O lodaçal do Brasil

Sebastião Nery

O sarcástico, às vezes iracundo e quase centenário George Bernard Show (nasceu em Dublin, na Irlanda, em julho de 1856 e morreu em Londres, ironicamente, no dia dos mortos, 2 de novembro de 1950), jornalista, teatrólogo, político e sobretudo filósofo do humor, encantou-se por uma mulher belíssima, que não queria nada com ele. Um dia, desesperou-se:

– Minha senhora, dou-lhe um milhão de libras por uma noite de amor.

– Aceito.

– Combinado, minha senhora. Mas, pensando bem, um milhão de libras é muito, é demais. Dou-lhe mil libras.

– O senhor está pensando que eu sou o quê?

– Minha senhora, o que a senhora é nós dois já sabemos. O problema agora é acertar o preço.

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RESPEITABILIDADE

O grande desastre de Lula e do PT é a consciência de que todo mundo já sabe quem eles são.

Um punhado de jornalistas e professores, numa conversa solta, analisava a crise ética que contaminou o governo de Lula e contamina o governo de Dilma. Chegaram, unânimes, a uma devastadora conclusão: o mais grave prejuízo de tudo isso, foi terem perdido a respeitabilidade.

Como a senhora de Bernard Show, agora já todos sabem quem eles são. Foram 30 anos de projetos, esperanças e sonhos, de repente se deram conta de que era tudo um conto.

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LE MONDE

Toda a esquerda mundial conhece o Le Monde Diplomatique, esse, sim, realmente de esquerda, com uma posição editorial ideologicamente e militantemente de esquerda. É uma publicação mensal e mundial ligada ao Le Monde mas independente, fundada e dirigida por Ignacio Ramonet, um ícone da esquerda e do jornalismo na França, na Europa e no mundo.

Ramonet e seu Le Monde Diplomatique é que sobretudo criaram o Forum Social de Porto Alegre, para contrabalançar o Forum Economico dos banqueiros em Davos. E entregaram seu comando e louros a Lula e o PT.

Pois em 2005, na crise do Mensalão, Ramonet passou o mês de outubro nas bancas, gritando na principal e maior matéria da primeira página de seu jornal: “Brésil, le Gachis” (Brasil, o lodaçal, o atoleiro).

Lula saiu, Dilma está aí, e o lodaçal continua, onde até CPI do Cachoeira se atola.

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