O noturno de Chopin e o amor do poeta Pedro Nava

Nava, grande poeta e memorialista

O médico, escritor e poeta mineiro Pedro da Silva Nava (1903-1984), no poema “Noturno de Chopin”, desenvolve uma belíssima mensagem de amor.

NOTURNO DE CHOPIN
Pedro Nava

Eu fico todo bestificado olhando a lua
enquanto as mãos brasileiras de você
fazem fandango no Chopin

Tem uma voz gritando lá na rua:
Amendoim torrado
tá cabano tá no fim…
Coitado do Chopin! Tá acabando tá no fim…

Amor: a lua tá doce lá fora
o vento tá doce bulindo nas bananeiras
tá doce esse aroma das noites mineiras:
cheiro de gigilim manga-rosa jasmim.

Os olhos de você, amor…
O Chopin derretido tá maxixe
meloso
gostoso
(os olhos de você, amor…)
correndo que nem caldo
na calma da noite belo horizonte.

                  (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

4 thoughts on “O noturno de Chopin e o amor do poeta Pedro Nava

  1. Pedro Nava expõe no texto o seu talento. Sente-se, e não apenas se ouve, o Noturno com o cheiro de noite e luz do sonho e se vive o amor cruento no acalanto de um som. É Nava mexendo com a gente. Chamando-nos a relê-lo. Um convite a reencontrar um escritor que merece ser relido. E muito lido,

  2. 1) Muito, digamos, do meu estilo, memorialístico, deve-se ao Pedro Nava.

    2) Reconheço minha audácia, apenas um aprendiz de grande escritor.

    3) Vejam que letra bonita. Texto supimpa, como outro dia escreveram aqui.

    4) Licença: em 24 de maio de 1862 casa-se o poeta Fagundes Varela, em Sorocaba, SP, com a artista circence Alice Guilhermina Laundes. A bela contorcionista “era engolidora de espadas”. Um escândalo na época.

    5) Fonte: Biblioteca Nacional, Agenda, 1993.

  3. Pedro Nava é natural de Juiz de Fora. Nasceu em 5 de Junho de 1903. Fez os estudos secundários no Internato do Colégio Pedro II, e em seguida cursou a Faculdade de Medicina, colando grau em 1927. Como Joaquim Cardoso, sempre manifestou gosto e talento para a pintura e para a poesia, mas só em raras ocasiões publicou, em revistas literárias, algumas de suas produções. Fez parte do grupo mineiro que, em 1924, lançou, em Belo Horizonte A Revista, primeiro órgão do movimento modernista no Estado de Minas Gerais. Faleceu no Rio de Janeiro, em 13 de Maio de 1984.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *