O MEDO da ditadura, a obsesso de combat-la. O MEDO de ditadores civis (como Serra, Dilma e Ciro), como combat-los depois de ELEITOS?

Lgico, falo de Serra, Dilma e Ciro. Tm formao e convico draconiana, dominadora, no suportam dilogo, controvrsia, debate. Mandam, e quem no obedecer ter que sofrer as consequncias. Por isso afirmei que, com os trs, qualquer um deles no Planalto, a democracia brasileira estar em perigo.

Tenho medo desses democratas autoritrios que colocam sempre a segunda palavra na frente da primeira. E no tenho o menor constrangimento de dizer que tenho medo. Quem diz, no tenho medo de nada, um irresponsvel ou um mentiroso.

O normal ter medo, a grandeza est em resistir a ele, saber que est no limite da perseguio, que tudo pode acontecer, o Poder nefasto e torturador tem o direito da fora e pode fazer o que quiser. Isso d um medo terrvel, irreprimvel, irresistvel.

Por causa do comportamento desses trs que pretendem chegar e dominar o Planalto, tenho medo pelo passado deles e obviamente pelo futuro do pas. A glria deles o Poder, se conseguirem conquist-lo, assustaro milhes. Todos me perguntam: Nesse caso, em quem votar?.

Nas inmeras vezes que fui levado preso para o Codi-Doi, ia apavorado. Mas por dentro. Quem olhasse a minha fisionomia, mirasse meus olhos, poderia dizer ou perguntar: Esse homem no tem medo?. Eu s era preso de madrugada, assustador. Depois melhorei a constatao: Eles s prendem os que resistem, de madrugada e de preferncia com temporal.

Quem prendia, por ordem dos militares, era a polcia civil. Mas nos carros, sempre me diziam: No gostamos de trazer prisioneiros ao CODI, entregamos e vamos embora. Aqueles oficiais de no mnimo 1,80m(chamados de Catarinas) me gozavam: O senhor escreve contra ns mas est sempre aqui. Mal sabiam eles, que eu escrevia menos de 1 por cento do que desejava, a censura devorava tudo.

Esse antro de terror ficava na Baro de Mesquita, foi IDIA de Orlando Geisel, (irmo de Ernesto) que queria tanto ser presidente, no conseguiu. Foi montado numa parte da antiga Polcia do Exrcito. Inicialmente se chamava CODI-DOI. Surpreendentemente mudou de nome, inverteram as palavras, passou a ser DOI-CODI. Ningum conseguiu explicar.

Numa daquelas madrugadas de choros, gritos e lamentos, fui levado mais uma vez para l. Eram duas da manh, quando chegou o comandante dessa Universidade do Terror, seu nome era Fiza de Castro. (O filho, o pai foi um homem digno, quase Ministro da Guerra, ainda se chamava assim).

De palet esporte, sorumbtico, que palavra, disse se referindo a mim: Eu gosto tanto quando senhor escreve sobre esportes, por que tem que se meter na vida dos governos?. Ele se julgava governo, e legtimo.

Voltou a fingir que dormitava, at que um capito, nunca soube o seu nome, perguntou: Coronel, por que esta unidade mudou de nome?. E Fiza de Castro, s gargalhadas, trocamos de nome porque DOI primeiro. Pouco depois, no Almanaque ele era o nmero 1 para general. Ningum queria promov-lo, o candidato forte era o nmero 2. Fizeram ento o seguinte. Promoveram Fiza de Castro, foi nomeado Comandante da polcia Militar, agregava. E promoveram o nmero 2. (Naquela poca a Polcia Militar era comandada por um general da ativa).

Aquele antro vivia (?) cheio de jovens de 19, 20, 21 anos, todos de classe mdia. Eram presos, levados para l, torturados imediatamente, tiravam informaes, quando chegava o pistolo, eles soltavam. Uma noite, na minha casa, o general Cordeiro de Farias contava para Jos Aparecido, Oscar Pedroso Horta, (Ministro da Justia de Jnio) o grande advogado Evaristinho, o que sofrera pra tirar o filho de um amigo desse CODI ou DOI.

Cordeiro, (que na FEB j era general, Castelo Branco ainda Tenente-Coronel) contava: Quando fui governador de Pernambuco, (pelo voto direto) fiz grandes amigos civis. Um deles teve a filha de 20 anos levada para l, me telefonou desesperado. Levei mais de um dia para localiz-la, j havia sido torturada.

(Foi l que assassinaram o bravo Rubem Paiva. Foi preso por causa de revelaes irresponsveis, todos os telefones eram gravados. Levado para a Aeronutica, comearam a tortur-lo. Gostavam muito de amarrar o prisioneiro num jipe, e passear com ele por aqueles caminhos cheios de pedras, ningum resiste. J estava agonizante, foi levado para a Baro de Mesquita, onde morreu horas depois. Montaram ento a farsa: estavam levando o prisioneiro num jipe, pela Quinta da Boavista, quando foram atacados. Inacreditvel, nenhum rgo publicou coisa alguma. (Ns tentamos, a muralha da censura nos soterrou).

Foram vezes incontveis, a mesma rotina do medo, meu e deles. Pois como eu era um nome nacional, eles se compraziam antecipadamente no prazer de me torturar, como aconteceu com tantos. E se eu no resistisse tortura e morresse? Foi o que aconteceu com o jornalista Wladimir Herzog, assassinado em So Paulo, na sucursal do DOI, que l se chamava OPERAO OBAN.

***

PS- Comecei a falar em MEDO da ditadura, mas lutar contra ela basta (basta?) ter disposio, coragem e determinao. O EXLIO uma satisfao, como disse Darcy Ribeiro: Nunca me diverti tanto como no exlio, visitei pases que jamais conheceria, no gastei um tosto.

PS2- Mas como respeitar e deixar de combater Dona Dilma, Serra ou Ciro, se chegarem ao Planalto? A, estaro LEGITIMADOS por essa representatividade falsa, mas que ser necessrio renovar, revolucionar ou renovolucionar. Sei que irei combat-los, haja o que houver. Mas nesse HAJA O QUE HOUVER, como ultrapassar o tempo?

PS3- Ia contar outras OPORTUNIDADES de MEDO quase PNICO, so tantas, fica para outra vez. De preferncia sem nenhum dos trs no Poder.

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