O melhor negócio para o Brasil seria “vender” a preservação da Amazônia

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Nenhum dos quatro sabe discutir a questão ambiental

Carlos Newton

Por ser mal assessorado, Bolsonaro perdeu uma grande chance de defender nas Nações Unidas a política ambiental do Brasil. As cúpulas do Itamaraty e do Ministério do Meio Ambiente são formadas de diplomatas e executivos sem qualificação específica para as funções, sem conhecimento do que já foi feito e do que falta fazer, sequer percebem que o Brasil tem a legislação ambiental mais moderna do mundo e que deveria ser adotada com modelo internacional. O próprio general Augusto Heleno, que se diz especialista em Amazônia, não demonstra ter reais conhecimentos sobre a questão ambiental propriamente dita.

O resultado é que a imagem do Brasil está desgastada despropositadamente, sem a menor justificativa, porque Bolsonaro fez um discurso agressivo a nossos parceiros comerciais, ao invés de ter preparado um pronunciamento informativo, elucidativo e definitivo.

SITUAÇÃO SURREAL – Uma imagem vale mais que mil palavras, dizia o sábio chinês Confúcio (551 a.C.). E quando as fotografias e filmagens da Amazônia devastada correm o mundo, é natural que as pessoas se revoltem, aqui no Brasil e em todos os países, não importa que as queimadas atinjam apenas uma ínfima parte da chamada floresta úmida. A sensação é de que toda a Amazônia está sendo destruída.

É uma situação surreal, que precisa ser explicada interna e externamente. Em recente reportagem de Rafael Garcia, na Folha, que republicamos aqui na TI, o engenheiro florestal Tasso Azevedo, criador do MapBiomas e líder de projeto para mapear todo uso do solo no Brasil, desmonta as informações errôneas sobre a Amazônia, para fazer uma análise precisa do agronegócio. No cálculo, usou todos os dados de desmatamento do ano passado e cruzou com o Cadastro Ambiental Rural. Nesse cruzamento, foi constatado que menos de 0,5% do total de propriedades na Amazônia desmataram.

FRONTEIRA AGRÍCOLA – “Então, 99,5% das propriedades não tiveram desmatamento e estão produzindo. Esse 0,5% de propriedades está concentrado em regiões de fronteira agrícola, e hoje a decisão de desmatar é uma decisão de cada proprietário e faz sentido apenas no contexto individual. Na Amazônia, os dados da Embrapa e do Inpe são muito claros: desde 1988, 63% de tudo o que foi desmatado na Amazônia se transformou em pasto de baixa produtividade, com solos em degradação. Outros 23% se tornaram área abandonada, que está se regenerando. Só o restante disso, 13%, está destinado a agricultura e uso urbano. Não faz sentido para o país desmatar a Amazônia para transformá-la em área abandonada”, diz o especialista Tasso Azevedo.

O mais importante, a seu ver, é que o Brasil tem tecnologia para  multar propriedades rurais usando satélites, da mesma forma com que radares produzem multas de trânsito, e já existem 11 sistemas de alerta de desmatamento operando. As multas são caras e desestimularão novos desmatamentos, porque o Cadastro Rural Ambiental registra os responsáveis pelas áreas.

RECUPERAÇÃO – Além disso, há a recuperação das reservas ambientais nas fazendas em outras regiões do país, que vem ocorrendo desde o novo Código Florestal, de 2012, que determina a criação de áreas florestais nas margens dos rios e em 80% da área de cada fazenda na Amazônia, 35% no Cerrado e 20% nas outras regiões do país.

Nenhum outro país está regenerando áreas degradadas como o Brasil, mas o resto do mundo desconhece, porque o presidente Bolsonaro e os ministros Ernesto Araújo e Ricardo Salles não têm conhecimento específico do assunto e não sabem “vender” a preservação da Amazônia. Aliás, é mais correto dizer que os três não têm conhecimento de nada.

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P.S. 1 – O Chanceler é bisonho. Há meses vem repetindo o mesmo discursos, falando bobagens como climatismo, globalismo, cultura marxista e outras bobagens que ninguém sabe o que significam, apenas ele consegue entender. E já está mais do que óbvio que o Brasil não terá moleza no exterior, enquanto não mostrar que sabe cuidar da Amazônia. 

P.S. 2 – Por fim, não dá para entender por que a Amazônia ainda não foi transformada no maior polo de turismo do mundo? (C.N.)

9 thoughts on “O melhor negócio para o Brasil seria “vender” a preservação da Amazônia

  1. Ora caro CN, não é claro que o chanceler representa o Olavo de Carvalho!!! O que ficou “estranho” foi o novo PRG ser ligado a cúpula do PT! Caberia até uma análise deste “jornal”!
    Abraço fraterno.

  2. Pior é o Salles, com aquela cara de copeiro e uma incompetência descomunal, não contratava ele nem para cobrar ingresso num cinema…

    Acho que o Fantastico, de domingo 13 de outubro, deixou bem claro o que esta acontecendo.
    Bozolado cortou a verba, do ICMBio e do Ibama, e autorizou o vandalismo pro pessoal papápapá da laia dele.

    Trocamos a gentalha do PT por gentalha pior, sem o mínimo de noção do que podem acarretar os desdobramentos desse governo inoperante, comandado por um fantoche, um boçal que , na verdade tem sim um projeto, mas se declará-lo vai preso, impinchado…

    A Amazonia precisa permanecer intacta, ou não haverá mais agua.
    Não resta duvidas que se continuarem detonando a Amazônia haverá intervenção.

  3. Concordo com teu comentário Carlos Newton,
    além do que citaste, deveria haver um estudo de alto nível por cientistas insuspeitos para que alternativas de desenvolvimento sustentável sejam encontradas.
    Enfim, deveria ser usada a razão para a questão da preservação da Amazônia..

  4. Fora do tópico.

    Não estou entendendo como não foi ainda descoberta a origem do derramamento de petróleo no nordeste. Com toda a tecnologia existente nos satélites, seria de se esperar que eles detectassem esse vazamento que foi grande.

  5. Não querem estradas, ferrovias, hidrelétricas, vão querer turismo? Infelizmente o PT, PSDB e a Esquerda colocaram a Amazônia nas mãos dos Globalistas. Bolsonaro e as Forças Armadas terão um trabalho enorme para desfazer tudo isso, mas conseguirão.

  6. A melhor solução é explorar a Amazônia com responsabilidade.
    Mineração, agricultura,etc.

    Impedir as atividades produtivas é muito pior, pois é aí que mora o perigo, pois os invasores vão fazê-las de qualquer jeito.

    Com atividades legalizadas, a fiscalização é bem mais fácil.

  7. Se a legislação ambiental brasileira é a melhor do mundo, não faço idéia. Em geral, as pretensões brasileiras de ter algo melhor do mundo são meio exageradas. Um problema concreto é que há muita superposição de órgãos públicos federais, estaduais e municipais envolvidos na questão ambiental, e muitas vezes fica complicado saber quem é competente para fazer o quê. E além do mais, é muito difícil fazer valer a lei neste país, Se alguém pretende fazer isso a sério, corre o risco de ser acusado de “abuso de autoridade”.

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