O momento da definição eleitoral chegou

Vittorio Medioli
O Tempo

Nada está definido, existem, sim, tendências que estão se solidificando, mas a cada candidato se concedem ainda possibilidades de vitória. Nem tudo está perdido, nem tudo está ganho.

Pode-se prever que não cairá outro avião, até porque estatisticamente o de Eduardo Campos representa uma extraordinária excepcionalidade, e mais excepcional seria repetir-se em poucos dias o que não aconteceu em 20 anos de uso desse modelo da Cessna.

Há quem insista na necessidade de uma explicação melhor sobre a surpreendente queda da aeronave mais segura da aviação executiva mundial. Explicação que parece não importar muito depois do sepultamento de Eduardo Campos.

Faltam quatro semanas, 28 dias, para decidir quem passará ao segundo turno. A cada dia, fica mais árdua uma mudança radical de tendência. O que sobra de tempo, como lembrou um marqueteiro argentino, é essencialmente para intensificar a “porradaria”. Quer dizer, a desconstrução dos adversários, removendo-os do caminho. Em outras palavras: “demonização” para fins eleitorais.

DESCONSTRUINDO MARINA

O caso mais claro de demolição da semana, que viu convergirem os oponentes, é de desconstrução de Marina Silva, a nova líder das intenções de voto. A investigação sobre a queda do avião, inicialmente defendida pelos líderes do PSB, que ainda está por ser explicada, levou ao contrário do esperado, autoridades coatoras da elucidação do caso à procura da origem dos recursos que pagavam o afretamento da aeronave. Paradoxalmente, na crucificação, o principal assunto passou a ser quem fabricou os pregos, não a crucificação em primeiro lugar e como se determinou. A quem interessa a origem dos pregos?

Nenhuma autoridade questiona a análise dos restos de tecidos pulmonares encontrados e que poderiam dar resposta à tese de uma explosão a bordo antes do descontrole ocorrido. A presença de substâncias impróprias no ar respirado estaria nos tecidos das vias respiratórias. Pulmão e até tórax inteiro de ocupante foram recolhidos em Santos. Foram conservadas amostragens desses tecidos? Foi realizada análise ou autópsia? Onde se encontram os resultados? Quais preocupações tomaram os peritos criminalistas do caso? Ninguém cobra isso, mas alguém cobra a origem dos recursos do fretamento.

Desperta perplexidade, ainda, a falta da gravação dos diálogos a bordo. Inexplicável, também, uma matéria veiculada na mídia que mostra um técnico explicando como o piloto poderia ter desligado o gravador de voz, puxando um elemento do quadro de fusíveis. Na realidade, o fusível não é um dispositivo de acionamento, mas de proteção, identificável apenas por um técnico aeronáutico durante manutenção de inspeção, dispondo de manual nas mãos. Nenhum piloto brincaria no quadro de fusíveis antes de um voo. Geraram-se perplexidades inquietantes que reforçam a necessidade de uma explicação séria.

APEDREJAMENTO

Marina subindo para a liderança virou alvo de apedrejamento. Esperado. Sempre o líder de intenções de voto recebe ataques atendendo a regra de que “não se gasta chumbo com defunto”. Resistirá? Terá como passar pelo bombardeio?

As propostas reais dos candidatos são poucas, e algumas, patéticas, saindo de quem por 12 anos de prática contumaz contrária se propõe a mudar de rumo apenas agora quando a popularidade entra em queda.

O eleitor neste momento não distingue as propostas que foram homogeneizadas atendendo o anseio relevado pelas pesquisas de opinião. Saúde e segurança até enjoar, mas fica nas generalidades, pouco motivadoras para a massa de eleitores.

Questões que corroem o Brasil, como excesso de burocracia, tributos e corrupção, são tangenciadas, assim como o aparelhamento do Estado para fins partidários e de locupletação. Não está se discutindo que modelo de desenvolvimento do país se colocará em prática, um desenvolvimento que ficou refém de gavetas do sistema público/corrupto, cobrador de taxas e multas e de costas para o seu papel de apoiador e fomentador. Hoje, o cidadão se encontra na frente de um Estado geralmente tirânico, cínico na hora de apoiar e cruel em cobrar impostos. O sistema que vampiriza sobreviverá. As brechas para o desfrute do poder, como revela o depoimento premiado do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, continuarão como espada de carrasco sobre a nação. Tem proposta para desbaratar esse filão?

EMPRESARIADO

Dilma evidentemente terá muita dificuldade em convencer agentes que operam na economia competitiva. Enfureceu o agronegócio, a indústria de bens de capital, os setores como o sucroenergético, que com ela chegou à beira da desintegração. Nisso o PSDB ficou assistindo sem uma posição visível e identificada como contrária. Dilma continua soberana nos redutos que dependem de “bolsas”, mas não é apenas de bolsas que se sustenta uma nação.

Gera também estarrecimento constatar que no momento em que deveria estar no ápice do seu desempenho, coincidindo com o ano da reeleição – assim como antes dela conseguiram FHC em 1994 e Lula em 2006 –, está exatamente no fundo do poço. Gastou chumbo mal e antes da hora, isso a descredencia para tarefas futuras.

Assim, as cotações da Bolsa reagem inversamente proporcional à expectativa de ela permanecer no governo. Aécio, muito bem cotado entre as camadas mais altas da sociedade, peca no uso de um vocabulário e de gestos que ficam abstrusos aos ouvidos das classes C e D. Marina, ao contrário, encontra nessas classes uma “floresta conhecida”. No xadrez da eleição, os erros se pagam, mais do que as virtudes podem ser reconhecidas.

Em Minas, campo de batalha principal, segundo o resultado Ibope da semana, Pimenta da Veiga melhorou sua performance, apesar de uma notável migração de eleitores de Aécio para Marina. Teria assim, pela primeira vez desde julho, crescido mais que Pimentel, encurtando a distância e reacendendo o sonho tucano de “virada”.

As próximas duas semanas, do dia 8 até o dia 22, serão decisivas para confirmar as tendências, quem embalar no meio de setembro levará a melhor no primeiro turno.

O momento em que as “flores” se transformam em frutos chegou.

6 thoughts on “O momento da definição eleitoral chegou

  1. Por José Ori Dolvin Dantas

    Usei os seguintes argumentos para justificar que o acidente foi um atentado.

    1. Um jato executivo bimotor de porte médio fabricado em 2010 com 300 horas de voo é um avião novo!

    2. A aeronave estava com as inspeções gerais e periódicas previstas no programa de manutenção em dia.

    3. Equipado com sofisticados instrumentos de navegação que permitem pousos e decolagens em qualquer condição de tempo.

    4. Gravador de voz em pane? Difícil de engolir. Ou o CENIPA recebeu ordem para não divulgar o conteúdo do áudio ou o gravador foi danificado durante o pernoite no pátio do aeroporto Santos Dumont.

    5. A voz do piloto no diálogo com a torre de controle e divulgada por uma emissora de TV logo após o acidente mostrava muita tranquilidade da tripulação, apesar da chuva e da pouca visibilidade durante os procedimentos de aproximação.

    6. Há fortes indícios de duas explosões: uma na cabine ou nas turbinas, o que fez o avião despencar; a outra, onde estavam os passageiros (motivo de os corpos terem sido totalmente esmigalhados). É tão evidente que houve esta explosão que não se achou, sequer, um pedaço de crânio, para se comparar fichas odontológicas a qualquer arcada dentária. Somente com o exame de DNA foi possível identificar o que sobrou de cada corpo.

    7. Algumas considerações:

    • Se os pedaços da aeronave e partes significativas de corpos são encontrados em uma área extensa, pode-se afirmar que a explosão aconteceu ainda em voo. Foi o caso do atentado em 1988 ao Boeing 747 da PAN AM sobre a cidade escocesa de Lockerbie.

    • Se os pedaços da aeronave e partes significativas de corpos são encontrados concentrados em uma área, significa que a explosão aconteceu após a queda e foi ocasionada basicamente pelo combustível no momento do impacto com o chão.

    8. Neste acidente com o Cessna 560 XL, o que chama a atenção é a evidente desintegração de toda a fuselagem e o despedaçamento completo de todos os corpos.A única forma de justificar um cenário como esse é um impacto frontal da aeronave com uma parede em pleno voo (o que não aconteceu) ou uma explosão ocasionada por um artefato explosivo durante o impacto com o chão.Vejam que o noticiário mostrou que, antes da aeronave bater no solo, ela tocou na quina da cobertura de um prédio.

    9. Possivelmente foi nesse momento que a turbina foi arrancada e arremessada como um míssil para dentro de um apartamento próximo. Com certeza essa colisão diminuiu ainda mais sua velocidade. Então, de forma nenhuma podemos justificar o fator velocidade como causa do esmigalhamento dos corpos e estilhaçamento de toda a fuselagem. No acidente da TAM em Congonhas foram encontrados centenas de corpos queimados ou carbonizados, mas praticamente inteiros.

    10. Há indícios fortes de que as explosões aconteceram de dentro para fora da aeronave. Uma evidência comprovada é a porta desse ter sido encontrada longe do centro de gravidade do acidente.

    11. Dizer que acima de 8 “G” os corpos se desintegram é verdade, mas o avião estava subindo e manobrando. Caiu com velocidade muito aquém da velocidade cruzeiro.

    12. Neste voo estaria também a candidata Marina Silva. Acabaria qualquer possibilidade de haver o 2º turno e de o PT não vencer as próximas eleições. O tiro saiu pela culatra!

    13. Esta aeronave não foi guarnecida durante o seu pernoite nas instalações do Aeroporto Santos Dumont no Rio de Janeiro. O sabotador teve tempo mais que necessário para o seu intento.

    Aécio Neves e Marina Silva que se cuidem! Celso Daniel e Toninho do PT que o digam…
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    José Ori Dolvin Dantas, Coronel do Exército na reserva, é especialista em terrorismo e atentados terrorista.

  2. Durante décadas, a Petrobras foi uma espécie de menina dos olhos dos nacionalistas, hoje está enlameada. Que pena… vão dizer que não é nada disso… mas, diz o ditado popular: “quem não deve não teme”, então, transparência já…

  3. A filmagem da queda feita pela câmara de segurança, fartamente divulgada, põe por terra a maior parte dos argumentos do Coronel Dantas. O avião caiu praticamente “de bico” e em alta velocidade, causando um impacto de alta intensidade quase perpendicularmente ao solo, o que reproduziria exatamente o ” impacto frontal da aeronave com uma parede em pleno voo” que o articulista cita como a única outra causa possível dos detalhes da distribuição dos resíduos, e que pode ser verificada pela forma e profundidade da cratera causada pelo impacto, onde os bombeiros localizaram os resíduos da cabine . A desaceleração no momento do impacto deve ter sido bastante superior a 8G. Além disso não se veem sinais de explosão na filmagem, a “bola de fogo” que algumas testemunhas descreveram apareceu apenas no momento do impacto. A filmagem é compatível com o que aconteceria de o piloto, ao fazer a curva para a esquerda após a arremetida, tivesse sofrido de desorientação (que poderia ter sido causada pelo stress aliado ao pelo cansaço) e fechado demasiadamente a curva enquanto estivesse ainda acelerando.
    Agora, indubitavelmente é estranha a situação do gravador de voo inoperante, coisa realmente difícil de acontecer e que normalmente deveria ter sido detectada pelos pilotos no momento do “preflight check”.

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