O jeito de amar do jornalista e compositor Sérgio Bittencourt

Resultado de imagem para sergiobittencourtPaulo Peres
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ite Poemas & Canções

O jornalista e compositor carioca Sérgio Freitas Bittencourt (1941-1979), na letra de “Eu Quero”, expõe sua maneira de amar. A música foi gravada por diversos cantores, entre eles, Carlos José, em 1974, pela Polydor.

EU QUERO

Sérgio Bittencourt

Eu quero que você me ame
Que você me chame quando precisar
Eu quero saber ir embora
Sem ter dia e hora pra poder voltar
Eu quero enquanto o tempo passa
Que você na raça saiba me ganhar
Eu quero ter a vida inteira
Pra fazer besteiras e você perdoar
O que eu sei hoje da vida
Até Deus duvida e eu vou te ensinar
Eu sei dizer tudo o que sinto
E até o que não sinto pra me desculpar
Eu sei calar na hora exata
Sei que a dor não mata mas pode marcar
Eu sei traçar a minha meta
Ninguém é poeta por saber rimar
E por falar em poesia vai raiar o dia
E eu vou te buscar, eu quero juro de verdade
Que toda a cidade veja eu te levar
Por todos os meus descaminhos
Somos tão sozinhos que o melhor
Mesmo é se dar
Eu quero que você se dane
E mesmo que eu te engane
É assim que eu sei te amar…

13 thoughts on “O jeito de amar do jornalista e compositor Sérgio Bittencourt

  1. Paulo Peres, permita-me homenagear nossogrande poeta Ferreira Gullar que hoje se encantou (conforme dizia Guimarães Rosa):

    Traduzir-se
    Fagner

    Uma parte de mim
    é todo mundo:
    outra parte é ninguém:
    fundo sem fundo.

    Uma parte de mim
    é multidão:
    outra parte estranheza
    e solidão.

    Uma parte de mim
    pesa, pondera:
    outra parte
    delira.

    Uma parte de mim
    almoça e janta:
    outra parte
    se espanta.

    Uma parte de mim
    é permanente:
    outra parte
    se sabe de repente.

    Uma parte de mim
    é só vertigem:
    outra parte,
    linguagem.

    Traduzir-se uma parte
    na outra parte
    – que é uma questão
    de vida ou morte –
    será arte?

    Descanse em Paz, querido poeta Ferreira Gullar

  2. Sérgio Bittencourt, partiu muito cedo, deixando-nos o legado de grandes composições como esta que recomenda que o melhor é mesmo se dar. Modinha, Naquela mesa – tornam seu repertório, inesquecivel.

  3. Corria o ano de 1970 ou 1969, não me lembro bem. Sérgio e eu trabalhávamos na Rádio Nacional. Eu gostava muito dele. E ele de mim. Um dia, ao encontrar Sérgio no corredor do 21º andar, onde ficava o antigo auditório e o departamento de rádio-teatro, vi Sérgio e comecei a chorar. Ele me perguntou por que eu chorava. Por você ter feito esta música “naquela mesa está faltando ele e a saudade dele está doendo em mim”.
    “É em homenagem a meu pai”.
    “Eu sei”, respondi. “Mas eu não a quero nunca cantar” (eu previa o que iria acontecer comigo e que Deus permitiu que só acontecesse 27 anos depois). Ele então me abraçou e choramos juntos.
    Sérgio era carinhoso. Me levou para o programa dele na TV Tupi, programa ao vivo, e de muita audiência. Ele, Sérgio e José Messias, todos éramos funcionários da Nacional. Sérgio e Messias, orai por nós.

    • Dr. Béja, o senhor trocou a letra ou foi esquecimento, como às vezes ocorre comigp?

      Não é ‘batendo’ em mim. É ‘doendo’ em mim.

      Cantei demais essa música para me esquecer de alguma palavra.

      Namastê.

    • Dr. Béja, seu relato me encheu o coração de saudades.

      Também trabalhei com Sérgio Bittencourt e José Messias. Sérgio era apresentador de um excelente programa na TVE, “A Verdade de Cada Um”, nos anos 70. Eu era debatedor, ao lado de Raul Giudicelli, Carlos Renato (ambos do programa Flávio Cavalcanti), Heloneida Studart (que se elegeu deputada) Fernando Leite Mendes (do programa Haroldo de Andrade e de “O Povo na TV, dirigido por Wilton Franco, com quem trabalhei em 2003, na TV Bandeirantes), o embaixador Raimundo Souza Dantas e outros mais.

      Sérgio Bittencourt era também um cronista admirável. Quando ainda bem jovem, ele escreveu durante alguns anos uma crônica diária no Correio da Manhã, que era a primeira coisa que eu lia. Não entendo porque não se dedicou mais à literatura.

      Abs.

      CN

        • O bigode era castanho avermelhado, o cabelo também. Ele parecia com o paí, Jacó do Bandolim, que também usava bigode. Por causa do pai, Sérgio conhecia todos os grandes músicos e cantores, era muito amigo de Elizete Cardoso, que gravava as composições dele. Sérgio Bittencourt era casado, eu conhecia a esposa, muito bonita e simples, não lembro seu nome. Acredito que não deixou filhos. Ele era hemofílico e tinha graves problemas nas articulações, especialmente nos joelhos. Apesar de ainda ser jovem, já andava de bengala. O grande chargista Henfil, que tinha o mesmo problema, sofria menos, porque se exercitava, fazia musculação, mas se submeteu a uma transfusão de sangue contaminado e morreu de Aids, assim os outros dois irmãos, Betinho e Francisco Mário, um grande compositor e violonista, de quem eu também fique amigo, ajudei a divulgar seu primeiro long-play.

  4. Também lia primeiro no Correio da Manhã a coluna do Sérgio Bittencourt. Meu pai era assinante do jornal.
    E posso dizer que se gostava das letrinhas, Sérgio fez com que eu gostasse mais. E misturasse as coisas, letrinhas com jornalismo.

    Eu vi o Sérgio Bittencourt uma única vez, na Globo.
    O amigo do meu cunhado compôs uma canção e eu fui cantá-la na Globo para uma primeira audição. O Sérgio estava na primeira fila, entre outras pessoas que não me lembro quem eram. Mas dele, de terno, acho que cinza, eu me lembro muito. Acho que ele aprovou meu canto pela expressão dele. Não se falava nada, era apenas uma apresentação.

    Mas desisti. E outra moça foi no meu lugar defender a música no Festival. Meu negócio não era cantar. Eu apenas gostava de.

    Foi uma bela experiência.

    • eu nao perdia o boa noite brasil de flavio cavalcante e peigrama c jurados q era c sergio bittencourt me chamava a atencao sua posicao mais q todos. foi e em nunca mais esqueci aquele jurado especial saudades!

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