O mensalão de Sarcozy

PARIS – O Presidente disse esta semana: – “Eles querem me enfiar dentro disso tudo. É preciso atacar, atacar”.

O Presidente disse ontem: – “Resistir, resistir. É para resistir”.

No palácio, a palavra de ordem é: – “A crise é o melhor agente eleitoral do Presidente”.

Voces devem estar muito enganados. Quem disse isso não foi apenas Lula em 2005 e 2006, quando estourou o escândalo do Mensalão. Está nos jornais franceses desses últimos dias. Sarkozy aprendeu com Lula. Atacar, atacar a oposição, negar tudo, mentir muito para segurar a explosão do seu Mensalão. Mas isto pode não dar certo aqui. A França é uma democracia e o debate político um jogo aberto.

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OPOSICAO

No “Le Nouvelle Observateur”, a mais respeitada revista daqui, o editorialista Laurent Joffrin abre assim seu artigo desta semana:

-“A multiplicação dos escândalos político-financeiros cria uma atmosfera de delinqüência moral em torno do Palácio Elysée. A proximidade do Presidente com as classes favorecidas agrava seu estilo de novo rico agitado que sela deu destino. A vitória histórica da esquerda no Senado mostra que a França dos notáveis não acredita mais no destino do Presidente. Sua calamitosa cota de popularidade prova isso”.

Esta “popularidade” está nas duas principais pesquisas do país, nesta semana. No jornal “Liberation”, a “Via Voice” mostra que “68% dos franceses querem Sarkozy derrotado”. E só 23% acreditam em sua vitória.

No “Le Monde”, o mais importante jornal da França, e na “Rádio França”, o IBOPE daqui, o “Ipsos”, apresenta três candidatos da esquerda: um com 32% (François Hollande), outracom  29% (Martini Aubry) e outra com 22% (Segolene Royal) e Sarkozy só 21% se disputar com Hollande, 22% com Aubry e 23% com Segolene. E os socialistas ainda têm  mais cinco candidatos. A Martine Lepin, da direita tarada, tem sempre 16%.

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CORRUPCAO

E por que, apesar disso tudo, Sarkozy ainda é candidato a reeleição? Porque ele é que é o dono do Mensalão, como Lula foi em 2005 e 2006 para se candidatar a reeleição. Dinheiro atrai dinheiro. E corrupção é corrupção no Brasil, aqui, nos Estados Unidos e na Líbia.

No Brasil inventaram uma maneira canalha de tentar esconder a corrupção atrás de uma palavra marota que, para surpresa minha, até a Dilma adotou: corrupção virou “mal feito”. Lá em Jaguaquara, mal feito é pirraça de menino na creche. Corrupção é bandalheira, crime.

Os jornais publicam declarações dos amigos e colaboradores de Sarkozy, queixando-se de que ele está “fragilizado e isolado”. Até as pesquisas dentro do partido dele provam isto: o seu ministro do Exterior, o ex-primeiro ministro Alain Juppé está com 26% nas pesquisas, contra 21%.

E até o primeiro-ministro François Fillon, que fisicamente se parece muito com o competente Paulo Henrique Amorim, mas é um bolha, sem poder nenhum, chega a 16% nas pesquisas do partido do governo, o UMP, quando Sarkozy com toda a máquina oficial, a poderosa imprensa organizada e o sistema financeiro nas mãos e no cofre, não passa de 21%.    

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HOLLANDE

Mesmo assim começou a derrubar os candidatos dos partidos aliados do centro: Jean Louis Borloo, presidente do Partido Radical, já desistiu esta semana. O próximo vai ser François Bayrou, um Kassab, presidente do  MODEM (Movimento Democrático), nem movimento nem democratico.

 Também ele deve pular fora para assegurar a a velha divisão aqui da França: a Direita de um lado com Sarkozy e a Esquerda do outro com o candidato do Partido Socialista, indicado pelas primárias (prévias) de domingo agora.

Tenho a impressão de que, com oito candidatos, o nome da oposicao só será decidido no segundo turno de domingo 16 de outubro. Deve dar François Hollande neste domingo agora e è bem possível que ele vença novamente no próximo domingo.

Uma boa indicação disso é que a “imprensona” daqui, sempre a serviço do dinheiro, dos banqueiros, dos poderosos, como é no Brasil “globalizado”,  já começou uma campanha feroz contra ele.

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