dos comunistas é explorar todas as contradições; e onde não existirem, criá-las”. e

      “Deem-me quatro anos para ensinar às crianças, e as sementes que eu plantar jamais serão extirpadas.”

  14. Caro dr.Béja,

    Somente agora li o seu artigo porque eu estava em tratamento médico.

    Grato por se dirigir a mim e pedir a minha opinião a respeito desses “fenômenos” ocasionais e que elegem personagens até mesmo humorísticos em sinal de protesto do povo com relação à política nacional.

    Penso desta forma:
    Cacareco, macaco Tião, que foram animais que conseguiram milhares de votos, inegavelmente foi um protesto da população com a maneira como os políticos tratam seus eleitores, sempre com descaso, omissão e desconsideração.

    O voto dado a um animal revela que estamos descontentes, na razão direta que entendemos o político com menos condições de exercer uma função parlamentar que um bicho qualquer!

    Tião concorreu à prefeitura do Rio, e ganhou mais de QUATROCENTOS MIL VOTOS!

    No caso do “japonês”, da Federal, o policial representa a vontade popular em conduzir preso os ladrões do País, os corruptos, desonestos, então a sua fama e de ser bem visto pelo povo, pois a Justiça e a Polícia estão atuando em favor da cidadania.

    A impunidade, que era uma característica nacional, vem perdendo esta condição diante das investigações que abordam gente famosa, políticos, como deputados federais e senadores, ministros, diretores de estatais, pessoas que até pouco tempo atrás era impensável imaginar-se que seriam sequer investigadas quanto mais detidas!

    Ora, na razão inversa que o Parlamento hoje se mostra inútil e perdulário, portanto, inimigo do povo brasileiro, constatar que a polícia não se amedronta em enfrentar esta classe ainda poderosa é uma vitória excepcional, então abracemos o “japa” e tiremos fotos com ele!

    Agora, faz-se mister perceber que a classe política se defronta com a pior imagem possível na história, que deve e PRECISA ainda ser mais deteriorada até o momento que a imoralidade e desonestidade forem arrancadas do espírito de corpo do parlamentar na proibição de indenizações pessoais, regalias e penduricalhos salariais, que enaltecem sobremaneira uma das maiores diferenças sociais existentes entre os ganhos auferidos pelos políticos com o salário mínimo, algo em torno de um deputado ou senador “valer” MAIS DE SETENTA E DOIS TRABALHADORES ou mais de QUARENTA PROFESSORES!!!

    Inegavelmente há um misto de vingança da população quando o policial federal conduz preso e algemado um indivíduo que ficou rico roubando o trabalhador, lesando o País, dilapidando o nosso patrimônio.

    Parabenizá-lo através de a sua imagem ser cultuada e admirada, quer dizer o repúdio que temos pela corrupção e desonestidade, que devem ser combatidas permanentemente, de modo que a cada dia tenhamos mais ladrões na cadeia, e sejam quem for, pois o clamor popular é para que a Justiça esteja presente e seja feita, independente de os criminosos serem do colarinho branco ou parlamentares ou membros do Executivo ou até mesmo do Judiciário.

    O japa representa a vitória do fraco contra o forte; do povo explorado contra o seu explorador; dos salários aviltantes contra os super ganhos, patrocinados pelo cidadão que não suporta mais a carga tributária e a injustiça contra ele por aqueles que deveriam protegê-lo e preservá-lo de caos e crises ocasionados pela incompetência, má fé e dúbias intenções.

    É o que penso, dr.Béja.

    Um forte abraço.
    Saúde e Paz!

  15. O fenômeno, deve-se o fato de o JAPONÊS DA FEDERAL, ter caído na simpatia popular, assim como Jânio Quadros, cujo símbolo era uma vassoura para varrer a corrupção do País, ou o Lula e o seu PT ganharam a simpatia com um falso discurso moralista e renovador.

  16. Agora, quem está tirando as calças pela cabeça e pisando em cima, são os Delegados, invejosos que são, por não conseguirem atrair os holofotes para eles, que é o que mais gostam,como forma de esconder o trabalho dos policiais de verdade, que são os Agentes de Polícia federal, que carregam a Instituição nas costas, fazem todo o trabalho, juntamente com os Escrivães de Polícia Federal e os Papiloscopistas Políciais Federais e são o tempo todo massacrados com o uso de uma lei dos tempos discricionários, que não condizem de forma nenhuma com os preceitos insculpidos na CF/1988, uma lei anti-democrática, e com isso o número de suicídios no DPF é avassalador.

  17. Prezado Dr. Béja,

    Com relação ao seu comentário , parabenizo-o por PERGUNTAR quando a regra vigente é, muito ao contrário, nos empurrar goela abaixo respostas prontas e inquestionáveis. Estamos rodeados, por todos os lados , por donos da verdade.

    Com relação à minha resposta , devo esclarecer-lhe que foi inspirada na alienação e analfabetismo político do nosso povo, mas que ela reflete também , nessa época de trevas , as dificuldades que um homem enfrenta ao educar filhos.

    Não tenho dúvidas de que as nossas escolas e universidades foram aparelhadas pelos poderosos de plantão e que nelas ideologias doidas de pedra correm soltas. Muitas vezes ouvi de meus filhos que os professores lhes diziam exatamente o contrário do que eu lhes afirmava.

    Porém quem se propõe a formar homens inteiros e cidadãos produtivos , não pode manipular mentes e delas suprimir opiniões e informações.Na moçada temos que incentivar o gosto pela leitura, pelas grandes perguntas filosóficas , pelas grandes causas humanitárias , pelo livre pensar , pelo debate, pelo contraditório, pela evolução.São essas as sementes civilizatórias a serem plantadas .

    Eu pessoalmente avalio que a Guerra Fria acabou faz tempo e não acredito em soluções à direita ou à esquerda – muito menos extremadas – mas quem as fizer precisa conhecer o lado do jogo pelo qual está optando.Como poderá alguém abraçar o que desconhece ? De resto que se erre e que se acerte e que tanto as vitórias quanto os enganos lhes sirvam de GPS. Afinal, ” não é porque errei inconscientemente ontem, que eu não possa acertar conscientemente hoje”.

    Devo confessar que me entristece o nível de radicalização e patrulhamento do pensamento nas nossas praias, onde tudo acontece em ritmo de 8 ou 80, numa película em preto e branco, quando não monocromática . Pergunto: onde foram parar as nuances da nossa humanidade, a diversidade de nossos matizes?

    Na minha cabeça, mentiroso é mentiroso, ladrão é ladrão e ditador é ditador. Mas o pensamento e a arte humanas são abstrações. Desde quando PENSAR e CRIAR são crimes inafiançáveis ?

    Veja esta história de se confundir a produção artística e intelectual com as posições no espectro político , com as falhas de caráter, com as preferências sexuais de seus autores. Como é que pode se pode confundir filosofia e arte com biografias e ideologias? Não gostar da postura política de alguém , não deveria influir no julgamento de tantas magníficas obras artísticas , vilipendiadas sem quaisquer razões estéticas.

    São diversos os exemplos de radicalismo repudiando a manifestação artística e/ou filosófica. Talvez por isso TODO regime com viés totalitário – não importando de que latitude – insista nos tais de controles e comitês e instale a censura . Para controlar o que, para existir, necessita de LIBERDADE.

    Parece-me que a genialidade sempre teve dificuldades para ser abstraída no vasto mundo. Veja o Van Gogh , o inventor da linguagem das cores , que enquanto vivo jamais vendeu um quadro e o Mozart , que era considerado um sub músico bipolar.

    É claro que tinha razão o grande Millôr ao dizer que devemos desconfiar de todo “idealista que lucra com o seu ideal “. Nesta categoria e por lógicas evidências, podemos colocar o Chico Buarque.Eu discordo das posturas políticas do compositor, mas considero que passar a não gostar da sua ótima música por razões ideológicas , é um passo rumo à barbárie.Com certeza que a sua recente produção foi contemplada com Jabutis e Lei Rouanet demais para literatura de menos. Mas como é que se joga fora a trilha sonora da juventude da gente? Rosa dos Ventos, Cale-se, Construção, Vida e Morte Severina, Minha Gente, À Flor da Pele estarão sempre comigo.

    Seguindo essa mesma linha de raciocínio por serem comunistas a rapaziada não poderia ler as pretinhas de Marx , Saramago, Vargas Llosa até se converter, Galeano, Sartre e Simone .Quem mais ? Gorky, Bretch, Steinbeck, Maulraux enquanto foi, Vailland quase todo .E, é claro , as mais belas e subversivas palavras jamais articuladas:

    Bem-aventurados os pobres,os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os limpos de coração, os pacificadores, os que sofrem perseguição por causa da justiça, os injuriados e perseguidos.
    (Mateus 5:1-11)

    O Gabriel Garcia Marques ? Também seria barrado no baile.Um desclassificado que por ser amigo de crápulas assassinos como Fidel, Raul e o calhorda do Chávez – tão ditadores quanto os nossos militares – não mereceu aquele Nobel de Literatura que levou para casa , nem mereceria pelo menos mais 2 prêmios. Como nos seria possível não se encantar pela ficção fabulosa e lírica dele ? Como esquecer as borboletas amarelas e a bela Remédios andando nua por um país chamado Macondo em tempos do cólera numa morte anunciada?

    Da mesma forma , questiono se o Ezra Pound deixou de ser um dos maiores poetas de todos os tempos porque tinha simpatia pelo fascismo?

    Se Jorge Amado deixou de ser o contador de “estórias” que cativou milhões de leitores por ter sido membro do Partido Comunista? Se Pablo Neruda não escreveu versos de amor soberbos com o lado esquerdo do seu bendito cérebro? Ainda bem que Rodin,Picasso, Portinari, Abelardo da Hora e Niemayer – cujas curvas apesar de desenhadas por mão canhota encontram o infinito – estão fazendo companhia para o pobre do Gabo no Inferno do subversivo Dante.

    Teríamos que proibir a galera de curtir a visão religiosa do mundo e do homem , do Mestre pernambucano Ariano Suassuna , que influenciado – ao mesmo tempo – por Dostoiévski e Santa Teresa de Ávila, dizia blasfêmias do gênero:

    “Herodes e Pilatos eram de direita, enquanto o Cristo e São João Batista e os apóstolos eram de esquerda. Judas inicialmente era da esquerda. Traiu e passou para o outro lado: o de Barrabás, aquele criminoso que, com apoio da direita e do povo por ela enganado, na primeira grande “assembleia geral” da história moderna, ganhou contra o Cristo uma eleição decisiva”….rsrs

    E impedir o Darcy de proferir-lhes esta incrível verdade:

    “O corpo é bicho inconsciente, pau-mandado de suas fomes, medos, tesões, frios, ilusões. A alma é luz que sai pelos olhos, olhando, enxergando; pelos ouvidos, ouvindo, escutando; pelo entendimento, indagando, sabendo.”

    Estamos vivendo em guetos mentais.E não só em terras tupiniquins. Apesar do maestro Zubin Mehta já ter executado o grande Richard Wagner em Israel – assim como o fez também o Daniel Barenboin um judeu argentino naturalizado israelense – há, naquelas paragens, uma espécie de boicote e desestímulo à audição do gênio alemão , que vão desde cortes de verbas à qualquer manifestação artística do compositor , a ruidosas manifestações populares durante os concertos do autor do Anel de Nibelungo. Judeus simpatizantes da obra wagneriana ficam estigmatizados.Mesmo tendo Wagner morrido em 1880! Isso mesmo, antes do advento do nazismo , muito antes de ser considerado o compositor oficial do bestialismo assassino e apesar de já ninguém mais se recordar do Hitler Siegfried do genial Grosz. Um absurdo que somente o sectarismo explica.

    Ora, me parece que , sendo assim , deveria também ser proibida a montagem de qualquer peça de William Shakespeare no país. Afinal o estereótipo injusto do judeu avarento nunca assumiu tons tão claros como no personagem Shylock na peça O mercador de Veneza.

    Ao senhor , que ama a grande música , eu pergunto: não são ambas igualmente geniais e divinas as duas regências da ODE À LIBERDADE – que talvez seja o maior momento musical da nossa humanidade – pelas mãos do nazista Karajan e pelas do judeu americano Bernstein ?

    https://www.youtube.com/watch?v=t4N5-OALObk
    BEETHOVEN – Symphony no. 9 “CHORAL” – Leonard Bernstein (4)

    Aos jovens eu desejo apenas que entendam que não há atalhos para o conhecimento, que não são moralmente condenáveis e intelectualmente prejudicados TODOS os que pensam diferente deles, que a discordância é saudável pois dá uma boa sacudida na rede neural, sacode a poeira dos circuitos e dá uma geral nas sinapses!

    Que eles sejam livres para fazer as próprias escolhas , baseadas na razão. Que sejam lúcidos o bastante que escolher o que é sensato e para dispensar o que não faz sentido. Que julguem pelos resultados e não pelas intenções.Que digam não ao sectarismo e ao falso moralismo e VOTEM como fazia o grande conservador Antonin Scaglia:

    “Dispensar o confronto ( de ideias! ) quando o testemunho é obviamente confiável é o mesmo que dispensar um júri porque o réu é obviamente culpado”.

    Abraço

  18. Prezado Dr. Jorge Béja e leitores,

    Vou tentar responder, dentro de minhas limitações às indagações do Dr. Jorge Béja, mas antes de começar a explicação quero dizer que ”

    “Ontem, 17 de Fevereiro, Newton Ishii esteve na Câmara dos Deputados, em Brasília. Foi participar de um evento de policiais e acabou sendo levado ao plenário pelo deputado Aluisio Mendes (PTN-MA), após ter dado um passeio por toda as dependências da Câmara. E quando o deputado levou Ishii ao Salão Nobre da Câmara, o visitante foi, ainda que moderadamente ovacionado. Cafezinhos, muitos cumprimentos, fotos, selfies e antes de ir embora uma foto ao lado do deputado Tiririca (PR-SP). O parlamentar mais empolgado com a presença de Newton Ishii foi Jair Bolsonaro (PP-RJ) que fez questão de ser fotografado ao lado do ilustre visitante” é puro oportunismo de Bolsonaro e da Aluísio Mendes no PTN e nada tem a ver com a psicologia das massas, assim como o Jaiminho, um oportunista de enterros. Não servem de exemplo para o que eu vou falar. O oportunismo não tem causas subjetivas, é ato pensado, intencional, consciente, diferente dos casos do Japa da Federal.

    UM BREVE ESTUDO SOBRE A PSICOLOGIA DAS MASSAS

    EDNEI FREITAS

    O fenômeno das massas na formação de seus ídolos ou na percepção de seus vilões está intrínseco nos processos inconscientes descobertos por Freud, de identificação e introjeção. Sua descoberta posterior do Superego, que ele atribuiu à introjeção do pai na vida psíquica da criança e sua consequente identificação com o pai que a criança faz. Isto levou ao reconhecimento de que a identificação é uma sequela da introjeção (da figura idealizada na alma da pessoa que a introjeta) e faz parte do desenvolvimento normal do indivíduo normal.

    Correlato a este fenômeno, há outro processo do psiquismo, a projeção. O processo de projeção pode ser facilmente explicado ao leitor leigo, tomando como exemplo uma mãe que leva o filho pequeno ao Jardim Zoológico, onde estão animais grandes e ferozes. Num certo momento, a criança diz para a mãe: “Mamãe, vamos embora porque a senhora está com medo”. Dizemos que a criança projetou na sua mamãe seu próprio medo e sua própria angústia.

    O processo de projeção e introjeção permeiam não só a vida inconsciente da criança, mas também do indivíduo adulto. Não são apenas as partes que provocam angústia e medo que são projetadas para dentro de outras pessoas, mas também as partes que são sentidas como boas e valiosas que a criança ou o adulto tem dentro de si.

    Assim, um homem ou mulher que são sentidos como valiosos e bons recebem a projeção das massas como ídolos. Mas só podemos projetar no outro as qualidades boas quando nós a temos dentro de nós mesmos. Não há como projetar no outro o que não temos. Posso adiantar que a carência de elementos bons que deixa o sujeito capaz de projetar em outro qualidades boas, que normalmente o indivíduo não tem, tem relação com a não resolução do Complexo de Édipo, universal em todos nós.

    Da mesma forma, nossos temores, nossas angústias e nossos desejos inconscientes de vingança (ou justiça), como no exemplo do menino no Zoológico, só podemos projetar no outro quando os temos no interior de nosso inconsciente, como a ideia persecutória que toda criança tem de matar o pai para tomar o lugar dele (Isto é o Complexo de Édipo, um enigma que há de ser resolvido para que frutifique uma pessoa normal).

    Assim sendo, pessoas como Lula, que fez tantas coisas ruins, recebem além da nossa justa condenação objetiva e consciente, nossa projeção de todas as coisas ruins que são nossas e temos represadas no inconsciente, tornando para nós a pessoa de Lula o símbolo de todo o mal, junto a nossos desejos primitivos e inconscientes de o agredirmos, mata-lo como ao pai sentido como mau ou vê-lo na prisão.

    Como no nosso psiquismo estão em atividade permanente a projeção e a introjeção, introjetamos as pessoas que percebemos como objetos bons, o que é subjetivo, inconsciente e pessoal, e é por isso que nos tornamos Brizolistas, Itamaristas, Bolsonaristas, Pepeesiistas, como eu, como nosso ideal de bondade e motivo de nossa idolatria. nós passamos, inconscientemente, não só a querer ser como eles, mas também ser eles. E estes objetos por nós introjetados como bons passam a fazer parte da nossa personalidade.

    No caso do Juíz Sérgio Moro, inclusive com a cobertura midiática que exalta seus feitos a introjeção fica evidente, não precisa ser explicada. Mas no caso do japonês da Polícia Federal, vemos sempre que ele ocupa muito espaço na imprensa, em grande parte porque ele é um estranho no ninho, já que não há outro japonês conhecido na Polícia Federal, o que chama a atenção da mídia, mas também porque ele é alvo de charges ou cartoons mostrando um sujeito bruto e musculoso, com um cassetete e algemas nas mãos, e nele as massas projetam seus próprios desejos de abater com cassetetes e algemas aos ladrões da Petrobras e outras estatais.

    Projetamos também no outro a ideia infantil e não amadurecida de vingança, primordialmente sentida pela criança com relação ao próprio pai por lhe tomar a mulher, a mãe (Complexo de Édipo). É o complexo de Édipo mal resolvido faz com que projetemos nossos desejos de vingança (ao nosso pai) em uma vingança insensata contra nossas instituições, como o Congresso Nacional, que é cheio de homens representantes paternos e até de mulheres representantes maternas de quem também sentimos ódio por não sermos escolhidos por ela no lugar do pai. E aí se projeta um insulto ao Congresso nacional, pura projeção paterna, ao elegermos Tiririca, O Cacique Juruna, Clodovil, Agnaldo Timóteo ou, como no estado de São Paulo numa década próxima da nossa, não mais me lembro qual, o campeão de votos foi um animal, se não me engano chamado “Cacareco”, representado por uma figura que lembrava um jacaré.

    Sei que escrevi para um público leigo em Psicanálise. Procurei fazer, então, um texto que possa ser compreendido, embora eu não tivesse como evitar colocar certas situações que acontecem com todos os homens e mulheres normais, mas que são totalmente inconscientes para esses. As pessoas comuns não fazem a menor ideia de seus desejos inconscientes, ódios, incesto e afetos. Se tudo isso fosse revelado ao leitor leigo, este ficaria horrorizado. O inconsciente é uma defesa para a nossa consciência comum, que mantém oculto da luz de nosso pensamento o que realmente nós somos e sentimos.

    O único acesso ao inconsciente, sem muita dor, e que podemos ter, é através de uma Psicanálise bem feita.

    • Prezado Dr.Ednei Freitas,
      Um pequeno lembrete:
      Cacareco era um rinoceronte.
      Por outro lado, após ler a sua explicação técnica sobre os questionamentos do nosso eminente dr.Béja, e por eu estar há anos-luz de distância do senhor em formação acadêmica e conhecimentos, alegro-me que a minha experiência de vida tenha mencionado igualmente a vingança como um dos componentes que leva multidões ao delírio em situações como esta que atualmente convivemos, de constatar a vitória obtida por pessoas do mal, contrárias ao povo e ao desenvolvimento do Brasil, então enaltece aquele que representa o oposto, quando a decência, a correção, a dignidade se rebelam e prendem os falsos vitoriosos, que são conduzidos algemados para dentro dos camburões da Polícia Federal!
      O “japa” é o nosso Samurai ou a projeção do que gostaríamos de ser se tivéssemos a sua autoridade policial, a meu ver.

  19. Prezado amigo Ednei Freitas.
    Vou deixar para ler amanhã cedo, linha por linha, as considerações suas a respeito das indagações que fiz no artigo. As suas considerações e a de todos os demais leitores. Minha intervenção agora, antes de desligar o computador, é para dizer que já liguei quase agora para o presidente da TIM, Rodrigo Modesto de Abreu e com ele próprio falei para agradecer o pedido a ele feito antes, para que os técnicos da empresa fossem até sua casa restabelecer o sinal da internet. E eles foram, imediatamente, depois de uma espera de 3 dias sem sinal. Rodrigo é um fidalgo. Simples, a todos atende, sem formalidades. Pediu desculpas e colocou-se à nossa disposição para resolver outro eventual problema. Hoje não se vive sem internet.
    Até amanhã.
    Jorge

  20. Sr Jorge Béja poderia publicar essa ondem do governo do Estado SP, que esta matando profissionais da educação.

    Urgente!! Sobre Licenças de Saúde
    Por:

    Passou a circular a partir da última sexta feira (05/02) correio eletrônico segundo o qual a Unidade Central de Recursos Humanos do Estado de SP determinou as providências que devem ser adotadas no tocante à licença para tratamento de saúde, contendo ilegalidades.
    Nos termos da nova orientação dada pela administração, devem ser consignadas faltas injustificadas e descontados os dias correspondentes ao período de licença até que o parecer final do DPME seja publicado no diário oficial.
    Entretanto, o novo posicionamento da administração é ilegal, pois o DPME demora para realizar a inspeção médica e, não raras vezes, a perícia é realizada após os dias necessários ao tratamento de saúde do professor.
    Não é possível aguardar em exercício o parecer final do DPME para iniciar o gozo da licença, quando o professor que requereu o licenciamento está doente e necessita ficar afastado do trabalho para fins do tratamento.
    A APEOESP impetrará mandado de segurança coletivo para impedir que sejam consignadas faltas injustificadas e descontados os dias referentes à licença pleiteada pelo professor antes do parecer final do DPME.
    Como sempre, a APEOESP está atenta a toda e qualquer medida que fira direitos da categoria e não ficará inerte diante deste novo ataque.

    Maria Izabel Azevedo Noronha
    Presidenta da APEOESP

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